4 Aug

Estradas do Pajeú

Quando vejo os lamentos do povo do Pajeú e a cara das estradas, fico “um tanto quanto envergonhado” de ter votado em Eduardo Campos, que faz de maneira geral, uma boa administração, com desempenho que pode projetá-lo nacionalmente. Mas, parece que se esqueceu do Pajeú, celeiro da poesia e de tantos outros grandes valores. Pedindo permissão a alguns mestres da poesia que já fizeram alguns apelos e pedidos poéticos ao governador de Pernambuco. Peço que me deixem agora, sem ter conhecimento de métrica e de poesia como eles, fazer um desabafo em verso. Segue “Meu Governador”:

Ninguém ajeita a Estrada / Nem o deus da poesia / Nem promessa de beata / Nem açoite de chibata / Nem a própria rebeldia / Nem a força da alquimia / Nem assim foi eficaz / Ninguém mais sabe o que faz / De nada adianta nada / Ninguém ajeita a estrada / Nem o neto de Arraes

Nem o voto foi capaz / Nem a “politicaiada” / Ninguém dá jeito na estrada / Nem no neto de Arraes / Voto dado é voto jaz / Não desfaz está sem jeito / Se não foi dado direito / Só resta a decepção / E uns buracos no chão / Mostrando a cara do eleito

Hélio Ferreira)
Petrolina-PE, 17/07/2011


Ação insana de uma mente parida doente…

É claro que a chacina, assim como outras em outros lugares do mundo e aqui no Brasil, partiu de uma ação insana, de uma mente parida doente, mas piorada pela sociedade. A nossa frágil estrutura educacional e de saúde não foi capaz de “separá-la” com objetivo de tratá-la em condições especiais.

Mas, no meio de tanta dor, não passou despercebido o amarelo desbotado e cheio de “manchas” da cara daquela escola pública do Rio de Janeiro. Tasso da Silveira! Semelhante a tantas outras no Brasil. Para se ter uma ideia de como se trata o futuro do Brasil, comparem-na com a cara dos bancos de cara verde dólares, de caras encarnadas e outros de amarelos brilhantes dourados!

Porque será que as escolas são assim? Será que lá dentro não guardam valores?

Vocês ouviram os depoimentos do prefeito do Rio, do governador e das autoridades envolvidas? Quem viu a presidenta Dilma ir às lágrimas? Todos com caras desbotadas e sem palavras para explicar o fato! Todos, hipoteticamente, impotentes!

Mas, há o que fazer sem sombra de dúvida! Porém, nenhum deles defendeu transformar o ambiente educacional brasileiro, a escola, em local “sagrado”. Ventre de criação dos valores de um povo, de uma sociedade.

Há pouco tempo a escola servia como complemento da educação familiar, dos pais. Mas hoje, pela degradação da estrutura familiar e da própria sociedade, isso se inverteu. A escola passou a ser na maioria dos casos o primeiro nível educador dos filhos do Brasil e há casos mais graves ainda, com a ausência física ou não dos pais, se transforma em único ambiente educador. Ou seja, são os professores, profissionais pacientes, que recebem nas salas de aula, toda essa carga de problemas sociais.
Além de repassar conhecimento, tem “involuntariamente” a responsabilidade de serem os pais e as mães de tantos filhos órfãos de carinho, de amor e de educação básica que antigamente era atribuída à escola familiar. Passaram a ser também psicólogos, juízes e etc.
Enquanto tantos profissionais e políticos, que desempenham papéis menos importantes, recebem excelentes salários, sangrando os cofres públicos, estes profissionais, formadores de cidadãos, têm que enfrentar alguns governadores que teimam em não pagar o piso salarial (mísero mil e poucos reais, que é nada em relação à missão que eles têm) aprovado recentemente.

Os valores estão invertidos! Se a sociedade não começar a defender as causas justas teremos filhos cada vez mais piorados!

Temos que nos aliar a causa dos professores! O povo (eleitor) tem que se manifestar contra esses governantes que teimarem em não pagar o piso nacional dos professores. Um profissional, também desestruturado, não vai conseguir sustentar todos os problemas que se concentram numa sala de aula.

Fora aos governantes sem visão! Sem educação! Que eles tirem recursos de outros setores e façam o que deve ser feito, antes tarde do que nunca!

Hélio Ferreira
Petrolina, 23 de março de 2011

Dona Lalú

Sempre acesso este recanto genial de um afogadense que se orgulha da sua terra e da história da sua gente, para ler as notícias e continuar, mesmo longe, por dentro das notícias dessa cidade e da sua gente hospitaleira e amiga.
Mas vejo somente agora que no dia 21.03.2011 “desencarnou” D. Lalú. Minha amiga, que muitas vezes me visitou na CAIXA com a gentileza idosa e maravilhosa de quem se apresenta sempre com um sorriso firme e amigo.

Sei que Deus dará uma rua bonita e um banco de praça para que ela possa enfeitar e alegrar com as suas cores e seus vestidos floridos, como fez aqui, a vida nos céus!

Irmã de lábio encarnado
De aço e sorriso assú
De flores desencarnadas
De cactos, de lótus, Lalú
Sem as cores vivas do vestido
Ficou triste o pajeú

Abraço fraterno nos familiares!

Hélio Ferreira
Petrolina, 23 de março de 2011

FHC, olhe bem pra você!

A Folha de SP noticiou o desafio em forma de bravatas: FHC chama LULA para um cara-a-cara. E precisa? Ele quer mostrar para LULA que o sucesso atual foi herança do governo dele. Como é que pode um negócio desses? E o presidente Lula virou MIDAS foi?

Não precisa LULA para encará-lo, mister FHC, com meia dúzia de palavras, qualquer simples trabalhador deste país faz isso sem “titubear”. Nos seus 08 (oito) anos de governo a classe trabalhadora teve o maior arrocho salarial da história; o salário mínimo não ultrapassou os 80 dólares; não havia investimentos públicos, nem privados; não havia investimentos na área de educação, segurança e saúde.

Mas, o Brasil de Lula, caro FHC, só aqui do meu lado, na cidade de Petrolina – sertão pernambucano – criou a UNIVASF – Univ Federal com vários cursos, inclusive de medicina, além de várias extensões e muitas escolas técnicas em todo o Brasil. Aqui em Pernambuco, no sertão temos várias. Posso testemunhar mais de 06 (seis) escolas técnicas. Além das obras de transposição do São Francisco e da ferrovia Transnordestina, que gera milhares de empregos.
Em todo o Brasil houve o aumento significativo no nível de emprego; pagamento da dívida externa; construção de milhões de moradias para todas as classes, principalmente a criação do subsídio habitacional para proporcionar moradia digna a milhões de brasileiros. E ainda o incentivo constante ao crédito pessoal e ao financiamento habitacional. Ora mister FHC, até digo que não precisas de ninguém para encará-lo, só precisa revirar os anais do seu tempo. A história se não houver “babões de plantão” fará isso por qualquer um de nós, vai encará-lo pra dizer que o senhor deixou o Brasil no chão, dívida externa, zero de reservas (no popular liso), vivia aos pés dos “agiotas externos”.

Há mazelas na administração pública? Claro que sim, e em todas as esferas. Corrupção? Também. No seu governo, com o grande aliado PMDB, que hoje é criticado por estar ao lado de Lula, houve várias denúncias de corrupção, a grande maioria jogada embaixo do tapete. Conte-nos como foi o sucesso da aprovação da sua reeleição?

E o PROER foi para salvar quais bancos e de quem? Quais grupos foram favorecidos e de que forma nas suas privatizações? E o que foi que o Senhor fez com todos os bilhões de dólares resultantes da venda do nosso patrimônio? Pois é, como é que você vem com a “cínica coragem” de posar de grande benfeitor, de dizer que o gigantismo de LULA está no continuísmo do vosso governo.

Pensas que não temos memória, mister FHC? Ou, além de chamar os aposentados de “vagabundos”, acaso chamas o povo de burro? Há muita diferença do vosso, se é que pudemos chamar governo, para o do presidente LULA.

FHC, Olhe bem nos meus olhos, olhe bem pra você!

Hélio Ferreira
Salgueiro/PE, 17 de outubro de 2010

PERNAMBUCANAÇÃO

Bandeiras são versos de Manuel // Olinda é o hino de Alceu Valença
Ter o dom de Hélder é ter a crença // Ver o fogo encantado no cordel
Têm forrós nos sertões de Maciel // No Dominguinhos danço um baião
A voz sai na sanfona de Gonzagão // No Exu de gonzagas tem Chiquinha
No xote quente de Gonzaguinha // Nosso estado é PERNAMBUNAÇÃO

Os azuis são de Carlos Pena Filho // Bubuskando pelos mares da poesia
Raimundo encarreirando a fantasia // Desce do sertão vem pelo trilho
No pajeú três Batistas no trocadilho // E João Paraibano desafia Sebastião
No repente Dió faz transformação // Vilanova novamente vira e revira
No passeio de Mocinha de passira // Nosso estado é PERNAMBUCANAÇÃO

Meu rio Chico passa e cai no mar // O velho novo vem mostrar o que é beleza
Na barcarola na força da correnteza // Traz a suíte que nasceu no Jatobá
Na voz mansa de Geraldo pra cantar // E tem Cabral que se descobriu João
Escrevendo mata agreste e sertão // Gilberto é casa grande e é senzala
No terraço, no terreiro e na sala // Nosso estado é PERNAMUBUCANAÇÃO

Rei Reginaldo cantando a cuna // Nando Cordel é forró e é frevança
Selma do Coco no coco ela dança // Ariano lá do alto é um suassuna
Do Altinho Jorge canta o rio uma // Zezito Doceiro botou doce na canção
Limão com Mel é o mel e o limão // Ares e palmas na alma de Ascenso Ferreira
Com Quinteto Violado de primeira // Nosso estado é PERNAMBUCANAÇÃO

Jandhuir vem na feira de Caruaru // Reza a missa em missão vaqueira
Da mata norte surge lança guerreira // Na ponta do verso do Mestre Salu
Na ponta do pé traz o seu maracatu // Vem o matuto balançar a multidão
Talhando a serra no forró de Assisão // O cabra que é Pernambuco da gema
Quando Aciolly Netto have o poema // Nosso estado é PERNAMBUCANAÇÃO

Hélio Ferreira
Carpina/PE, 19 de maio de 2008

Não pode faltar…
NA FESTA DO CENTENÁRIO DE AFOGADOS DA INGAZEIRA

Na festa do centenário / Não podem faltar as poesias
E o canto de feliz aniversário / Na viola de Sebastião Dias

Não falte também o imaginário / Do poeta Dió em primazias
Com seu parceiro adversário / Tirando uns versos nas cantorias

Não falte o João Paraibano / Que é assim de verso Açú
Ele é um poeta sobre-humano / Que enobrece o pajeú

Tem que retratar no pano / Nas cores rubras do mulungú
Tem que homenagear no plano / Num belo retrato de Dona Lalú

Na festa não pode faltar / Cancão e o amigo Ciço Migué
Dica e Tida, Zé Pereira e Josemar / Não falte o grande amigo Zé

Não falte Dimas e Heleno do Bar / Nem falte Lívia e o amigo Wagner
Pra festa se abrilhantar / Não falte Ari e Zeza sua mulher

Pra essa festa ser grandiosa / Tem que ter presença de AMAI
Com Elymar, Dom Celso e Josa / Com Marcos e Finfa, Netinho vai

Pra uma festa bem calorosa / Com a razão do amor do Pai
Com a benção da mãe carinhosa / Até Dom Pepeu de casa sai

Pra ser de Vera e Alexandre Moraes / Não falte a beleza de um par
Não falte o amor dos casais / Não falte Marines e Dimas do Bar

Pra não esquecer jamais / Nill Júnior na rádio vai divulgar
Para a festa ficar nos anais / Tem o seu blog pra publicar

Tem que ter forró na praça / Não voz de Maciel Melo
Tem que ter pitú de graça / Para o povo gastar chinelo

Com bico de pão e cachaça / Pra preto, branco e amarelo
Para brindar a alegria na taça / Não falte o poeta Paulo Rabelo

Não pode faltar o “Lindão” / Pra cidade sentir fraternidade
Que nunca falta ao seu irmão / E nunca perdeu uma amizade

Enfim se espalhe confraternização / Não falte paz, amor e felicidade
E não falte o povo da região / Para louvar feliz cidade.

Hélio Ferreira
Carpina/PE, 1º de maio de 2009

…Soneto a pedido, recitado por Kledja Marabuco, para reconhecer o trabalho de vários companheiros da CAIXA que trabalharam por dias e noites, sem medidas, para vários projetos de construção de casas populares no interior pernambucano (Agreste, sertão, zona da mata norte e sul), em evento no Recife/PE com participação da presidenta da CAIXA Maria Fernanda Coelho! Muitos deles pensam que só fizeram casas, e aí, enganam-se, eles construíram sorrisos, etc.!

SONETO DE RECONHECIMENTO (Para reconhecer-se)
Aos companheiros da CAIXA que construíram sorrisos.

Se ainda não tens a exata noção
Veja na mata sul, veja no agreste
Veja o significado da tua realização
São lares e moradias o que fizeste

Nos campos do nosso centro-oeste
Tem casa que se levanta do chão
Com braços de um novo nordeste
Na mata norte e no nosso sertão

Se não se vês nessas moradias
Sinta o que sente a telha do telhado
Abrigando mães com as suas crias

Se não sabes ainda o teu significado
Na sinceridade das noites frias
Sinta o frio na pele de um abandonado.

Hélio Ferreira