28 Aug

Magno Martins

Magno é pernambucano de Afogados da Ingazeira, tem 29 anos de carreira e é formado em Jornalismo pela Unicap, com pós-graduação em Ciência Política pela mesma Universidade. Começou suas atividades profissionais no Diário de Pernambuco em 1980 como correspondente de sua terra natal.

Em 1984, trocou Pernambuco por Brasília, onde trabalhou no Correio Braziliense, Jornal de Brasília, O Globo, Agência O Globo e a Agência Meridional, dos Diários Associados. Também abriu a primeira sucursal de um jornal de Pernambuco no Distrito Federal – o Diário de Pernambuco, jornal que assumiu outras funções, como colunista, secretário de redação e editor-geral. Mais tarde, em eleição direta, foi eleito presidente do Comitê de Imprensa da Câmara dos Deputados.

Fundou em 1999 a Agência Nordeste, numa sociedade com o Grupo Folha de Pernambuco, do empresário Eduardo de Queiroz Monteiro. Através da Agência Nordeste, Magno passou a ter uma forte inserção nos jornais do Nordeste. Na Folha de Pernambuco assina a coluna diária Folha Política, uma das mais polêmicas e lidas no Estado.

Autor de três livros – O Nordeste que deu certo, O Lixo do Poder e A derrota não anunciada – Magno foi, também,  secretário de Imprensa do Governo de Pernambuco, em 1991. Ao longo dos últimos anos, Magno participou de grandes coberturas nacionais, entre elas quatro eleições presidenciais e a Constituinte.

Magno é, ainda, o blogueiro pioneiro de Pernambuco. Seu blog, com uma média mensal de 1,5 milhão de acessos, foi aberto em abril de 2006 e de lá para cá nunca perdeu a sua liderança, sendo, assim, uma referência nacional, com destaque no Nordeste.

Magno é, também, âncora do programa Frente a Frente, transmitido, hoje, pela Cadeia Pernambucana de Rádios para 25 emissoras do Estado. É ainda comentarista político do programa de Edvaldo Morais, na Rádio Olinda. E em Brasília, assina uma coluna política no semanário Fatorama.


22 Aug

Com a voz do coração


Temos pleno conhecimento que o internauta não tem interesse na vida e no passado do professor, poeta e blogueiro. Porém, nesta madrugada, resolvi escrever com a voz do coração. Tudo que o Nosso Senhor Jesus Cristo puser no meu coração, vou postar.
Há anos venho trabalhando em sites e jornais, e o que escrevo recebe diversas vezes a ojeriza de quem pouco entende o que quero dizer. Muitas vezes escrevo que a morte viaja de moto e aconselho ao internauta que reduza a velocidade. Logo, chega um e-mail escrito de forma agressiva.

Inspirado em Pe. Zezinho eu gostaria muito de conversar com os jovens. Em novembro, completo 50 anos. Em 1988, eu sofri um grave acidente em Flores, sertão do Pajeú, e passei seis meses hospitalizado. Eu era um bêbado chato que dava trabalho aos meus pais e aos meus irmãos. Dormia nas calçadas, nos cabarés, comprava e não pagava e vivia num sofrimento sem fim. Foram quinze anos. Meu primeiro copo e meu primeiro cigarro foram consumidos com 20 anos de idade. Depois, cigarros e mais cigarros e cerveja.

Certo dia, cheguei à balança e estava pesando apenas 50kg. Sofri muito e apanhei muito. Meus pais e meus irmãos, coitados, passavam tanta vergonha… O que eu mais queria, neste momento, era que meu pai, Luiz Monteiro, fosse vivo para ver o cidadão que sou hoje.
Aflito, muitas vezes, eu ia para Casa de Saúde e ficava olhando para a imagem de Nossa Senhora de Fátima. Desempregado, não sabia para onde ir quando amanhecia. Mas, um dia, uma luz consegui ver no céu, e disse que iria seguir aquela estrela.

Voltei a estudar e comecei a passar nos concursos: Prefeitura de Salgueiro, Prefeitura de Parnamirim, Governo do Estado e voltei a escrever no site Supramax, depois na Estação do futebol, jornais de São Paulo e no blog Palavras do Sertão. Eu gosto de escrever e o blog Palavras do Sertão vai disponibilizar um espaço para poemas e textos de crianças, buscando incentivar a produção de literatura no Sertão.

Quer saber? Eu gosto de todos os políticos e de todas as pessoas da minha região e meus amigos têm grande satisfação comigo. Equilibrado, desprovido de qualquer ódio, vou conduzindo a vida junto com minha esposa Maria de Fátima e meus dois filhos, Kalil Vinicius e Maraiany Lays. Somos felizes com os colegas da Escola Waldemar Soares de Menezes e com todos os servidores do estado; Sou feliz com meus colegas funcionários da Prefeitura de Salgueiro, leitores e com meu companheiro Thiago Guedes que já me acompanha há cinco anos, fazendo viver a arte de escrever; Isso não é desabafo, não há tristeza dentro do meu coração. Eu queria que muitos jovens tivessem a alegria de nascer de novo, abandonando os vícios. Precisamos segurar na mão de Deus, com fé, esperança.

Este depoimento não visa sensibilizar eleitores até porque não tenho vontade de disputar mais uma eleição, onde o dinheiro é que faz a diferença.
Sou educador de apoio, professor no município, lotado na Secretaria de Cultura, à disposição da secretária Eliane Alves e do Governo de Salgueiro e pós-graduado em Especialização em Programação de Ensino da Língua Portuguesa.
Não me arrependo de nada, pois das trevas é preciso visualizar a luz; sendo assim, sempre há uma saída. Busque-a!

Um grande abraço para todos e feliz 2010.
Luiz Wilson Alves Monteiro
Editor do blog Palavras do Sertão
Salgueiro, 7 de janeiro de 2010


QUE HOMENAGEM ESTRANHA

Que homenagem é essa que José Serra vem fazer?
para ser presidente precisa amadurecer.
O sertanejo não é bobo
Usado Luiz  nunca foi
Homenagens de políticos Gonzaga nunca
quis ter.

Fazia música pra eles
Ganhava o trocado deles
Ser político, não senhor, nem prefeito
deputado, em Exu preferiu viver.

De manhã, o galo canta, o vaqueiro se levanta
os passarinhos cantam, o som do chocalho encanta
são homenagens duradouras que Luiz sempre quis ter.
O aboio do vaqueiro, o cantar dos repentistas,
Registram no meu sertão mil e uma homenagens
Ao nosso Rei do Baião.

Collor usou Frei Damião, Serra tem uma opinião
que se abraçar com Luiz ganha votos no Sertão.
Nunca andou de pau-de-arara
Nunca sofreu em São Paulo
Num conhece uma Asa Branca
O que Serra vem fazer
Meu Padim deve dizer.

Daqui a pouco ele pensa que um dia foi romeiro
sobe num pau-de-arara e vai pro Juazeiro
cuidado para o carro não virar nas curvas lá do Salgueiro.

Um cara que nunca viu uma cartilha de ABC
que fala a linguagem dos ricos
Quer se valer, pra quê
Querendo homenagear Luiz
Presidente ele quer ser.

Wilson Monteiro
Salgueiro, 22 de julho de 2009

AFOGADOS DA INGAZEIRA – 100 ANOS

Dos filhos de afogados num pé de ingazeira
Nasceu um município fortalecido na fé
Sendo retrato neste Sertão
De trabalho, amor e devoção
Fazendo agora 100 anos
Afogados da Ingazeira é homenageado pelas águas
e pelas plantas da caatinga
pelo Sol que nos ilumina e pela noite
onde as estrelas declamam mais de cem, talvez mil poemas
para os Filhos de Afogados da Ingazeira
que não só moram neste chão.

Aos que foram para outras terras
Ou que transmigraram para outras vidas
O inesquecível abraço desse bravo povo
Aos que trabalharam e honraram dias de glória
Centenário é a prova da fé
Da devoção a esse torrão
Que é um dos mais belos na aridez desta terra
De heróis grandes e pequenos que escrevem juntos a história
do Pajeú ao São Francisco
Do Sertão Central ao Agreste
Que transborda no Cais
A história desse povo Que é flor
que também sente dor
Já não estamos mortos num pé de ingazeira
Somos povo, somos fé
Temos identidade
Num rosto alegre ou triste
Centenário neste Sertão
Somos prova de amor à terra
Somos Filhos de Afogados
Afogados da Ingazeira com 100 anos de fundação


Wilson Monteiro


16 Aug

A tua lembrança


Madalena de sonhos incessantes
Fez mostrar o sentido de uma vida
Teu sorriso e humor tão radiantes
Que jamais deixarão ser esquecida
A pessoa que nos ensinou tanto
Fez brotar muito amor e muito encanto
Nesta vida de lutas tão reais
És mulher que o tempo não apaga
Tua imagem de mãe tão dedicada
Os teus filhos não esquecerão jamais.

Os teus netos saúdam a memória
Dos teus dias vividos neste mundo
Nos deixaste um vazio tão profundo
Pois hoje, é com Deus que você mora
Um exemplo de vida, uma senhora
Que lutou até o fim por viver mais
Presenciou os momentos principais
E abençoou os bisnetos ficaram
Os amigos do peito que te amaram
Com saudades desejam tua paz!

Luana Marie
Afogados da Ingazeira, 23 de janeiro de 2011

Tudo posso Naquele que me fortalece

Ano passado escrevi uma carta de Natal. Nela, dizia todas as dores que eu chorava e todas as ânsias e silêncios que eu tinha; o papel opaco dizia o quanto ainda faltavam cores em meus dias… O soluço da minha garganta fomentava dizer ao mundo o medo que eu sentia e a angústia que fazia com que eu vivesse insegura num mundo de tantos “por quês”.

A frieza daquela noite de Natal tocou e entrou dentro em meu peito que estava como se fosse uma porta aberta a tantas outras experiências que eu ainda não tinha vivido, mas estas ainda obscuras, pois eu ainda não sabia como e quando seriam. Sentia um calafrio imenso na espinha, além de minha garganta seca; as lágrimas molhavam a minha face, ao mesmo tempo eu suava frio e escrevia sobre tudo o que saía de mim naquele momento…
Eu precisava entender o meu eu para saber o que acontecia naquela noite… Desacreditei em todas as crenças que as pessoas cultuavam naquele momento, e o pedido de Natal que fiz a Deus foi que Ele pudesse mudar toda aquela minha realidade de estilhaços espalhados pelos cantos do meu quarto; seria a minha alma de vidro que estava prestes a se quebrar.

Procurei saber, através do silêncio das noites que passei sem dormir, qual seria o caminho para a felicidade ou pelo menos para aliviar a alma. Pensei que os meus pesadelos pudessem me responder algumas perguntas sobre os meus medos, porém as interrogações ficavam divididas entre saber ou não querer acreditar.
Procurei segredos dentro de mim, aqueles que dormiam há muito tempo, porém, quando me debrucei sobre eles, a única coisa que encontrei foram os resquícios da minha sensibilidade em guardá-los para mim e quando me dei conta eu estava deixando de viver a minha realidade para procurar um futuro que eu nem sabia se viria.

O tempo passou, envelheci mais um ano, sorri em frente ao espelho nas vésperas do meu aniversário, e jurei para mim mesma que iria conseguir me superar. Soltei os meus cabelos e fui à luta para encarar os desafios. A cada susto que passei naqueles dias decisivos pude tirar a conclusão de que não era acaso, era Deus!

Descobri aí que a vida não pertence a quem tem sorte e sim a quem tem fé e bom caráter. Abracei os meus antigos sonhos, dividi aquela emoção que me invadia, embora ainda sem conseguir acreditar em tamanha felicidade por enxergar o meu eu, até porque nada perdura por toda a vida. Porém, aprendi uma coisa: tudo passa, mas quando se batalha pra conseguir vencer uma luta, as marcas e o gosto da guerra vitoriosa perduram, sim, até o fim dos nossos dias.

Obrigada Senhor!

Luana Marie
Afogados da Ingazeira, dezembro de 2010

Ser tão Sertão

O sertão que eu tenho em minha mente // Tem mais luz, tem mais vida e tem mais flores
Que se fazem juntar com suas cores // As centenas de aspectos diferentes.
Nordestino de faces inocentes // Se emociona ao recitar a poesia
Que se funda ao sentimento de utopia // De quem vive no “batente” com ardor
Trabalhando com a garra e o vigor // Para ser defensor da sua gente.

Hoje o sol que raiou foi mais brilhante // Porque eu vi o canto do passarinho
Ao levar a comida pro seu ninho // Esta cena pra mim foi fascinante
Pois ao ver eu mudei o meu semblante // Rabisquei no juízo um verso escrito
O nordeste faz valer o nosso grito // Pra pedir liberdade e mais fartura
Defender nosso povo com bravura // Esse povo que é tão esquecido!

Luana Marie
Afogados da Ingazeira, novembro de 2010

Você em minha vida
(À João Paulo Queiroz de Brito, o meu grande amor)

Resolvi dedicar-te estes meus versos
Que é pra ver se as rimas me acalmam
Quando falo de ti eles me falam
Da saudade que eu tenho de estar perto
Do teu rosto, do teu corpo, teu afeto
Porque é dele que o meu corpo se sustenta
Enfraqueço toda vez que ele se ausenta
Não consigo mais ficar longe de ti
Tua metade é a metade de mim
Vem pra perto que você me acalenta.

Do teu amor: Luana Marie
Afogados da Ingazeira, junho de 2010

Tua ternura…
(Para minha mãe Valdenora)

Acalenta-me com as tuas mãos serenas / Mesmo que eu não seja mais criança
Eu não tiro nunca da minha lembrança / Os momentos quando eu era tão pequena
Meu espelho é a tua voz suprema / Quando chega para me aconselhar
E me mostra os passos pr’eu trilhar / Como se eu não tivesse ainda crescido
Nunca vi um amor nem parecido / Como o de uma mãe que sabe amar.

MÃE! És tão maravilhosa para mim / Que não sei nem como te agradecer
Eu só sei te dizer que quero ser / Sempre uma boa filha para ti
Quando precisar, estou sempre aqui / Pra te dar meu apoio e minha mão
Estarei sempre no seu coração / Pra que assim não se canse de lembrar
Que Jesus sempre vai te abençoar / E estarei do teu lado até o fim

Sei que tu já sofreste até demais / Pra criar nesta vida os teus três filhos
Encontraste no caminho empecilho / Mas com eles nunca te desanimastes
Sei o quanto nos carregar tu te cansaste / Pra poder não soltar nenhum no mundo
Muito menos criar filho vagabundo / Tua parte, nós sabemos que fizestes
Vida eterna nós sabemos que mereces / Pois tu és a melhor mãe deste mundo.

Luana Marie
Afogados da Ingazeira, PE – 24 de Novembro de 2009

Cultura: a essência da nossa região

A batalha do povo nordestino, / Faz a gente sentir-se ainda mais forte,
Leva o nome desse povo que tem porte, / De trazer pra si mesmo o seu destino.                 
Desde cedo o futuro de um menino / Que andava de “apercata” no terreiro                  
E brincava de “bila” o tempo inteiro /  Se transforma num poeta cantador                     
Ou quem sabe de um livro, o autor                     

Vou juntando as palavras e dizendo / Que nasci em São José do Egito,                        
Onde o povo faz poema e faz bonito / E também cria verso usando “mote”.                  
De nascer com o dom e harmonia / Estou sempre buscando sintonia                        
Pra expressar o que sinto e o que sou / O meu Deus foi quem me presenteou                
Com esse amor que eu tenho a poesia                

E seguindo por essa região, / Vou lembrando as coisas que mais amo:                     
Da cultura, do verso, do encanto / Desse povo que faz nosso sertão                                           
Que também ama a religião, / Traduzindo pra nós uma vitória,
Fica cravada aqui a trajetória / D’um povo que não deixa esmorecer
Faz a vida de novo renascer, / Pra deixar mais acesa a nossa história.

Afogados da Ingazeira nos revela / A beleza de um povo acolhedor,
Uma terra que é vista com amor / E alegria que nunca sai de tela,
São “Cem Anos” de uma cidade bela, / Nossa linda princesa do sertão
Que nos faz perceber com emoção / Que quem vive aqui nunca se esquece
Que Afogados da Ingazeira, ela merece / Que nos traz essa honra de guerreiro.                
Que a amemos de todo coração.

Não podendo esquecer-se de ressaltar / Meio século de Rádio Pajeú
Transmitindo o saber de norte a sul, / Pra o ouvinte ouvir e confiar.
Para minha alegria e minha sorte / Tanta coisa pra gente relembrar 
Nesses Cinqüenta anos de sucesso, / Eu desejo mais vida e mais gestos   
Que nos façam brotar no coração / Pr’esta rádio que traz tanta emoção     
Tenha muito mais anos de progresso!

Luana Marie
Afogados da Ingazeira, 16 de outubro de 2009

Ser Mulher
 
És tão meiga como um mar de esplendores
És tão linda como as pétalas de uma rosa
Irradias como os raios multicores
Que se expandem de forma grandiosa
 
Te pareces como um pássaro colibri
Que enfeita até as flores mais belas
Mas tu és até mais linda que elas
Principalmente quando os teus lábios sorriem
 
Te pareces com uma tela de pintura
Transformada em uma linda escultura
Que se entende como uma obra de arte
 
MULHER, tu és uma paisagem
Transformada em uma linda miragem
A qual foi tu mesma que pintastes!

Luana Marie
Afogados da Ingazeira, 8 de março de 2007

Te querendo num sonho

Ontem fui dormir, já era tarde
Não consegui parar de em ti pensar
Meu coração de fervura sempre arde
Na loucura de um dia te beijar
E sonhando eu ou me lamentando
Te querendo num pensamento meu
Na tristeza de não te ter comigo
Pra provar de um lindo beijo teu

Percebi que perdi os meus sentidos
Não ouvia, não falava e nem olhava
Mas minha boca ainda te beijava
E num gesto você ficou sorrindo
Acordei, pois estava só dormindo
Se restou algo, foi meu coração
Tudo isso não passou de uma ilusão
Para alguém que queria o amor seu
Na loucura de sonhar com um beijo teu
Me afogo num mar de uma paixão.

Luana Marie
São José do Egito, fevereiro de 2004.


10 Aug

CÉU ESTRELADO – O cobertor da noite

Quando na ausência da luz do dia, a noite foi chegando sem pressa, tentei fugir, esconder-me de algo que denunciava o meu ato libertino.

O céu acordando aos poucos, com um sorriso preguiçoso, olhos semi-serrados, deixando as estrelas aos poucos darem suas caras, olhava pra mim como quem dizia: eu sei.

Eu, réu culpado,não tinha como mentir, provas convictas estavam em cena, logo no exato momento em que se encontrava eu e o amante unificando o sabor da carne, olhei nos olhos das estrelas e senti o ardor e o frio da madrugada cheia de sussurros e carícias.

Culpada! Soube disso nesse momento e apreciei sentir o gosto do pecado sem temor.

O decifrar da loucura, o sabor, a pele ressacada.

O que seria a coisa senão meus pensamentos que cochichavam nos meus ouvidos quando eu tentava escapar daquele corpo que já alheio ainda me tocava.

E tentando apagar aquele drama, pincelei a tela tentando mudar a paisagem, no entanto, a tinta dos meus conflitos tornava-se incolor diante do cesto de frutas maduras do pomar

O gosto ainda me deixa com água na boca.

Chuva que cai e alimenta as flores que sentem fome.

O SILÊNCIO DA NOITE É QUE TEM SIDO
TESTEMUNHA DAS MINHAS AMARGURAS

No cenário desbotado do meu quarto / Pela janela a luz da lua, ilumina
A presença da alma feminina / Com os restos de beijos e abraços,
A camisa esquecida deixa os traços / Da lembrança que passa desprezada,
Um pedaço de coisa já passada / Do amante que ha muito tem partido,
O silêncio da noite é que tem sido / Testemunha das minhas amarguras

Pelas ruas eu já perambulei / Procurando a resposta da tristeza,
Mas o que encontrei foi a frieza / Da verdade esmagando um sentimento,
Enrolei-me no lençol do sofrimento / Só por causa da tua ingratidão,
Mas se hoje implorasse o meu perdão / Eu chorando aceitava o teu pedido,
O silêncio da noite é que tem sido / Testemunha das minhas amarguras

Sou agora uma amante esquecida / Parecendo um cadáver sem ter dono,
Minha alma já entregue ao abandono / Esqueceu-se do meu corpo e foi embora,
Mas a dor que meu peito tem agora / Só me lembra aquele que partiu,
Sem nenhuma piedade me feriu / Fazendo-me perder todo o sentido,
O silêncio da noite é que tem sido / Testemunha das minhas amarguras

Sou um vulto açoitado pela noite / Solidão que habita a madrugada,
Um mendigo deitado na calçada / Com os olhos de quem não tem comida,
Sou saudade de coisa já perdida / Só um feto doado ao abandono,
Sou um cão que se perdeu do dono / Sou as rugas de um velho esquecido,
O silêncio da noite é que tem sido / Testemunha das minhas amarguras.

Izabel Goveia, poetisa afogadense


4 Aug

Estradas do Pajeú

Quando vejo os lamentos do povo do Pajeú e a cara das estradas, fico “um tanto quanto envergonhado” de ter votado em Eduardo Campos, que faz de maneira geral, uma boa administração, com desempenho que pode projetá-lo nacionalmente. Mas, parece que se esqueceu do Pajeú, celeiro da poesia e de tantos outros grandes valores. Pedindo permissão a alguns mestres da poesia que já fizeram alguns apelos e pedidos poéticos ao governador de Pernambuco. Peço que me deixem agora, sem ter conhecimento de métrica e de poesia como eles, fazer um desabafo em verso. Segue “Meu Governador”:

Ninguém ajeita a Estrada / Nem o deus da poesia / Nem promessa de beata / Nem açoite de chibata / Nem a própria rebeldia / Nem a força da alquimia / Nem assim foi eficaz / Ninguém mais sabe o que faz / De nada adianta nada / Ninguém ajeita a estrada / Nem o neto de Arraes

Nem o voto foi capaz / Nem a “politicaiada” / Ninguém dá jeito na estrada / Nem no neto de Arraes / Voto dado é voto jaz / Não desfaz está sem jeito / Se não foi dado direito / Só resta a decepção / E uns buracos no chão / Mostrando a cara do eleito

Hélio Ferreira)
Petrolina-PE, 17/07/2011


Ação insana de uma mente parida doente…

É claro que a chacina, assim como outras em outros lugares do mundo e aqui no Brasil, partiu de uma ação insana, de uma mente parida doente, mas piorada pela sociedade. A nossa frágil estrutura educacional e de saúde não foi capaz de “separá-la” com objetivo de tratá-la em condições especiais.

Mas, no meio de tanta dor, não passou despercebido o amarelo desbotado e cheio de “manchas” da cara daquela escola pública do Rio de Janeiro. Tasso da Silveira! Semelhante a tantas outras no Brasil. Para se ter uma ideia de como se trata o futuro do Brasil, comparem-na com a cara dos bancos de cara verde dólares, de caras encarnadas e outros de amarelos brilhantes dourados!

Porque será que as escolas são assim? Será que lá dentro não guardam valores?

Vocês ouviram os depoimentos do prefeito do Rio, do governador e das autoridades envolvidas? Quem viu a presidenta Dilma ir às lágrimas? Todos com caras desbotadas e sem palavras para explicar o fato! Todos, hipoteticamente, impotentes!

Mas, há o que fazer sem sombra de dúvida! Porém, nenhum deles defendeu transformar o ambiente educacional brasileiro, a escola, em local “sagrado”. Ventre de criação dos valores de um povo, de uma sociedade.

Há pouco tempo a escola servia como complemento da educação familiar, dos pais. Mas hoje, pela degradação da estrutura familiar e da própria sociedade, isso se inverteu. A escola passou a ser na maioria dos casos o primeiro nível educador dos filhos do Brasil e há casos mais graves ainda, com a ausência física ou não dos pais, se transforma em único ambiente educador. Ou seja, são os professores, profissionais pacientes, que recebem nas salas de aula, toda essa carga de problemas sociais.
Além de repassar conhecimento, tem “involuntariamente” a responsabilidade de serem os pais e as mães de tantos filhos órfãos de carinho, de amor e de educação básica que antigamente era atribuída à escola familiar. Passaram a ser também psicólogos, juízes e etc.
Enquanto tantos profissionais e políticos, que desempenham papéis menos importantes, recebem excelentes salários, sangrando os cofres públicos, estes profissionais, formadores de cidadãos, têm que enfrentar alguns governadores que teimam em não pagar o piso salarial (mísero mil e poucos reais, que é nada em relação à missão que eles têm) aprovado recentemente.

Os valores estão invertidos! Se a sociedade não começar a defender as causas justas teremos filhos cada vez mais piorados!

Temos que nos aliar a causa dos professores! O povo (eleitor) tem que se manifestar contra esses governantes que teimarem em não pagar o piso nacional dos professores. Um profissional, também desestruturado, não vai conseguir sustentar todos os problemas que se concentram numa sala de aula.

Fora aos governantes sem visão! Sem educação! Que eles tirem recursos de outros setores e façam o que deve ser feito, antes tarde do que nunca!

Hélio Ferreira
Petrolina, 23 de março de 2011

Dona Lalú

Sempre acesso este recanto genial de um afogadense que se orgulha da sua terra e da história da sua gente, para ler as notícias e continuar, mesmo longe, por dentro das notícias dessa cidade e da sua gente hospitaleira e amiga.
Mas vejo somente agora que no dia 21.03.2011 “desencarnou” D. Lalú. Minha amiga, que muitas vezes me visitou na CAIXA com a gentileza idosa e maravilhosa de quem se apresenta sempre com um sorriso firme e amigo.

Sei que Deus dará uma rua bonita e um banco de praça para que ela possa enfeitar e alegrar com as suas cores e seus vestidos floridos, como fez aqui, a vida nos céus!

Irmã de lábio encarnado
De aço e sorriso assú
De flores desencarnadas
De cactos, de lótus, Lalú
Sem as cores vivas do vestido
Ficou triste o pajeú

Abraço fraterno nos familiares!

Hélio Ferreira
Petrolina, 23 de março de 2011

FHC, olhe bem pra você!

A Folha de SP noticiou o desafio em forma de bravatas: FHC chama LULA para um cara-a-cara. E precisa? Ele quer mostrar para LULA que o sucesso atual foi herança do governo dele. Como é que pode um negócio desses? E o presidente Lula virou MIDAS foi?

Não precisa LULA para encará-lo, mister FHC, com meia dúzia de palavras, qualquer simples trabalhador deste país faz isso sem “titubear”. Nos seus 08 (oito) anos de governo a classe trabalhadora teve o maior arrocho salarial da história; o salário mínimo não ultrapassou os 80 dólares; não havia investimentos públicos, nem privados; não havia investimentos na área de educação, segurança e saúde.

Mas, o Brasil de Lula, caro FHC, só aqui do meu lado, na cidade de Petrolina – sertão pernambucano – criou a UNIVASF – Univ Federal com vários cursos, inclusive de medicina, além de várias extensões e muitas escolas técnicas em todo o Brasil. Aqui em Pernambuco, no sertão temos várias. Posso testemunhar mais de 06 (seis) escolas técnicas. Além das obras de transposição do São Francisco e da ferrovia Transnordestina, que gera milhares de empregos.
Em todo o Brasil houve o aumento significativo no nível de emprego; pagamento da dívida externa; construção de milhões de moradias para todas as classes, principalmente a criação do subsídio habitacional para proporcionar moradia digna a milhões de brasileiros. E ainda o incentivo constante ao crédito pessoal e ao financiamento habitacional. Ora mister FHC, até digo que não precisas de ninguém para encará-lo, só precisa revirar os anais do seu tempo. A história se não houver “babões de plantão” fará isso por qualquer um de nós, vai encará-lo pra dizer que o senhor deixou o Brasil no chão, dívida externa, zero de reservas (no popular liso), vivia aos pés dos “agiotas externos”.

Há mazelas na administração pública? Claro que sim, e em todas as esferas. Corrupção? Também. No seu governo, com o grande aliado PMDB, que hoje é criticado por estar ao lado de Lula, houve várias denúncias de corrupção, a grande maioria jogada embaixo do tapete. Conte-nos como foi o sucesso da aprovação da sua reeleição?

E o PROER foi para salvar quais bancos e de quem? Quais grupos foram favorecidos e de que forma nas suas privatizações? E o que foi que o Senhor fez com todos os bilhões de dólares resultantes da venda do nosso patrimônio? Pois é, como é que você vem com a “cínica coragem” de posar de grande benfeitor, de dizer que o gigantismo de LULA está no continuísmo do vosso governo.

Pensas que não temos memória, mister FHC? Ou, além de chamar os aposentados de “vagabundos”, acaso chamas o povo de burro? Há muita diferença do vosso, se é que pudemos chamar governo, para o do presidente LULA.

FHC, Olhe bem nos meus olhos, olhe bem pra você!

Hélio Ferreira
Salgueiro/PE, 17 de outubro de 2010

PERNAMBUCANAÇÃO

Bandeiras são versos de Manuel // Olinda é o hino de Alceu Valença
Ter o dom de Hélder é ter a crença // Ver o fogo encantado no cordel
Têm forrós nos sertões de Maciel // No Dominguinhos danço um baião
A voz sai na sanfona de Gonzagão // No Exu de gonzagas tem Chiquinha
No xote quente de Gonzaguinha // Nosso estado é PERNAMBUNAÇÃO

Os azuis são de Carlos Pena Filho // Bubuskando pelos mares da poesia
Raimundo encarreirando a fantasia // Desce do sertão vem pelo trilho
No pajeú três Batistas no trocadilho // E João Paraibano desafia Sebastião
No repente Dió faz transformação // Vilanova novamente vira e revira
No passeio de Mocinha de passira // Nosso estado é PERNAMBUCANAÇÃO

Meu rio Chico passa e cai no mar // O velho novo vem mostrar o que é beleza
Na barcarola na força da correnteza // Traz a suíte que nasceu no Jatobá
Na voz mansa de Geraldo pra cantar // E tem Cabral que se descobriu João
Escrevendo mata agreste e sertão // Gilberto é casa grande e é senzala
No terraço, no terreiro e na sala // Nosso estado é PERNAMUBUCANAÇÃO

Rei Reginaldo cantando a cuna // Nando Cordel é forró e é frevança
Selma do Coco no coco ela dança // Ariano lá do alto é um suassuna
Do Altinho Jorge canta o rio uma // Zezito Doceiro botou doce na canção
Limão com Mel é o mel e o limão // Ares e palmas na alma de Ascenso Ferreira
Com Quinteto Violado de primeira // Nosso estado é PERNAMBUCANAÇÃO

Jandhuir vem na feira de Caruaru // Reza a missa em missão vaqueira
Da mata norte surge lança guerreira // Na ponta do verso do Mestre Salu
Na ponta do pé traz o seu maracatu // Vem o matuto balançar a multidão
Talhando a serra no forró de Assisão // O cabra que é Pernambuco da gema
Quando Aciolly Netto have o poema // Nosso estado é PERNAMBUCANAÇÃO

Hélio Ferreira
Carpina/PE, 19 de maio de 2008

Não pode faltar…
NA FESTA DO CENTENÁRIO DE AFOGADOS DA INGAZEIRA

Na festa do centenário / Não podem faltar as poesias
E o canto de feliz aniversário / Na viola de Sebastião Dias

Não falte também o imaginário / Do poeta Dió em primazias
Com seu parceiro adversário / Tirando uns versos nas cantorias

Não falte o João Paraibano / Que é assim de verso Açú
Ele é um poeta sobre-humano / Que enobrece o pajeú

Tem que retratar no pano / Nas cores rubras do mulungú
Tem que homenagear no plano / Num belo retrato de Dona Lalú

Na festa não pode faltar / Cancão e o amigo Ciço Migué
Dica e Tida, Zé Pereira e Josemar / Não falte o grande amigo Zé

Não falte Dimas e Heleno do Bar / Nem falte Lívia e o amigo Wagner
Pra festa se abrilhantar / Não falte Ari e Zeza sua mulher

Pra essa festa ser grandiosa / Tem que ter presença de AMAI
Com Elymar, Dom Celso e Josa / Com Marcos e Finfa, Netinho vai

Pra uma festa bem calorosa / Com a razão do amor do Pai
Com a benção da mãe carinhosa / Até Dom Pepeu de casa sai

Pra ser de Vera e Alexandre Moraes / Não falte a beleza de um par
Não falte o amor dos casais / Não falte Marines e Dimas do Bar

Pra não esquecer jamais / Nill Júnior na rádio vai divulgar
Para a festa ficar nos anais / Tem o seu blog pra publicar

Tem que ter forró na praça / Não voz de Maciel Melo
Tem que ter pitú de graça / Para o povo gastar chinelo

Com bico de pão e cachaça / Pra preto, branco e amarelo
Para brindar a alegria na taça / Não falte o poeta Paulo Rabelo

Não pode faltar o “Lindão” / Pra cidade sentir fraternidade
Que nunca falta ao seu irmão / E nunca perdeu uma amizade

Enfim se espalhe confraternização / Não falte paz, amor e felicidade
E não falte o povo da região / Para louvar feliz cidade.

Hélio Ferreira
Carpina/PE, 1º de maio de 2009

…Soneto a pedido, recitado por Kledja Marabuco, para reconhecer o trabalho de vários companheiros da CAIXA que trabalharam por dias e noites, sem medidas, para vários projetos de construção de casas populares no interior pernambucano (Agreste, sertão, zona da mata norte e sul), em evento no Recife/PE com participação da presidenta da CAIXA Maria Fernanda Coelho! Muitos deles pensam que só fizeram casas, e aí, enganam-se, eles construíram sorrisos, etc.!

SONETO DE RECONHECIMENTO (Para reconhecer-se)
Aos companheiros da CAIXA que construíram sorrisos.

Se ainda não tens a exata noção
Veja na mata sul, veja no agreste
Veja o significado da tua realização
São lares e moradias o que fizeste

Nos campos do nosso centro-oeste
Tem casa que se levanta do chão
Com braços de um novo nordeste
Na mata norte e no nosso sertão

Se não se vês nessas moradias
Sinta o que sente a telha do telhado
Abrigando mães com as suas crias

Se não sabes ainda o teu significado
Na sinceridade das noites frias
Sinta o frio na pele de um abandonado.

Hélio Ferreira


29 Jul

EU SOU O QUE NINGUÉM VÊ


Sou a casa em que nasci e que um bom tempo vivi. Sou o quarto compartilhado, com minhas irmãs, eu me lembro. Sou os segredos que delas ouvi, e o segredo que a nenhuma contei…

Eu sou os meus irmãos homens, que me dão segurança e carinho. Sou a saudade do meu pai! Eu sou minha família!…

Eu sou a minha mãe, Guerreira por excelência, mãe por competência, bravura e muita coragem para com Deus compartilhar, dizendo, sim: vou multiplicar. Sou a saudade daquele tempo. Criança ainda, bem pequena, de “CRISTO”, esposa queria ser… Quem sabe, até, réplica de “MADALENA”.

Sou a tristeza de não ter dado certo. Sou o atalho de uma encruzilhada, e hoje, até dou gargalhada por não ter desfeito ali no altar, a dor de não ter dito “não” , mas a alegria de ter dito “sim”, por não ter amputado do meu corpo, da minha “alma”, a doce alegria de ser MÃE! Eu sou a alegria de “ser”. Sou os pelos do braço que eriçam e me excitam. Sou a carência que grita, o afago que permuta. Sou garras afiadas em pontas de dedos que também afagam. Mãos que acariciam. Incitam disfarçadas.

Sou LÁGRIMAS… Sou o desprezo daquilo que prezo. Sou a renúncia de tudo que é prazeroso, mas… SANTA eu não sou, não!… Sou o fogo que me queima, e a água que me apaga. Eu sou tudo que pleiteio. Sou poesia nunca recitada, mas, aplaudida! Sou uma ausência sentida, e uma presença rejeitada. Sou meu próprio paradoxo. Eu sou a minha CRUZ e também meu CIRENEU… Sou aquilo que todos veem. Sou aquilo que ninguém vê… “SOU EU” (Geneci Almeida.

(Afora isso, sou professora, compositora, poetisa, pintora, cozinheira, arrumadeira e tudo que uma mulher pode conciliar no dia a dia.


22 Jul

Fernando Pires

Pernambucano de Afogados da Ingazeira, nasceu em 1951. É filho de Hermenegildo Marinho dos Santos (Minéu) e Erotides Pires dos Santos (Tida).

Iniciou seus estudos nas Escolas Reunidas Dona Anna Melo que à época funcionava no prédio de esquina, ao lado esquerdo do Palácio Episcopal (atual Cúria Diocesana). Depois, no Grupo Escolar Pe. Carlos Cottart, cursou o primário.

Desde criança – por volta de 1962 -, ajudava o seu pai na loja de tecidos de sua propriedade na Praça Domingos Teotônio,51. Em 1963 fez o curso de admissão ao ginásio no pré-seminário de Afogados da Ingazeira (vizinho à antiga Maternidade Emília Câmara). No ano seguinte foi para Pesqueira e, no seminário São José/Colégio Cristo Rei, fez o primeiro ano ginasial. Sentindo falta de vocação para a vida religiosa retornou à sua cidade onde concluiu o primeiro grau em 1966, no Ginásio Cenecista Mons. Pinto de Campos.

Em São Lourenço na Mata-PE, em 1967, fez um teste na Escola Agrícola da UFRPE, onde cursou o 1º ano de Técnico Agrícola. Na capital pernambucana, em 1968, fez o 2º ano científico no CEP- Colégio Estadual de Pernambuco (na Rua da Aurora).

Aos 18 anos, sentido necessidade de trabalhar, e, surgindo uma oportunidade em Maceió-AL na Companhia Brasileira de Armazenamento – CIBRAZÉM , se dirigiu àquela capital, onde desembarcou na noite de 20 de julho de 1969. (Data guardada nítidamente em sua lembrança, pois naquele mesmo dia os tripulantes da nave da Nasa Apollo 11 venceram o maior desafio da guerra fria, a corrida espacial. Entre pioneiros, os astronautas Neil Armstrong e Edwin “Buzz” Aldrin, que foram os primeiros homens a caminhar no solo lunar).

Iniciou a vida profissional trabalhando na CIBRAZEM (1º de agosto de 1969) e na Construtora Silva (05 de abril de 1970), em Maceió, quando se desligou, alguns meses depois, vislumbrando novos desafios.

Em concurso do Banco do Brasil, realizado em Maceió-AL em 1970, foi aprovado, assumindo o posto de Auxiliar de Escrita 050, em Viçosa-AL, em 05 de julho de 1971.

Transferido para Afogados da Ingazeira em agosto de 1972, trabalhou naquela agência até os primeiros dias de março de 1996, quando foi removido para o Recife. Nesse ínterim -1975 -, foi adido nas agências de Princesa Isabel-PB e Rio Branco-AC.

Na capital pernambucana trabalhou nas agências Boa Viagem (Barão de Souza Leão) e Rua da Hora, se aposentando ao final de 2004. Passou quase 34 anos no Banco do Brasil.

Em 1997, estabelecido no Recife, criou uma página na internet dedicada à terra natal.

Produziu  o CD-ROM Afogados da Ingazeira “Sua História – em 2002; e o livro Afogados da Ingazeira “Memórias” que esmiúça a história da cidade e região, em 273 páginas, no ano de 2004.

Em 2006 produziu o DVD Memórias do Esporte em Afogados da Ingazeira, que retrata os atletas e clubes desde o distante ano de 1930 onde incluiu entrevistas com 5 atletas da época.

É um amante do resgate da história de tudo que se relaciona com sua Afogados da Ingazeira.

No momento está revisando o livro Afogados da Ingazeira “Memórias”, com a possibilidade de oferecer mais informações aos conterrâneos e amigos da sua cidade sertaneja.

Publicações:

Afogados da Ingazeira “Memórias” – Livro

Publicações eletrônicas:
Afogados da Ingazeira “Sua História” – CD-ROM
Passeio em Afogados da Ingazeira – DVD
Memórias do Esporte em Afogados da Ingazeira – DVD
Grito de Alerta – DVD
Waldecy Xavier de Menezes – Entrevista – DVD
Letícia de Campos Góes – Entrevista – DVD

E, mais de 20 outras entrevistas com personagens afogadenses, em DVD


15 Jul

Diomedes Laurindo de Lima

Conhecido como Diomedes Mariano, o DIÓ é poeta, repentista, embolador (amador), declamador, escritor, humanista e cidadão brasileiro. Filho de José Antonio Laurindo (em memória) e Maria José Laurindo de Lima, nasceu em 19 de fevereiro de 1964 no sítio Barra-Solidão/PE.

Inspirado nos folhetos de cordel que seu pai comprava nas feiras e sua mãe lia para ele e seus irmãos, ouvindo programas de cantoria nas rádios Pajeú de Afogados da Ingazeira, Rural de Caicó-RN, Espinhara de Patos-PB e outras mais, descobriu seu talento para recitar e fazer versos aos oito anos de idade.

Residiu na zona rural até os dez anos, onde dividia seu tempo entre os afazeres da roça e os estudos, vindo a concluir o primário na Escola Luiz Carolino de Siqueira com a professora Virgínia Oliveira.

Pouco tempo depois, mudou-se para Afogados da Ingazeira, onde reside até os dias atuais.
Desde então encantava a todos com seus versos improvisados. Já na fase adulta participou de mais de 60 Festivais de Violeiros, conquistando premiação em todos eles.
Como declamador esteve presente em inúmeros recitais, em várias cidades do nordeste como Petrolina, Campina Grande, João Pessoa, Teresina, Recife, Caruaru, Arcoverde e Maceió. Com o seu talento obteve grande destaque nos festivais de Brasília e São Paulo.

Diomedes também cantou com poetas famosos como Ivanildo Vila Nova, João Paraibano, Sebastião Dias, Sebastião da Silva, Moacir Laurentino, Geraldo Amâncio, Diniz Vitorino, Severino Feitosa, Valdir Teles, Zé Viola, Os Nonatos e outros gênios da cantoria.

O Poeta divide seu tempo entre suas cantorias e seus afazeres de comerciante, trabalhando no “Borbão” há quase 30 anos, loja que faz parte de sua história. Por curtos períodos trabalhou, também, numa churrascaria de Helvécio Mariano, na Praça Mons. Arruda Câmara e no Escritório de Contabilidade de João Mariano, seus tios.

Em Afogados da Ingazeira cursou o ginasial e o 2º grau no Ginásio Mons. Pinto de Campos, tendo como diretor o sr. Luiz Alves dos Santos. Essa, única escola onde estudou desde que foi pra cidade, e onde concluiu seus estudos.

Esse multi artista tem dois CDs gravados. O primeiro em parceria com João Paraibano, intitulado “Esse é o sertão cantado por quem melhor lhe conhece”. O outro, com Sebastião Dias, “Violeiros do Pajeú”.

Teve participação, também, em inúmeros CDs e DVDs de Festivais de Cantoria com diversos artistas. Ressaltamos, também, trabalhos gravados por nomes expressivos da Cantoria como Ivanildo Vila Nova, João Paraibano, Edezel Pereira, Valdir Teles, Raimundo Caetano, Val Patriota e Delmiro Barros, entre outros.

Filosofia de Vida

“Andar sempre de cabeça erguida para não tropeçar nos obstáculos da própria sombra”

O Coreto da Pracinha

Muita gente recorda que havia, / No coreto cantado em prosa e verso, / Um ilustre celeiro, um universo, / De pessoas dotadas de alegria, / JÚLIO BOY, BEL NAZÁRIO, que hoje em dia, / Já habitam nos planos divinais, / Um ANTÔNIO MARTINS que ainda faz, / Uso de uma cadeira que lá tinha, / Só restou no Coreto da Pracinha, / a Cadeira de Ferro e nada mais

A cadeira de ferro foi assento, / Pra LULU e PIROCA de seu NÉ, / Para ANTÔNIO LALAU, que hoje é, / Inquilino de Deus no firmamento, / Para NÊGO o poeta cem por cento, / Declamando seus versos imorais, / ALMIR PIRES, na época um bom rapaz, / SÍLVIO CRUZ, TADEUZÃO, IVO E BOMBINHA, / Só restou no Coreto da Pracinha, / a Cadeira de Ferro e nada mais.

CLÓVIS e CARLOS de DÓIA, a dupla ia, / Todo dia ao coreto dar plantão, / Com AÍLTON e OSVALDO de SIMÃO, / Outra dupla da mesma parceria, / Seu MANOEL, dono da barbearia, / Atendia os clientes principais, / GENI dono do bar vendia aos quais, / Serra Grande, Alcatrão, Brahma e Sardinha, / Só restou no Coreto da Pracinha, / a Cadeira de Ferro e nada mais.

Todo fim de dezembro era o lugar, / Preferido dos grandes dançarinos, / No forró embalado onde os meninos, / Iam todos dispostos a dançar, / Senhor HERMES, no seu primeiro andar, / Contratava atrações para os casais, / Nesse tempo LUÍS era rapaz, / E ZÉ de HERMES mais novo que LOURDINHA, / Só restou no Coreto da Pracinha, / a Cadeira de Ferro e nada mais.

Como tudo na vida leva fim, / O “coreto” se foi nessa enxurrada, / Resta só a cadeira preservada, / Por ANTÔNIO MARTINS que disse a mim, / Podem vir com Ouro, com Marfim, / Com Topázio, Brilhante ou com Reais, / Que não troca e também não se desfaz, / Não tem nada que compre a cadeirinha, / Só restou no Coreto da Pracinha, / a Cadeira de Ferro e nada mais.

O Coreto passou mas sua história, / Não passou nem tampouco passará, / E a cadeira, este marco ficará, / Como peça sublime exposta a glória, / Como toda existência é transitória, / De madeiras, cerâmicas e metais, / Ficará a cadeira nos anais, / De quem sabe a importância que ela tinha, / Só restou no Coreto da Pracinha, / a Cadeira de Ferro e nada mais.

Hoje resta a saudade traiçoeira, / Que ataca, destrói, que dilacera, / Perturbando o senhor LULU PANTERA, / ZÉ de GÓES, TOTA FLOR, CHICO VIEIRA, / Quem fez uso excessivo da cadeira, / Nas diversas manhãs dominicais, / Ao lembrar do passado se desfaz, / Ante a dor da saudade que espezinha, / Só restou no Coreto da Pracinha, / a Cadeira de Ferro e nada mais.

Diomedes Mariano
Afogados da Ingazeira-PE, 25/01/2011

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Rádio Pajeú – 51 anos de existência

Parabéns PAJEÚ, rádio querida,

Por cinquenta e um anos de existência,

Liderando as pesquisas de audiência,

Como sendo de fato a mais ouvida.

Por Dom Mota esta rádio foi trazida,

Já sabendo que vinha pra ficar,

Desde a hora que ela entrou no ar,

Até hoje estamos festejando,

Que ela vem instruindo e educando,

Divulgando a Cultura Popular.

Quatro horas em plena madrugada,

Nossa rádio se acorda sonolenta,

Mas ao som do forró a rádio esquenta,

Acordando o Sertão sem cobrar nada,

Em seguida mantém sempre informada,

Sua extensa e atual programação,

O orgulho maior para o Sertão,

Que já se acostumou a  desfrutar,

De uma Rádio católica, popular,

A serviço da nossa região.

Parabéns para rádio e pra quem faz,

Esta programação imorredoura,

Para todos que fazem a emissora,

Que de fato são profissionais,

Quanta coisa deixada para trás,

Por heróis que aqui se efetivaram,

Deram muito de si, mas se mudaram,

A convite de Cristo ao céu subiram,

Nosso imenso obrigado aos que partiram,

Nosso abraço fraterno aos que ficaram!

Diomedes Mariano
Afogados da Ingazeira-PE, 2010

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Aventuras

Fui bastante sincero com você, // Dei um pouco de crédito às suas juras, // Nosso tempo foi curto, mas rendeu, // Atrações, sensações, ânsias, loucuras, // Apesar dos receios e temores, // Como dois estreantes amadores, // Tendo medo das próprias aventuras.

O bulício da brisa nos lençóis, // O espelho do sol nos azulejos, // Os impulsos dos tensos corações, // Superaram  a muralha dos desejos, // Testemunha dos fatos ocorridos, // A parede guardou nos seus ouvidos, // Os estalos sutis dos nossos beijos.

Nada mais importava além daquilo, // Paz, afeto, carinho e harmonia, // No seu colo macio eu me deitava, // Nos meus braços, você adormecia, // Nossa única intenção era de amar, // Como a água foi feita para o mar, // Fomos feitos pra nós naquele dia.

Nossa estada foi breve, mas foi bela, // Foi vivida com muita intensidade, // Era o dia do fico, mas eu fui, // Obrigado a partir contra vontade, // Sem que um pouco de graça visse em nada, // Como abelha sem favo, embriagada, // Nos resíduos do cálice da saudade.

Deixei marcas de mim pelo seu corpo, // O formato da face no seu seio, // Ao encontro da minha boca úmida // Sua boca faminta também veio, // Ao quebrarmos os recordes da censura, // Onde houver uma história de aventura, // O capítulo da nossa ? está no ?

Quase um sonho, mas foi realidade, // Durou pouco demais, mas deu prazer, //
Você foi, você é, você será // O motivo maior do meu viver, //
Seiva doce, da fruta proibida,// A história de amor por nós vivida, //
Vai ser muito difícil de esquecer.

Diomesde Mariano
Afogados da Ingazeira-PE

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Madalena Vieira Brandão


Quem nunca escutou falar, em BETO DE MADALENA?
a estrela sai de cena, pro descendente ficar,
ZEFINHA, vai lamentar, ZÉ, chorar a orfandade,
em ANTÔNIO, a dor invade, em FÁTIMA, a tristeza é plena,
PRA O CÉU, SE FOI MADALENA, PRA NÓS SÓ RESTA A SAUDADE.

Nossos pêsames a todos os familiares

Diomedes Mariano
Afogados da Ingazeira-PE, 7 de abril de 2010

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Cem Anos de Doutor Hermes


Doutor Hermes faz parte da doutrina, / Que ensina o cristão a ser fiel,
O seu pai foi chamado de Manoel, / Sua mãe se chamou Capitulina,
Conseguiu ingressar na medicina, / E pouco tempo depois de se formar,
Preteriu o Recife pra morar, / No sertão onde o povo o ama tanto,
PARABÉNS DR. HERMES DE SOUZA CANTO,
POR CEM ANOS DE HISTÓRIA PRA CONTAR.

Doutor Hermes podia, mas não quis, / Em Recife exercer a profissão,
Escolheu um recanto do sertão, / Pra poder abrigar-se e ser feliz,
De diploma na mão, a história diz, / Trinta e oito era o ano, eu vou lembrar,
Em Tabira chegou pra trabalhar, / Quando ainda chamava-se Espírito Santo,
PARABÉNS DR. HERMES DE SOUZA CANTO,
POR CEM ANOS DE HISTÓRIA PRA CONTAR.

Por ali enfrentou sol e poeira, / Mas a força do homem ninguém mede,
Só três anos depois veio pra sede, / A querida Afogados da Ingazeira,
Esta mesma cidade hospitaleira, / Com uns tempos, passou a governar,
Atendeu o chamado popular, / Seu mandato seu deu com grande encanto,
PARABÉNS DR. HERMES DE SOUZA CANTO,
POR CEM ANOS DE HISTÓRIA PRA CONTAR.

Fixou residência na terrinha, / Adotou o sertão pernambucano,
Pai de Vânia, Hermes Júnior e Luciano, / E o esposo de Dona Terezinha,
Cidadão de postura, homem de linha, / Nunca foi um cristão de se negar,
Seus favores por tudo que é lugar, / São lembrados por nós, por todo canto,
PARABÉNS DR. HERMES DE SOUZA CANTO,
POR CEM ANOS DE HISTÓRIA PRA CONTAR.

Do político, o instinto sonhador, / Do cristão, a postura e a grandeza,
Como chefe da prole, uma certeza, / O marido fiel, bom genitor,
Qualidade sublime no doutor, / Que atendeu tanta gente sem cobrar,
Pondo Deus, no seu jeito de curar, / Tendo fé no divino Espírito Santo,
PARABÉNS DR. HERMES DE SOUZA CANTO,
POR CEM ANOS DE HISTÓRIA PRA CONTAR.

Neste dia em que ele completou, / De janeiros vividos, uma centena,
A família irmanada entrou em cena, / Pra brindar a centena que chegou,
Luciano não veio, mas mandou, / Uma estrela divina lhe guiar,
Afogados se uniu pra lhe abraçar, / E eu me encontro feliz do mesmo tanto,
PARABÉNS DR. HERMES DE SOUZA CANTO,
POR CEM ANOS DE HISTÓRIA PRA CONTAR.

Diomedes Mariano


9 Jul

A Buraqueira Nas Estradas do Nosso Sertão

As poesias a seguir – de autorias diversas – retratando o estado das estradas no nosso sertão e que aflige o nosso povo, foram-nos enviadas pelo poeta Alexandre Morais (foto):

Nosso protesto poético irreverente // Que nem capa de enxu // Ou tábua de pirulito // Tem buraco ao infinito // Nas pistas do Pajeú

Já se vê mais barro cru // Do que asfalto no chão // De pequeno a caminhão // Foi num foi um se arrebenta // Não tem quem puxe sessenta // Nas estradas do sertão. (Alexandre Morais)

Não presta pra São José, // Afogados da Ingazeira, // Serra é uma buraqueira // Que até quem não vê da fé… // Depois de Albuquerque-Né // É que muda a posição. // Mas na nossa região // Ninguém sai da marcha lenta. // Não tem quem puxe sessenta // Nas estradas do sertão. (Dedé Monteiro)

De Arcoverde a Petrolina // A pista é um só buraco // O asfalto parece fraco // Se fura até com neblina // No barro não se aglutina // E nem suporta pressão // Os carros na contramão // A todo instante atormenta // Não tem quem puxe sessenta // Nas estradas do sertão. (Antônio Neto)

Eu moro na Capital // Mas não esqueço Tabira // O meu sertão, minha lira // A minha terra natal // Ao vê-la cresço em astral // Mas fico às vezes na mão // Que a buraqueira do cão // O meu carro não aguenta // Não tem quem puxe sessenta // Nas estradas do sertão. (João Alderney)

Gasta pra mais de uma hora // De “Afogado” a Calumbi, // De Sertânia a Iguaracy // É que a coisa demora: // Se um pneu não vai embora, // Quem se vai é a suspensão… // De Juru a Solidão, // Pra correr só de jumenta… // Não tem quem puxe sessenta // Nas estradas de sertão. (Ademar Rafael)

Como tem buraco à beça, // Não tem chofer que suporte, // Todo dia tem transporte, // Trocando pneu e peça, // Desde São José começa, // Esta peregrinação, // Quando chega no Leitão, // Aí o descaso aumenta, // Não tem quem puxe sessenta // Nas estradas de sertão.

De Sertânia a Afogados, // Daqui pra Serra Talhada, // Na buraqueira danada, // Pneus já foram cortados, // Veículos foram quebrados, // Devido à situação, // Na mão ou na contra mão, // O perigo se apresenta, // Não tem quem puxe sessenta // Nas estradas de sertão. (Diomedes Mariano)

Não tem quem consiga mais // Nas estradas ficar calmo. // Por que têm de palmo em palmo // Buracos quase anormais. // Sem ter asfalto, aliás, // Falta sinalização // E nessa “estrada de chão” // A poeira não assenta // Não tem quem puxe sessenta // Nas estradas do Sertão. (Dudu Morais)

– 28 de julho de 2010

Clique e OUÇA A ENTREVISTA
concedida pelo ex-secretário de Turismo, Cultura e Esportes de Afogados da Ingazeira, ao radialista Nill Jr, na Rádio Pajeú, em 10.06.2009, a respeito do seu afastamento da pasta.

Alexandre Morais, ex-secretário, nos enviou, há alguns meses, um email informando como encontrou pontos da Cultura na nossa cidade. Evidentemente, pelo pouco tempo que lá permaneceu, quase nada pôde acrescentar para resolver a sua estagnação.

1) Balé Popular de Afogados da Ingazeira –
Encontra-se desativado. Parte do figurino está na Secretaria de Turismo, Cultura e Esportes. Algumas peças estão com ex-componentes ou emprestadas a Escolas e Grupos. O ideal, no entanto, é recomeçar. Nossa meta é preparar um projeto para captação de recursos para novos figurinos e, especialmente, sede própria. É meta para médio prazo.

2) Companhia Artística Pajeú de Dança –
Esta segue bem. Mantém ensaios regulares e sempre expõe novidades e aprimoramentos. A coordenação é de Elias Mendes (professor de educação física e de danças). Este ano (2009) o grupo apresentou-se no Projeto Quinta Cultural, no Baile Municipal e no Carnaval do Centenário. Contato com Elias: (87) 9625.5263.

3) Grupo Aplausos de Teatro Amador –
Estava sem notícias deste grupo, mas pra nossa alegria recebi a visita de um dos coordenadores esta semana. Disse que o grupo está ensaiando e que tem duas peças em estágio final de produção, sendo as duas autorais e uma inédita. Ficou de  retornar com projeto, informações e contatos.

4) Grupo de Reisado do Sítio São João Novo –
Até onde sei está desativado. No último contato que tive, há cerca de um ano e meio, pediram-me uma visita ao grupo. Agendei, mas dois dias antes me procuraram pedindo para não mais participar da reunião. Atendi ao pedido.

5) Dança de Coco dos Negros e Negras do Leitão (remanescentes de quilombos) –
 Na véspera do Natal passado, um dos mais velhos do grupo faleceu. Tentei uma apresentação no final de janeiro (Encontro de Motociclistas) e disseram-me que em função da referida morte, o grupo estava parado. Não sei se já retomaram. Contato: Sebastião José (87) 9602.1816 e 3838.1276 (Sindicato dos Trabalhadores Rurais)

6) Fersan – Festival Regional da Sanfona –
Foi idealizado e promovido pelo Grupo Frente Jovem. Há dois anos não é realizado, mas para este há uma boa expectativa. Em contato pessoal com a presidente da Fundarpe, Luciana Azevedo, ela assegurou que destinaria recursos para a realização do evento. Estou elaborando um projeto junto com o vice-prefeito e fundador do Frente Jovem, Augusto Martins, para apresentarmos na Fundarpe. O período previsto para realização é 4 a 6 de junho. Conato com Augusto Martins: (87) 9998.1282

7) Encenação da Paixão de Cristo. (durante a Semana Santa) –
Desde o início de fevereiro o grupo vem se reunindo e ensaiando nas dependências do centro Desportivo Municipal, local onde já há alguns anos apresenta-se. Estão demonstrando preocupação com elenco, de infra-estrutura e financeira. Em reunião com o representante do Grupo Teatral Paixão de Cristo, Gerson, apresentei o edital da Fundarpe destinando R$ 300 mil exclusivamente para projetos de encenação da Paixão de Cristo. O mesmo optou por encaminhar o projeto junto a uma entidade/associação local. Repassei-lhe todo o conteúdo do edital. Contato com Gerson: (87) 9926.9816

8) Tabaqueiros – Figuras mascaradas tradicionais do Carnaval. (Durante o período momesco) –
Os tabaqueiras têm origem quase que simultânea às tradições do Carnaval de rua do município. Homens, mulheres e crianças vestem-se por completo, ocultando inclusive as mãos, e usam máscaras cobrindo toda a cabeça, de modo que não possam ser reconhecidos. Relhos e chocalhos são acessórios obrigatórios aos mais tradicionais. Sozinhos, em pequenos ou grandes grupos percorrem ruas e pontos de concentração, divertindo uns, assombrando outros e eternizando uma das tradições mais populares do Carnaval no interior de Pernambuco.

9) Vivência dos ciclos junino e natalino. (Junho e dezembro)
 O ciclo junino é forte em sua popularidade. Toda a comunidade envolve-se com as apresentações das escolas da rede municipal, postos de saúde e associação de moradores. Nos 15 dias que antecedem o São João, arraiais são realizados nos bairros, com danças, comidas típicas e atrações artísticas. Há a escolha do Arraial Campeão, aquele que se destaca em itens como variedade de apresentações, participação popular, ornamentação e outros. A culminância dá-se na Praça de Alimentação, no centro da cidade, com a apresentação dos campeões.
Esse Ciclo se estende ao 1º de julho, dia de Emancipação Política do município. Há cinco anos, agrega-se ainda à data, a Expoagro, exposição de caprinos, ovinos, bovinos e itens diversos da produção local e regional.
O ciclo natalino geral e tradicionalmente é composto por uma programação religiosa, idealizada e coordenada pela Diocese, e outra festiva coordenada pelo Governo Municipal. A religiosa tem início dias antes do Natal, com Missas, Louvores, Quermesses e outras tradições, seguindo até o 1º de janeiro, dia do padroeiro Senhor Bom Jesus dos Remédios, com uma histórica e numerosa procissão pelas ruas da cidade.
A programação festiva ultimamente tem se resumido a 3 ou 4 dias, com a promoção de festas em praça pública. Durante todo o período são instalados parques adultos e infantis, além de tradicionais bancas de jogos, diversão e alimentação.

10) Missa e desfile dos vaqueiros –
É realizada por uma comissão de vaqueiros e tem como uma espécie de padrinho-organizador o Promotor Público Lúcio Luiz de Almeida. Realiza-se sempre no dia 7 de setembro. Geralmente é esse o roteiro: concentração, celebração da missa, desfile por ruas da cidade e confraternização. Nas últimas edições, a missa foi realizada no Centro Desportivo Municipal.

11) Afogareta – Carnaval fora de época. (Nos primeiros dias de janeiro) –
Neste ano (2009) foi realizada sua 11ª edição. Geralmente ocorre no segundo ou terceiro final de semana de janeiro. Destaca-se como uma das grandes atrações da cidade por sua estrutura (trio elétrico e camarotes) e por suas atrações nacionais, algumas do cenário nacional. Realizador: Ney Quidute (87) 9998.2175

12) Encontro de Motociclistas –
É o maior destaque no quesito atração de público. A rede hoteleira fica completa, casas são alugadas, prédios públicos cedidos e muitos se acomodam em casas de amigos. Este ano mais de 200 moto clubes estiveram representados. Quase sempre acontece no último final de semana de janeiro. A realização é do Moto Clube Dragões de Aço, presidido por Messias Pires (87) 3838.1070

13) Trilhas Ecológicas (Grupos de Motociclistas e Jipeiros) –
Trilhas ecológicas mesmo são feitas sem programações muito prévias. O Grupo Trilhas e Trelas é um dos que têm feito isto, inclusive promovendo no ano passado o 1º Encontro Mirim de Educação Ambiental, culminando com uma trilha ao Sítio Matinha. Contatos: Cláudio Gomes (87) 9633.3342 ou Seriza Janaína (87) 9922.8001.
Motociclistas e jipeiros fazem trilhas de aventura. Também não têm calendário fixo. Por épocas chegam a praticar todos os fins e semana. Contatos: motos Lupércio Moraes 9924.5704 e jipes Araújo (mecânico) 9992.9593

14) Trilha e Festa do Caju –
Foi promovida por dois anos também pelo Grupo Frente Jovem, ganhando a adesão de jipeiros e motociclistas. Obedecendo a safra do caju ocorria no fim de novembro/início de dezembro. Não sei o motivo de não ocorrer no ano passado. O contato é Augusto Martins.

15) Escrituras Rupestres. (Visita durante todo o ano aos Sítios Arqueológicos) –
Infelizmente continuam à mercê do tempo. Não há ainda um trabalho de registro, preservação, ordenação de acesso e outros cuidados. Entra nosso plano de turismo a ser elaborado tão logo possamos no s dedicar a ele.

16) Encontro de Carros Antigos do Sertão –
Ocorreu pela primeira vez este ano (2009). Aprovadíssimo para uma primeira edição. Raridades locais e de vários municípios foram reunidas na Avenida Rio Branco no dia 25 de janeiro. A realização ficou a cargo de Lupércio Moraes, o mesmo dos Motociclistas Trilheiros.

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Alexandre Morais – Autobiografia

Meu nome é Alexandre José Lira de Morais. Nasci em 26 de fevereiro de 1977 em Afogados da Ingazeira, Estado de Pernambuco.  Em 10 de junho de 2005 me casei com Veratânia Lacerda Gomes de Morais na fazenda Serrote, zona rural da minha terra natal. Resido na Rua Diomedes Gomes, 152.

Meus pais João Batista de Morais (militar/PMPE) e Maria Letícia Lira de Morais (professora) tiveram dois filhos, sendo eu o mais velho.

Sou Jornalista e Agente Penitenciário do Estado de Pernambuco. Atualmente exerço o cargo de Secretário de Turismo, Cultura e Esportes do Município de Afogados da Ingazeira.

Como todo infante de família simples do interior, dividi o meu tempo entre a escola e as brincadeiras de rua. A origem rural de meus pais transmitiu-me muitos valores de simplicidade, e o contato direto com pessoas do campo despertou-me o gosto pelos tipos, costumes, ditos e causos populares.

O rádio foi outro indutor de minha formação inicial. Fazia visitas freqüentes à Rádio Pajeú e quase sempre dormia ao som de um moto rádio, no qual meu pai sempre ouvia os jogos do Santa Cruz (daí a minha sina tricolor), mas que eu, além dos jogos sintonizava à noite, quando a Pajeú saia do ar, as rádios Globo do Rio de Janeiro e Sociedade da Bahia.
 Na Pajeú tenho fortes lembranças do senhor Abílio Barboza na técnica de som, manuseando habilmente LPs e rolos enormes de fitas. Aquilo prendia mais minha atenção do que os próprios locutores. Neste tempo também é que a poesia começava a surgir. Digo, a admiração por ela. Sempre despertava a atenção o tocar de violas e guardo o canto dos gêneros Coqueiro da Bahia e Galope a beira mar (que na época para mim não eram improvisos, mas músicas gravadas).

Mais jovem, procurei participar de tudo que a mim chegava: esportes, teatro, música e todas as atividades extra-escola ou surgidas a partir dela. Da insistência em jogar futebol surgiu a grande oportunidade. Um primo me convidou a fazer um teste no Sport Recife. Mesmo conhecendo o pouco talento para tal, aceitei de pronto e a aprovação foi imediata. Não no futebol, mas no vestibular para o curso de Jornalismo. Eis uma lição de que não se deve deixar passar as oportunidades. Foi por abraçar uma delas, mesmo incerta, que alarguei horizontes e assegurei minha formação profissional.

Ostento passagens pelas secretarias estaduais da Fazenda e de Imprensa, Diário Oficial do Estado, Rádio Clube, Sintonia Comunicação, Jornal Vanguarda, Agreste On-Line, M&M Comunicação, Assembléia Legislativa de Pernambuco, Rádio Pajeú, Prefeitura de Afogados da Ingazeira e trabalhos livres para o Diário de Pernambuco. Paralelo a isto, prestei concurso público e fui aprovado para a função de Agente de Segurança Penitenciária do Estado de Pernambuco. Achei que seria uma rápida experiência. Já se vão oito anos de descobertas e aperfeiçoamento humano, com atuação no Presídio Aníbal Bruno, em Recife, Penitenciária Juiz Plácido de Souza, em Caruaru, e como supervisor das cadeias públicas de Afogados da Ingazeira, Tabira, Carnaíba e Flores.
Estudei na Escola Cônego João Leite (ensino fundamental e básico), Colégio Normal Estadual (ensino médio), Ginásio Pernambucano (último trimestre do ensino médio) e Universidade Católica de Pernambuco (ensino superior).

Faço parte do Rotary Club de Afogados da Ingazeira (presidente 2008/2009); da Loja Maçônica Arquitetos da Paz; do PCdoB de Afogados da Ingazeira (primeiro presidente); do Grupo Trilhas & Trelas. Fui membro do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural e Urbano. Cordéis publicados: > Afogados é assim; > A peleja sem fim de Belarmino Terra Quente com Benedito Pedra Boa; > Os meus Sertões; > U Professô Sertanêjo; > Afogados da Ingazeira, uma cidade que nasceu do amor.   Publicações, frutos de oficinas de cordel: > Grupo Renascer (Grupo da Melhor Idade); > Lampião Rei do Cangaço (Alunos da 3ª série da Escola Municipal São Sebastião – 2006); > Iguaracy terra do sol (Formandos da Escola Professora Rosete, Iguaracy – 2007); > Afogados da Ingazeira e sua história (Alunos da Educação de Jovens e Adultos da Escola Municipal Professor Geraldo Cipriano – 2007); > O Zé, a festa e a peleja (alunos da Educação de Jovens e Adultos da rede municipal de ensino de Carnaíba); > A Semana da Cultura (oficina de cordel na Semana da Cultura 2008 da Fafopai)
Outros > A feira da Ingazeira (Associação Comercial da Ingazeira); > Uma casa no sertão (Escola Dom Mota).