16 May

Tempos Cruzados

Onde está a paixão?”, “Indefinidamente”, “Homem da terra”, “Nenhuma calma é eterna” ou “Se te amo tanto” intitulam alguns dos cerca de 30 poemas que preenchem as 62 páginas de “Tempos Cruzados”, ladeados pelos desenhos a preto e branco da pintora e ilustradora Kala.
Na apresentação do livro, uma sessão que contou com a presença de muitos convidados e amigos da autora, Rui Graça realçou a qualidade da escrita e da obra de Virgínia do Carmo, definindo-a como “a suavidade de uma brisa”, uma poesia que “cativa pela simplicidade no modo como diz o que tantas vezes sentimos, sem, contudo, o sabermos dizer, proporcionando ao leitor um efeito de espelhamento”.
“Tempos Cruzados” é um livro onde a poesia gravita em torno do amor, tendo como pano de fundo os alentos e desalentos das relações interpessoais, onde a dedicação parece ser, segundo o editor, o “elemento obreiro e vigilante” desta obra, centrada numa relação que se destaca de outras relações, tornando-a “especial e única, romanticamente singular”.
Marcado pela apurada sensibilidade da escrita de Virgínia do Carmo e pelos desenhos “esculpidos a traço pela sensibilidade atenta” da pintora e ilustradora Kala, “Tempos Cruzados” torna-se ainda, na perspectiva de Rui Graça, “um livro duplamente no feminino, num uníssono de sensibilidade artística.”
A obra, que vem na sequência de um anterior trabalho divulgado aos 17 anos, e a que Virgínia do Carmo chamou a sua “fase iniciática da escrita”, aparece, na opinião da autora, como “uma mão-cheia de poemas sobre vidas que se cruzam, retratos de emoções que se entrelaçam em encontros e desencontros.”
Para além da poesia, uma actividade que faz com grande espontaneidade, a autora, que tem vindo também a colaborar com Mensageiro de Bragança, pretende dedicar mais tempo à prosa, preparando já um novo trabalho que, ainda sem data prevista, gostaria de ver igualmente publicado.

F. Jorge da Costa (In Mensageiro de Bragança)