15 Jul

Diomedes Laurindo de Lima

Conhecido como Diomedes Mariano, o DIÓ é poeta, repentista, embolador (amador), declamador, escritor, humanista e cidadão brasileiro. Filho de José Antonio Laurindo (em memória) e Maria José Laurindo de Lima, nasceu em 19 de fevereiro de 1964 no sítio Barra-Solidão/PE.

Inspirado nos folhetos de cordel que seu pai comprava nas feiras e sua mãe lia para ele e seus irmãos, ouvindo programas de cantoria nas rádios Pajeú de Afogados da Ingazeira, Rural de Caicó-RN, Espinhara de Patos-PB e outras mais, descobriu seu talento para recitar e fazer versos aos oito anos de idade.

Residiu na zona rural até os dez anos, onde dividia seu tempo entre os afazeres da roça e os estudos, vindo a concluir o primário na Escola Luiz Carolino de Siqueira com a professora Virgínia Oliveira.

Pouco tempo depois, mudou-se para Afogados da Ingazeira, onde reside até os dias atuais.
Desde então encantava a todos com seus versos improvisados. Já na fase adulta participou de mais de 60 Festivais de Violeiros, conquistando premiação em todos eles.
Como declamador esteve presente em inúmeros recitais, em várias cidades do nordeste como Petrolina, Campina Grande, João Pessoa, Teresina, Recife, Caruaru, Arcoverde e Maceió. Com o seu talento obteve grande destaque nos festivais de Brasília e São Paulo.

Diomedes também cantou com poetas famosos como Ivanildo Vila Nova, João Paraibano, Sebastião Dias, Sebastião da Silva, Moacir Laurentino, Geraldo Amâncio, Diniz Vitorino, Severino Feitosa, Valdir Teles, Zé Viola, Os Nonatos e outros gênios da cantoria.

O Poeta divide seu tempo entre suas cantorias e seus afazeres de comerciante, trabalhando no “Borbão” há quase 30 anos, loja que faz parte de sua história. Por curtos períodos trabalhou, também, numa churrascaria de Helvécio Mariano, na Praça Mons. Arruda Câmara e no Escritório de Contabilidade de João Mariano, seus tios.

Em Afogados da Ingazeira cursou o ginasial e o 2º grau no Ginásio Mons. Pinto de Campos, tendo como diretor o sr. Luiz Alves dos Santos. Essa, única escola onde estudou desde que foi pra cidade, e onde concluiu seus estudos.

Esse multi artista tem dois CDs gravados. O primeiro em parceria com João Paraibano, intitulado “Esse é o sertão cantado por quem melhor lhe conhece”. O outro, com Sebastião Dias, “Violeiros do Pajeú”.

Teve participação, também, em inúmeros CDs e DVDs de Festivais de Cantoria com diversos artistas. Ressaltamos, também, trabalhos gravados por nomes expressivos da Cantoria como Ivanildo Vila Nova, João Paraibano, Edezel Pereira, Valdir Teles, Raimundo Caetano, Val Patriota e Delmiro Barros, entre outros.

Filosofia de Vida

“Andar sempre de cabeça erguida para não tropeçar nos obstáculos da própria sombra”

O Coreto da Pracinha

Muita gente recorda que havia, / No coreto cantado em prosa e verso, / Um ilustre celeiro, um universo, / De pessoas dotadas de alegria, / JÚLIO BOY, BEL NAZÁRIO, que hoje em dia, / Já habitam nos planos divinais, / Um ANTÔNIO MARTINS que ainda faz, / Uso de uma cadeira que lá tinha, / Só restou no Coreto da Pracinha, / a Cadeira de Ferro e nada mais

A cadeira de ferro foi assento, / Pra LULU e PIROCA de seu NÉ, / Para ANTÔNIO LALAU, que hoje é, / Inquilino de Deus no firmamento, / Para NÊGO o poeta cem por cento, / Declamando seus versos imorais, / ALMIR PIRES, na época um bom rapaz, / SÍLVIO CRUZ, TADEUZÃO, IVO E BOMBINHA, / Só restou no Coreto da Pracinha, / a Cadeira de Ferro e nada mais.

CLÓVIS e CARLOS de DÓIA, a dupla ia, / Todo dia ao coreto dar plantão, / Com AÍLTON e OSVALDO de SIMÃO, / Outra dupla da mesma parceria, / Seu MANOEL, dono da barbearia, / Atendia os clientes principais, / GENI dono do bar vendia aos quais, / Serra Grande, Alcatrão, Brahma e Sardinha, / Só restou no Coreto da Pracinha, / a Cadeira de Ferro e nada mais.

Todo fim de dezembro era o lugar, / Preferido dos grandes dançarinos, / No forró embalado onde os meninos, / Iam todos dispostos a dançar, / Senhor HERMES, no seu primeiro andar, / Contratava atrações para os casais, / Nesse tempo LUÍS era rapaz, / E ZÉ de HERMES mais novo que LOURDINHA, / Só restou no Coreto da Pracinha, / a Cadeira de Ferro e nada mais.

Como tudo na vida leva fim, / O “coreto” se foi nessa enxurrada, / Resta só a cadeira preservada, / Por ANTÔNIO MARTINS que disse a mim, / Podem vir com Ouro, com Marfim, / Com Topázio, Brilhante ou com Reais, / Que não troca e também não se desfaz, / Não tem nada que compre a cadeirinha, / Só restou no Coreto da Pracinha, / a Cadeira de Ferro e nada mais.

O Coreto passou mas sua história, / Não passou nem tampouco passará, / E a cadeira, este marco ficará, / Como peça sublime exposta a glória, / Como toda existência é transitória, / De madeiras, cerâmicas e metais, / Ficará a cadeira nos anais, / De quem sabe a importância que ela tinha, / Só restou no Coreto da Pracinha, / a Cadeira de Ferro e nada mais.

Hoje resta a saudade traiçoeira, / Que ataca, destrói, que dilacera, / Perturbando o senhor LULU PANTERA, / ZÉ de GÓES, TOTA FLOR, CHICO VIEIRA, / Quem fez uso excessivo da cadeira, / Nas diversas manhãs dominicais, / Ao lembrar do passado se desfaz, / Ante a dor da saudade que espezinha, / Só restou no Coreto da Pracinha, / a Cadeira de Ferro e nada mais.

Diomedes Mariano
Afogados da Ingazeira-PE, 25/01/2011

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Rádio Pajeú – 51 anos de existência

Parabéns PAJEÚ, rádio querida,

Por cinquenta e um anos de existência,

Liderando as pesquisas de audiência,

Como sendo de fato a mais ouvida.

Por Dom Mota esta rádio foi trazida,

Já sabendo que vinha pra ficar,

Desde a hora que ela entrou no ar,

Até hoje estamos festejando,

Que ela vem instruindo e educando,

Divulgando a Cultura Popular.

Quatro horas em plena madrugada,

Nossa rádio se acorda sonolenta,

Mas ao som do forró a rádio esquenta,

Acordando o Sertão sem cobrar nada,

Em seguida mantém sempre informada,

Sua extensa e atual programação,

O orgulho maior para o Sertão,

Que já se acostumou a  desfrutar,

De uma Rádio católica, popular,

A serviço da nossa região.

Parabéns para rádio e pra quem faz,

Esta programação imorredoura,

Para todos que fazem a emissora,

Que de fato são profissionais,

Quanta coisa deixada para trás,

Por heróis que aqui se efetivaram,

Deram muito de si, mas se mudaram,

A convite de Cristo ao céu subiram,

Nosso imenso obrigado aos que partiram,

Nosso abraço fraterno aos que ficaram!

Diomedes Mariano
Afogados da Ingazeira-PE, 2010

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Aventuras

Fui bastante sincero com você, // Dei um pouco de crédito às suas juras, // Nosso tempo foi curto, mas rendeu, // Atrações, sensações, ânsias, loucuras, // Apesar dos receios e temores, // Como dois estreantes amadores, // Tendo medo das próprias aventuras.

O bulício da brisa nos lençóis, // O espelho do sol nos azulejos, // Os impulsos dos tensos corações, // Superaram  a muralha dos desejos, // Testemunha dos fatos ocorridos, // A parede guardou nos seus ouvidos, // Os estalos sutis dos nossos beijos.

Nada mais importava além daquilo, // Paz, afeto, carinho e harmonia, // No seu colo macio eu me deitava, // Nos meus braços, você adormecia, // Nossa única intenção era de amar, // Como a água foi feita para o mar, // Fomos feitos pra nós naquele dia.

Nossa estada foi breve, mas foi bela, // Foi vivida com muita intensidade, // Era o dia do fico, mas eu fui, // Obrigado a partir contra vontade, // Sem que um pouco de graça visse em nada, // Como abelha sem favo, embriagada, // Nos resíduos do cálice da saudade.

Deixei marcas de mim pelo seu corpo, // O formato da face no seu seio, // Ao encontro da minha boca úmida // Sua boca faminta também veio, // Ao quebrarmos os recordes da censura, // Onde houver uma história de aventura, // O capítulo da nossa ? está no ?

Quase um sonho, mas foi realidade, // Durou pouco demais, mas deu prazer, //
Você foi, você é, você será // O motivo maior do meu viver, //
Seiva doce, da fruta proibida,// A história de amor por nós vivida, //
Vai ser muito difícil de esquecer.

Diomesde Mariano
Afogados da Ingazeira-PE

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Madalena Vieira Brandão


Quem nunca escutou falar, em BETO DE MADALENA?
a estrela sai de cena, pro descendente ficar,
ZEFINHA, vai lamentar, ZÉ, chorar a orfandade,
em ANTÔNIO, a dor invade, em FÁTIMA, a tristeza é plena,
PRA O CÉU, SE FOI MADALENA, PRA NÓS SÓ RESTA A SAUDADE.

Nossos pêsames a todos os familiares

Diomedes Mariano
Afogados da Ingazeira-PE, 7 de abril de 2010

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Cem Anos de Doutor Hermes


Doutor Hermes faz parte da doutrina, / Que ensina o cristão a ser fiel,
O seu pai foi chamado de Manoel, / Sua mãe se chamou Capitulina,
Conseguiu ingressar na medicina, / E pouco tempo depois de se formar,
Preteriu o Recife pra morar, / No sertão onde o povo o ama tanto,
PARABÉNS DR. HERMES DE SOUZA CANTO,
POR CEM ANOS DE HISTÓRIA PRA CONTAR.

Doutor Hermes podia, mas não quis, / Em Recife exercer a profissão,
Escolheu um recanto do sertão, / Pra poder abrigar-se e ser feliz,
De diploma na mão, a história diz, / Trinta e oito era o ano, eu vou lembrar,
Em Tabira chegou pra trabalhar, / Quando ainda chamava-se Espírito Santo,
PARABÉNS DR. HERMES DE SOUZA CANTO,
POR CEM ANOS DE HISTÓRIA PRA CONTAR.

Por ali enfrentou sol e poeira, / Mas a força do homem ninguém mede,
Só três anos depois veio pra sede, / A querida Afogados da Ingazeira,
Esta mesma cidade hospitaleira, / Com uns tempos, passou a governar,
Atendeu o chamado popular, / Seu mandato seu deu com grande encanto,
PARABÉNS DR. HERMES DE SOUZA CANTO,
POR CEM ANOS DE HISTÓRIA PRA CONTAR.

Fixou residência na terrinha, / Adotou o sertão pernambucano,
Pai de Vânia, Hermes Júnior e Luciano, / E o esposo de Dona Terezinha,
Cidadão de postura, homem de linha, / Nunca foi um cristão de se negar,
Seus favores por tudo que é lugar, / São lembrados por nós, por todo canto,
PARABÉNS DR. HERMES DE SOUZA CANTO,
POR CEM ANOS DE HISTÓRIA PRA CONTAR.

Do político, o instinto sonhador, / Do cristão, a postura e a grandeza,
Como chefe da prole, uma certeza, / O marido fiel, bom genitor,
Qualidade sublime no doutor, / Que atendeu tanta gente sem cobrar,
Pondo Deus, no seu jeito de curar, / Tendo fé no divino Espírito Santo,
PARABÉNS DR. HERMES DE SOUZA CANTO,
POR CEM ANOS DE HISTÓRIA PRA CONTAR.

Neste dia em que ele completou, / De janeiros vividos, uma centena,
A família irmanada entrou em cena, / Pra brindar a centena que chegou,
Luciano não veio, mas mandou, / Uma estrela divina lhe guiar,
Afogados se uniu pra lhe abraçar, / E eu me encontro feliz do mesmo tanto,
PARABÉNS DR. HERMES DE SOUZA CANTO,
POR CEM ANOS DE HISTÓRIA PRA CONTAR.

Diomedes Mariano