22 Aug

Com a voz do coração


Temos pleno conhecimento que o internauta não tem interesse na vida e no passado do professor, poeta e blogueiro. Porém, nesta madrugada, resolvi escrever com a voz do coração. Tudo que o Nosso Senhor Jesus Cristo puser no meu coração, vou postar.
Há anos venho trabalhando em sites e jornais, e o que escrevo recebe diversas vezes a ojeriza de quem pouco entende o que quero dizer. Muitas vezes escrevo que a morte viaja de moto e aconselho ao internauta que reduza a velocidade. Logo, chega um e-mail escrito de forma agressiva.

Inspirado em Pe. Zezinho eu gostaria muito de conversar com os jovens. Em novembro, completo 50 anos. Em 1988, eu sofri um grave acidente em Flores, sertão do Pajeú, e passei seis meses hospitalizado. Eu era um bêbado chato que dava trabalho aos meus pais e aos meus irmãos. Dormia nas calçadas, nos cabarés, comprava e não pagava e vivia num sofrimento sem fim. Foram quinze anos. Meu primeiro copo e meu primeiro cigarro foram consumidos com 20 anos de idade. Depois, cigarros e mais cigarros e cerveja.

Certo dia, cheguei à balança e estava pesando apenas 50kg. Sofri muito e apanhei muito. Meus pais e meus irmãos, coitados, passavam tanta vergonha… O que eu mais queria, neste momento, era que meu pai, Luiz Monteiro, fosse vivo para ver o cidadão que sou hoje.
Aflito, muitas vezes, eu ia para Casa de Saúde e ficava olhando para a imagem de Nossa Senhora de Fátima. Desempregado, não sabia para onde ir quando amanhecia. Mas, um dia, uma luz consegui ver no céu, e disse que iria seguir aquela estrela.

Voltei a estudar e comecei a passar nos concursos: Prefeitura de Salgueiro, Prefeitura de Parnamirim, Governo do Estado e voltei a escrever no site Supramax, depois na Estação do futebol, jornais de São Paulo e no blog Palavras do Sertão. Eu gosto de escrever e o blog Palavras do Sertão vai disponibilizar um espaço para poemas e textos de crianças, buscando incentivar a produção de literatura no Sertão.

Quer saber? Eu gosto de todos os políticos e de todas as pessoas da minha região e meus amigos têm grande satisfação comigo. Equilibrado, desprovido de qualquer ódio, vou conduzindo a vida junto com minha esposa Maria de Fátima e meus dois filhos, Kalil Vinicius e Maraiany Lays. Somos felizes com os colegas da Escola Waldemar Soares de Menezes e com todos os servidores do estado; Sou feliz com meus colegas funcionários da Prefeitura de Salgueiro, leitores e com meu companheiro Thiago Guedes que já me acompanha há cinco anos, fazendo viver a arte de escrever; Isso não é desabafo, não há tristeza dentro do meu coração. Eu queria que muitos jovens tivessem a alegria de nascer de novo, abandonando os vícios. Precisamos segurar na mão de Deus, com fé, esperança.

Este depoimento não visa sensibilizar eleitores até porque não tenho vontade de disputar mais uma eleição, onde o dinheiro é que faz a diferença.
Sou educador de apoio, professor no município, lotado na Secretaria de Cultura, à disposição da secretária Eliane Alves e do Governo de Salgueiro e pós-graduado em Especialização em Programação de Ensino da Língua Portuguesa.
Não me arrependo de nada, pois das trevas é preciso visualizar a luz; sendo assim, sempre há uma saída. Busque-a!

Um grande abraço para todos e feliz 2010.
Luiz Wilson Alves Monteiro
Editor do blog Palavras do Sertão
Salgueiro, 7 de janeiro de 2010


QUE HOMENAGEM ESTRANHA

Que homenagem é essa que José Serra vem fazer?
para ser presidente precisa amadurecer.
O sertanejo não é bobo
Usado Luiz  nunca foi
Homenagens de políticos Gonzaga nunca
quis ter.

Fazia música pra eles
Ganhava o trocado deles
Ser político, não senhor, nem prefeito
deputado, em Exu preferiu viver.

De manhã, o galo canta, o vaqueiro se levanta
os passarinhos cantam, o som do chocalho encanta
são homenagens duradouras que Luiz sempre quis ter.
O aboio do vaqueiro, o cantar dos repentistas,
Registram no meu sertão mil e uma homenagens
Ao nosso Rei do Baião.

Collor usou Frei Damião, Serra tem uma opinião
que se abraçar com Luiz ganha votos no Sertão.
Nunca andou de pau-de-arara
Nunca sofreu em São Paulo
Num conhece uma Asa Branca
O que Serra vem fazer
Meu Padim deve dizer.

Daqui a pouco ele pensa que um dia foi romeiro
sobe num pau-de-arara e vai pro Juazeiro
cuidado para o carro não virar nas curvas lá do Salgueiro.

Um cara que nunca viu uma cartilha de ABC
que fala a linguagem dos ricos
Quer se valer, pra quê
Querendo homenagear Luiz
Presidente ele quer ser.

Wilson Monteiro
Salgueiro, 22 de julho de 2009

AFOGADOS DA INGAZEIRA – 100 ANOS

Dos filhos de afogados num pé de ingazeira
Nasceu um município fortalecido na fé
Sendo retrato neste Sertão
De trabalho, amor e devoção
Fazendo agora 100 anos
Afogados da Ingazeira é homenageado pelas águas
e pelas plantas da caatinga
pelo Sol que nos ilumina e pela noite
onde as estrelas declamam mais de cem, talvez mil poemas
para os Filhos de Afogados da Ingazeira
que não só moram neste chão.

Aos que foram para outras terras
Ou que transmigraram para outras vidas
O inesquecível abraço desse bravo povo
Aos que trabalharam e honraram dias de glória
Centenário é a prova da fé
Da devoção a esse torrão
Que é um dos mais belos na aridez desta terra
De heróis grandes e pequenos que escrevem juntos a história
do Pajeú ao São Francisco
Do Sertão Central ao Agreste
Que transborda no Cais
A história desse povo Que é flor
que também sente dor
Já não estamos mortos num pé de ingazeira
Somos povo, somos fé
Temos identidade
Num rosto alegre ou triste
Centenário neste Sertão
Somos prova de amor à terra
Somos Filhos de Afogados
Afogados da Ingazeira com 100 anos de fundação


Wilson Monteiro