22 Jul

Fernando Pires

Pernambucano de Afogados da Ingazeira, nasceu em 1951. É filho de Hermenegildo Marinho dos Santos (Minéu) e Erotides Pires dos Santos (Tida).

Iniciou seus estudos nas Escolas Reunidas Dona Anna Melo que à época funcionava no prédio de esquina, ao lado esquerdo do Palácio Episcopal (atual Cúria Diocesana). Depois, no Grupo Escolar Pe. Carlos Cottart, cursou o primário.

Desde criança – por volta de 1962 -, ajudava o seu pai na loja de tecidos de sua propriedade na Praça Domingos Teotônio,51. Em 1963 fez o curso de admissão ao ginásio no pré-seminário de Afogados da Ingazeira (vizinho à antiga Maternidade Emília Câmara). No ano seguinte foi para Pesqueira e, no seminário São José/Colégio Cristo Rei, fez o primeiro ano ginasial. Sentindo falta de vocação para a vida religiosa retornou à sua cidade onde concluiu o primeiro grau em 1966, no Ginásio Cenecista Mons. Pinto de Campos.

Em São Lourenço na Mata-PE, em 1967, fez um teste na Escola Agrícola da UFRPE, onde cursou o 1º ano de Técnico Agrícola. Na capital pernambucana, em 1968, fez o 2º ano científico no CEP- Colégio Estadual de Pernambuco (na Rua da Aurora).

Aos 18 anos, sentido necessidade de trabalhar, e, surgindo uma oportunidade em Maceió-AL na Companhia Brasileira de Armazenamento – CIBRAZÉM , se dirigiu àquela capital, onde desembarcou na noite de 20 de julho de 1969. (Data guardada nítidamente em sua lembrança, pois naquele mesmo dia os tripulantes da nave da Nasa Apollo 11 venceram o maior desafio da guerra fria, a corrida espacial. Entre pioneiros, os astronautas Neil Armstrong e Edwin “Buzz” Aldrin, que foram os primeiros homens a caminhar no solo lunar).

Iniciou a vida profissional trabalhando na CIBRAZEM (1º de agosto de 1969) e na Construtora Silva (05 de abril de 1970), em Maceió, quando se desligou, alguns meses depois, vislumbrando novos desafios.

Em concurso do Banco do Brasil, realizado em Maceió-AL em 1970, foi aprovado, assumindo o posto de Auxiliar de Escrita 050, em Viçosa-AL, em 05 de julho de 1971.

Transferido para Afogados da Ingazeira em agosto de 1972, trabalhou naquela agência até os primeiros dias de março de 1996, quando foi removido para o Recife. Nesse ínterim -1975 -, foi adido nas agências de Princesa Isabel-PB e Rio Branco-AC.

Na capital pernambucana trabalhou nas agências Boa Viagem (Barão de Souza Leão) e Rua da Hora, se aposentando ao final de 2004. Passou quase 34 anos no Banco do Brasil.

Em 1997, estabelecido no Recife, criou uma página na internet dedicada à terra natal.

Produziu  o CD-ROM Afogados da Ingazeira “Sua História – em 2002; e o livro Afogados da Ingazeira “Memórias” que esmiúça a história da cidade e região, em 273 páginas, no ano de 2004.

Em 2006 produziu o DVD Memórias do Esporte em Afogados da Ingazeira, que retrata os atletas e clubes desde o distante ano de 1930 onde incluiu entrevistas com 5 atletas da época.

É um amante do resgate da história de tudo que se relaciona com sua Afogados da Ingazeira.

No momento está revisando o livro Afogados da Ingazeira “Memórias”, com a possibilidade de oferecer mais informações aos conterrâneos e amigos da sua cidade sertaneja.

Publicações:

Afogados da Ingazeira “Memórias” – Livro

Publicações eletrônicas:
Afogados da Ingazeira “Sua História” – CD-ROM
Passeio em Afogados da Ingazeira – DVD
Memórias do Esporte em Afogados da Ingazeira – DVD
Grito de Alerta – DVD
Waldecy Xavier de Menezes – Entrevista – DVD
Letícia de Campos Góes – Entrevista – DVD

E, mais de 20 outras entrevistas com personagens afogadenses, em DVD


15 Jul

Diomedes Laurindo de Lima

Conhecido como Diomedes Mariano, o DIÓ é poeta, repentista, embolador (amador), declamador, escritor, humanista e cidadão brasileiro. Filho de José Antonio Laurindo (em memória) e Maria José Laurindo de Lima, nasceu em 19 de fevereiro de 1964 no sítio Barra-Solidão/PE.

Inspirado nos folhetos de cordel que seu pai comprava nas feiras e sua mãe lia para ele e seus irmãos, ouvindo programas de cantoria nas rádios Pajeú de Afogados da Ingazeira, Rural de Caicó-RN, Espinhara de Patos-PB e outras mais, descobriu seu talento para recitar e fazer versos aos oito anos de idade.

Residiu na zona rural até os dez anos, onde dividia seu tempo entre os afazeres da roça e os estudos, vindo a concluir o primário na Escola Luiz Carolino de Siqueira com a professora Virgínia Oliveira.

Pouco tempo depois, mudou-se para Afogados da Ingazeira, onde reside até os dias atuais.
Desde então encantava a todos com seus versos improvisados. Já na fase adulta participou de mais de 60 Festivais de Violeiros, conquistando premiação em todos eles.
Como declamador esteve presente em inúmeros recitais, em várias cidades do nordeste como Petrolina, Campina Grande, João Pessoa, Teresina, Recife, Caruaru, Arcoverde e Maceió. Com o seu talento obteve grande destaque nos festivais de Brasília e São Paulo.

Diomedes também cantou com poetas famosos como Ivanildo Vila Nova, João Paraibano, Sebastião Dias, Sebastião da Silva, Moacir Laurentino, Geraldo Amâncio, Diniz Vitorino, Severino Feitosa, Valdir Teles, Zé Viola, Os Nonatos e outros gênios da cantoria.

O Poeta divide seu tempo entre suas cantorias e seus afazeres de comerciante, trabalhando no “Borbão” há quase 30 anos, loja que faz parte de sua história. Por curtos períodos trabalhou, também, numa churrascaria de Helvécio Mariano, na Praça Mons. Arruda Câmara e no Escritório de Contabilidade de João Mariano, seus tios.

Em Afogados da Ingazeira cursou o ginasial e o 2º grau no Ginásio Mons. Pinto de Campos, tendo como diretor o sr. Luiz Alves dos Santos. Essa, única escola onde estudou desde que foi pra cidade, e onde concluiu seus estudos.

Esse multi artista tem dois CDs gravados. O primeiro em parceria com João Paraibano, intitulado “Esse é o sertão cantado por quem melhor lhe conhece”. O outro, com Sebastião Dias, “Violeiros do Pajeú”.

Teve participação, também, em inúmeros CDs e DVDs de Festivais de Cantoria com diversos artistas. Ressaltamos, também, trabalhos gravados por nomes expressivos da Cantoria como Ivanildo Vila Nova, João Paraibano, Edezel Pereira, Valdir Teles, Raimundo Caetano, Val Patriota e Delmiro Barros, entre outros.

Filosofia de Vida

“Andar sempre de cabeça erguida para não tropeçar nos obstáculos da própria sombra”

O Coreto da Pracinha

Muita gente recorda que havia, / No coreto cantado em prosa e verso, / Um ilustre celeiro, um universo, / De pessoas dotadas de alegria, / JÚLIO BOY, BEL NAZÁRIO, que hoje em dia, / Já habitam nos planos divinais, / Um ANTÔNIO MARTINS que ainda faz, / Uso de uma cadeira que lá tinha, / Só restou no Coreto da Pracinha, / a Cadeira de Ferro e nada mais

A cadeira de ferro foi assento, / Pra LULU e PIROCA de seu NÉ, / Para ANTÔNIO LALAU, que hoje é, / Inquilino de Deus no firmamento, / Para NÊGO o poeta cem por cento, / Declamando seus versos imorais, / ALMIR PIRES, na época um bom rapaz, / SÍLVIO CRUZ, TADEUZÃO, IVO E BOMBINHA, / Só restou no Coreto da Pracinha, / a Cadeira de Ferro e nada mais.

CLÓVIS e CARLOS de DÓIA, a dupla ia, / Todo dia ao coreto dar plantão, / Com AÍLTON e OSVALDO de SIMÃO, / Outra dupla da mesma parceria, / Seu MANOEL, dono da barbearia, / Atendia os clientes principais, / GENI dono do bar vendia aos quais, / Serra Grande, Alcatrão, Brahma e Sardinha, / Só restou no Coreto da Pracinha, / a Cadeira de Ferro e nada mais.

Todo fim de dezembro era o lugar, / Preferido dos grandes dançarinos, / No forró embalado onde os meninos, / Iam todos dispostos a dançar, / Senhor HERMES, no seu primeiro andar, / Contratava atrações para os casais, / Nesse tempo LUÍS era rapaz, / E ZÉ de HERMES mais novo que LOURDINHA, / Só restou no Coreto da Pracinha, / a Cadeira de Ferro e nada mais.

Como tudo na vida leva fim, / O “coreto” se foi nessa enxurrada, / Resta só a cadeira preservada, / Por ANTÔNIO MARTINS que disse a mim, / Podem vir com Ouro, com Marfim, / Com Topázio, Brilhante ou com Reais, / Que não troca e também não se desfaz, / Não tem nada que compre a cadeirinha, / Só restou no Coreto da Pracinha, / a Cadeira de Ferro e nada mais.

O Coreto passou mas sua história, / Não passou nem tampouco passará, / E a cadeira, este marco ficará, / Como peça sublime exposta a glória, / Como toda existência é transitória, / De madeiras, cerâmicas e metais, / Ficará a cadeira nos anais, / De quem sabe a importância que ela tinha, / Só restou no Coreto da Pracinha, / a Cadeira de Ferro e nada mais.

Hoje resta a saudade traiçoeira, / Que ataca, destrói, que dilacera, / Perturbando o senhor LULU PANTERA, / ZÉ de GÓES, TOTA FLOR, CHICO VIEIRA, / Quem fez uso excessivo da cadeira, / Nas diversas manhãs dominicais, / Ao lembrar do passado se desfaz, / Ante a dor da saudade que espezinha, / Só restou no Coreto da Pracinha, / a Cadeira de Ferro e nada mais.

Diomedes Mariano
Afogados da Ingazeira-PE, 25/01/2011

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Rádio Pajeú – 51 anos de existência

Parabéns PAJEÚ, rádio querida,

Por cinquenta e um anos de existência,

Liderando as pesquisas de audiência,

Como sendo de fato a mais ouvida.

Por Dom Mota esta rádio foi trazida,

Já sabendo que vinha pra ficar,

Desde a hora que ela entrou no ar,

Até hoje estamos festejando,

Que ela vem instruindo e educando,

Divulgando a Cultura Popular.

Quatro horas em plena madrugada,

Nossa rádio se acorda sonolenta,

Mas ao som do forró a rádio esquenta,

Acordando o Sertão sem cobrar nada,

Em seguida mantém sempre informada,

Sua extensa e atual programação,

O orgulho maior para o Sertão,

Que já se acostumou a  desfrutar,

De uma Rádio católica, popular,

A serviço da nossa região.

Parabéns para rádio e pra quem faz,

Esta programação imorredoura,

Para todos que fazem a emissora,

Que de fato são profissionais,

Quanta coisa deixada para trás,

Por heróis que aqui se efetivaram,

Deram muito de si, mas se mudaram,

A convite de Cristo ao céu subiram,

Nosso imenso obrigado aos que partiram,

Nosso abraço fraterno aos que ficaram!

Diomedes Mariano
Afogados da Ingazeira-PE, 2010

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Aventuras

Fui bastante sincero com você, // Dei um pouco de crédito às suas juras, // Nosso tempo foi curto, mas rendeu, // Atrações, sensações, ânsias, loucuras, // Apesar dos receios e temores, // Como dois estreantes amadores, // Tendo medo das próprias aventuras.

O bulício da brisa nos lençóis, // O espelho do sol nos azulejos, // Os impulsos dos tensos corações, // Superaram  a muralha dos desejos, // Testemunha dos fatos ocorridos, // A parede guardou nos seus ouvidos, // Os estalos sutis dos nossos beijos.

Nada mais importava além daquilo, // Paz, afeto, carinho e harmonia, // No seu colo macio eu me deitava, // Nos meus braços, você adormecia, // Nossa única intenção era de amar, // Como a água foi feita para o mar, // Fomos feitos pra nós naquele dia.

Nossa estada foi breve, mas foi bela, // Foi vivida com muita intensidade, // Era o dia do fico, mas eu fui, // Obrigado a partir contra vontade, // Sem que um pouco de graça visse em nada, // Como abelha sem favo, embriagada, // Nos resíduos do cálice da saudade.

Deixei marcas de mim pelo seu corpo, // O formato da face no seu seio, // Ao encontro da minha boca úmida // Sua boca faminta também veio, // Ao quebrarmos os recordes da censura, // Onde houver uma história de aventura, // O capítulo da nossa ? está no ?

Quase um sonho, mas foi realidade, // Durou pouco demais, mas deu prazer, //
Você foi, você é, você será // O motivo maior do meu viver, //
Seiva doce, da fruta proibida,// A história de amor por nós vivida, //
Vai ser muito difícil de esquecer.

Diomesde Mariano
Afogados da Ingazeira-PE

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Madalena Vieira Brandão


Quem nunca escutou falar, em BETO DE MADALENA?
a estrela sai de cena, pro descendente ficar,
ZEFINHA, vai lamentar, ZÉ, chorar a orfandade,
em ANTÔNIO, a dor invade, em FÁTIMA, a tristeza é plena,
PRA O CÉU, SE FOI MADALENA, PRA NÓS SÓ RESTA A SAUDADE.

Nossos pêsames a todos os familiares

Diomedes Mariano
Afogados da Ingazeira-PE, 7 de abril de 2010

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Cem Anos de Doutor Hermes


Doutor Hermes faz parte da doutrina, / Que ensina o cristão a ser fiel,
O seu pai foi chamado de Manoel, / Sua mãe se chamou Capitulina,
Conseguiu ingressar na medicina, / E pouco tempo depois de se formar,
Preteriu o Recife pra morar, / No sertão onde o povo o ama tanto,
PARABÉNS DR. HERMES DE SOUZA CANTO,
POR CEM ANOS DE HISTÓRIA PRA CONTAR.

Doutor Hermes podia, mas não quis, / Em Recife exercer a profissão,
Escolheu um recanto do sertão, / Pra poder abrigar-se e ser feliz,
De diploma na mão, a história diz, / Trinta e oito era o ano, eu vou lembrar,
Em Tabira chegou pra trabalhar, / Quando ainda chamava-se Espírito Santo,
PARABÉNS DR. HERMES DE SOUZA CANTO,
POR CEM ANOS DE HISTÓRIA PRA CONTAR.

Por ali enfrentou sol e poeira, / Mas a força do homem ninguém mede,
Só três anos depois veio pra sede, / A querida Afogados da Ingazeira,
Esta mesma cidade hospitaleira, / Com uns tempos, passou a governar,
Atendeu o chamado popular, / Seu mandato seu deu com grande encanto,
PARABÉNS DR. HERMES DE SOUZA CANTO,
POR CEM ANOS DE HISTÓRIA PRA CONTAR.

Fixou residência na terrinha, / Adotou o sertão pernambucano,
Pai de Vânia, Hermes Júnior e Luciano, / E o esposo de Dona Terezinha,
Cidadão de postura, homem de linha, / Nunca foi um cristão de se negar,
Seus favores por tudo que é lugar, / São lembrados por nós, por todo canto,
PARABÉNS DR. HERMES DE SOUZA CANTO,
POR CEM ANOS DE HISTÓRIA PRA CONTAR.

Do político, o instinto sonhador, / Do cristão, a postura e a grandeza,
Como chefe da prole, uma certeza, / O marido fiel, bom genitor,
Qualidade sublime no doutor, / Que atendeu tanta gente sem cobrar,
Pondo Deus, no seu jeito de curar, / Tendo fé no divino Espírito Santo,
PARABÉNS DR. HERMES DE SOUZA CANTO,
POR CEM ANOS DE HISTÓRIA PRA CONTAR.

Neste dia em que ele completou, / De janeiros vividos, uma centena,
A família irmanada entrou em cena, / Pra brindar a centena que chegou,
Luciano não veio, mas mandou, / Uma estrela divina lhe guiar,
Afogados se uniu pra lhe abraçar, / E eu me encontro feliz do mesmo tanto,
PARABÉNS DR. HERMES DE SOUZA CANTO,
POR CEM ANOS DE HISTÓRIA PRA CONTAR.

Diomedes Mariano


9 Jul

A Buraqueira Nas Estradas do Nosso Sertão

As poesias a seguir – de autorias diversas – retratando o estado das estradas no nosso sertão e que aflige o nosso povo, foram-nos enviadas pelo poeta Alexandre Morais (foto):

Nosso protesto poético irreverente // Que nem capa de enxu // Ou tábua de pirulito // Tem buraco ao infinito // Nas pistas do Pajeú

Já se vê mais barro cru // Do que asfalto no chão // De pequeno a caminhão // Foi num foi um se arrebenta // Não tem quem puxe sessenta // Nas estradas do sertão. (Alexandre Morais)

Não presta pra São José, // Afogados da Ingazeira, // Serra é uma buraqueira // Que até quem não vê da fé… // Depois de Albuquerque-Né // É que muda a posição. // Mas na nossa região // Ninguém sai da marcha lenta. // Não tem quem puxe sessenta // Nas estradas do sertão. (Dedé Monteiro)

De Arcoverde a Petrolina // A pista é um só buraco // O asfalto parece fraco // Se fura até com neblina // No barro não se aglutina // E nem suporta pressão // Os carros na contramão // A todo instante atormenta // Não tem quem puxe sessenta // Nas estradas do sertão. (Antônio Neto)

Eu moro na Capital // Mas não esqueço Tabira // O meu sertão, minha lira // A minha terra natal // Ao vê-la cresço em astral // Mas fico às vezes na mão // Que a buraqueira do cão // O meu carro não aguenta // Não tem quem puxe sessenta // Nas estradas do sertão. (João Alderney)

Gasta pra mais de uma hora // De “Afogado” a Calumbi, // De Sertânia a Iguaracy // É que a coisa demora: // Se um pneu não vai embora, // Quem se vai é a suspensão… // De Juru a Solidão, // Pra correr só de jumenta… // Não tem quem puxe sessenta // Nas estradas de sertão. (Ademar Rafael)

Como tem buraco à beça, // Não tem chofer que suporte, // Todo dia tem transporte, // Trocando pneu e peça, // Desde São José começa, // Esta peregrinação, // Quando chega no Leitão, // Aí o descaso aumenta, // Não tem quem puxe sessenta // Nas estradas de sertão.

De Sertânia a Afogados, // Daqui pra Serra Talhada, // Na buraqueira danada, // Pneus já foram cortados, // Veículos foram quebrados, // Devido à situação, // Na mão ou na contra mão, // O perigo se apresenta, // Não tem quem puxe sessenta // Nas estradas de sertão. (Diomedes Mariano)

Não tem quem consiga mais // Nas estradas ficar calmo. // Por que têm de palmo em palmo // Buracos quase anormais. // Sem ter asfalto, aliás, // Falta sinalização // E nessa “estrada de chão” // A poeira não assenta // Não tem quem puxe sessenta // Nas estradas do Sertão. (Dudu Morais)

– 28 de julho de 2010

Clique e OUÇA A ENTREVISTA
concedida pelo ex-secretário de Turismo, Cultura e Esportes de Afogados da Ingazeira, ao radialista Nill Jr, na Rádio Pajeú, em 10.06.2009, a respeito do seu afastamento da pasta.

Alexandre Morais, ex-secretário, nos enviou, há alguns meses, um email informando como encontrou pontos da Cultura na nossa cidade. Evidentemente, pelo pouco tempo que lá permaneceu, quase nada pôde acrescentar para resolver a sua estagnação.

1) Balé Popular de Afogados da Ingazeira –
Encontra-se desativado. Parte do figurino está na Secretaria de Turismo, Cultura e Esportes. Algumas peças estão com ex-componentes ou emprestadas a Escolas e Grupos. O ideal, no entanto, é recomeçar. Nossa meta é preparar um projeto para captação de recursos para novos figurinos e, especialmente, sede própria. É meta para médio prazo.

2) Companhia Artística Pajeú de Dança –
Esta segue bem. Mantém ensaios regulares e sempre expõe novidades e aprimoramentos. A coordenação é de Elias Mendes (professor de educação física e de danças). Este ano (2009) o grupo apresentou-se no Projeto Quinta Cultural, no Baile Municipal e no Carnaval do Centenário. Contato com Elias: (87) 9625.5263.

3) Grupo Aplausos de Teatro Amador –
Estava sem notícias deste grupo, mas pra nossa alegria recebi a visita de um dos coordenadores esta semana. Disse que o grupo está ensaiando e que tem duas peças em estágio final de produção, sendo as duas autorais e uma inédita. Ficou de  retornar com projeto, informações e contatos.

4) Grupo de Reisado do Sítio São João Novo –
Até onde sei está desativado. No último contato que tive, há cerca de um ano e meio, pediram-me uma visita ao grupo. Agendei, mas dois dias antes me procuraram pedindo para não mais participar da reunião. Atendi ao pedido.

5) Dança de Coco dos Negros e Negras do Leitão (remanescentes de quilombos) –
 Na véspera do Natal passado, um dos mais velhos do grupo faleceu. Tentei uma apresentação no final de janeiro (Encontro de Motociclistas) e disseram-me que em função da referida morte, o grupo estava parado. Não sei se já retomaram. Contato: Sebastião José (87) 9602.1816 e 3838.1276 (Sindicato dos Trabalhadores Rurais)

6) Fersan – Festival Regional da Sanfona –
Foi idealizado e promovido pelo Grupo Frente Jovem. Há dois anos não é realizado, mas para este há uma boa expectativa. Em contato pessoal com a presidente da Fundarpe, Luciana Azevedo, ela assegurou que destinaria recursos para a realização do evento. Estou elaborando um projeto junto com o vice-prefeito e fundador do Frente Jovem, Augusto Martins, para apresentarmos na Fundarpe. O período previsto para realização é 4 a 6 de junho. Conato com Augusto Martins: (87) 9998.1282

7) Encenação da Paixão de Cristo. (durante a Semana Santa) –
Desde o início de fevereiro o grupo vem se reunindo e ensaiando nas dependências do centro Desportivo Municipal, local onde já há alguns anos apresenta-se. Estão demonstrando preocupação com elenco, de infra-estrutura e financeira. Em reunião com o representante do Grupo Teatral Paixão de Cristo, Gerson, apresentei o edital da Fundarpe destinando R$ 300 mil exclusivamente para projetos de encenação da Paixão de Cristo. O mesmo optou por encaminhar o projeto junto a uma entidade/associação local. Repassei-lhe todo o conteúdo do edital. Contato com Gerson: (87) 9926.9816

8) Tabaqueiros – Figuras mascaradas tradicionais do Carnaval. (Durante o período momesco) –
Os tabaqueiras têm origem quase que simultânea às tradições do Carnaval de rua do município. Homens, mulheres e crianças vestem-se por completo, ocultando inclusive as mãos, e usam máscaras cobrindo toda a cabeça, de modo que não possam ser reconhecidos. Relhos e chocalhos são acessórios obrigatórios aos mais tradicionais. Sozinhos, em pequenos ou grandes grupos percorrem ruas e pontos de concentração, divertindo uns, assombrando outros e eternizando uma das tradições mais populares do Carnaval no interior de Pernambuco.

9) Vivência dos ciclos junino e natalino. (Junho e dezembro)
 O ciclo junino é forte em sua popularidade. Toda a comunidade envolve-se com as apresentações das escolas da rede municipal, postos de saúde e associação de moradores. Nos 15 dias que antecedem o São João, arraiais são realizados nos bairros, com danças, comidas típicas e atrações artísticas. Há a escolha do Arraial Campeão, aquele que se destaca em itens como variedade de apresentações, participação popular, ornamentação e outros. A culminância dá-se na Praça de Alimentação, no centro da cidade, com a apresentação dos campeões.
Esse Ciclo se estende ao 1º de julho, dia de Emancipação Política do município. Há cinco anos, agrega-se ainda à data, a Expoagro, exposição de caprinos, ovinos, bovinos e itens diversos da produção local e regional.
O ciclo natalino geral e tradicionalmente é composto por uma programação religiosa, idealizada e coordenada pela Diocese, e outra festiva coordenada pelo Governo Municipal. A religiosa tem início dias antes do Natal, com Missas, Louvores, Quermesses e outras tradições, seguindo até o 1º de janeiro, dia do padroeiro Senhor Bom Jesus dos Remédios, com uma histórica e numerosa procissão pelas ruas da cidade.
A programação festiva ultimamente tem se resumido a 3 ou 4 dias, com a promoção de festas em praça pública. Durante todo o período são instalados parques adultos e infantis, além de tradicionais bancas de jogos, diversão e alimentação.

10) Missa e desfile dos vaqueiros –
É realizada por uma comissão de vaqueiros e tem como uma espécie de padrinho-organizador o Promotor Público Lúcio Luiz de Almeida. Realiza-se sempre no dia 7 de setembro. Geralmente é esse o roteiro: concentração, celebração da missa, desfile por ruas da cidade e confraternização. Nas últimas edições, a missa foi realizada no Centro Desportivo Municipal.

11) Afogareta – Carnaval fora de época. (Nos primeiros dias de janeiro) –
Neste ano (2009) foi realizada sua 11ª edição. Geralmente ocorre no segundo ou terceiro final de semana de janeiro. Destaca-se como uma das grandes atrações da cidade por sua estrutura (trio elétrico e camarotes) e por suas atrações nacionais, algumas do cenário nacional. Realizador: Ney Quidute (87) 9998.2175

12) Encontro de Motociclistas –
É o maior destaque no quesito atração de público. A rede hoteleira fica completa, casas são alugadas, prédios públicos cedidos e muitos se acomodam em casas de amigos. Este ano mais de 200 moto clubes estiveram representados. Quase sempre acontece no último final de semana de janeiro. A realização é do Moto Clube Dragões de Aço, presidido por Messias Pires (87) 3838.1070

13) Trilhas Ecológicas (Grupos de Motociclistas e Jipeiros) –
Trilhas ecológicas mesmo são feitas sem programações muito prévias. O Grupo Trilhas e Trelas é um dos que têm feito isto, inclusive promovendo no ano passado o 1º Encontro Mirim de Educação Ambiental, culminando com uma trilha ao Sítio Matinha. Contatos: Cláudio Gomes (87) 9633.3342 ou Seriza Janaína (87) 9922.8001.
Motociclistas e jipeiros fazem trilhas de aventura. Também não têm calendário fixo. Por épocas chegam a praticar todos os fins e semana. Contatos: motos Lupércio Moraes 9924.5704 e jipes Araújo (mecânico) 9992.9593

14) Trilha e Festa do Caju –
Foi promovida por dois anos também pelo Grupo Frente Jovem, ganhando a adesão de jipeiros e motociclistas. Obedecendo a safra do caju ocorria no fim de novembro/início de dezembro. Não sei o motivo de não ocorrer no ano passado. O contato é Augusto Martins.

15) Escrituras Rupestres. (Visita durante todo o ano aos Sítios Arqueológicos) –
Infelizmente continuam à mercê do tempo. Não há ainda um trabalho de registro, preservação, ordenação de acesso e outros cuidados. Entra nosso plano de turismo a ser elaborado tão logo possamos no s dedicar a ele.

16) Encontro de Carros Antigos do Sertão –
Ocorreu pela primeira vez este ano (2009). Aprovadíssimo para uma primeira edição. Raridades locais e de vários municípios foram reunidas na Avenida Rio Branco no dia 25 de janeiro. A realização ficou a cargo de Lupércio Moraes, o mesmo dos Motociclistas Trilheiros.

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Alexandre Morais – Autobiografia

Meu nome é Alexandre José Lira de Morais. Nasci em 26 de fevereiro de 1977 em Afogados da Ingazeira, Estado de Pernambuco.  Em 10 de junho de 2005 me casei com Veratânia Lacerda Gomes de Morais na fazenda Serrote, zona rural da minha terra natal. Resido na Rua Diomedes Gomes, 152.

Meus pais João Batista de Morais (militar/PMPE) e Maria Letícia Lira de Morais (professora) tiveram dois filhos, sendo eu o mais velho.

Sou Jornalista e Agente Penitenciário do Estado de Pernambuco. Atualmente exerço o cargo de Secretário de Turismo, Cultura e Esportes do Município de Afogados da Ingazeira.

Como todo infante de família simples do interior, dividi o meu tempo entre a escola e as brincadeiras de rua. A origem rural de meus pais transmitiu-me muitos valores de simplicidade, e o contato direto com pessoas do campo despertou-me o gosto pelos tipos, costumes, ditos e causos populares.

O rádio foi outro indutor de minha formação inicial. Fazia visitas freqüentes à Rádio Pajeú e quase sempre dormia ao som de um moto rádio, no qual meu pai sempre ouvia os jogos do Santa Cruz (daí a minha sina tricolor), mas que eu, além dos jogos sintonizava à noite, quando a Pajeú saia do ar, as rádios Globo do Rio de Janeiro e Sociedade da Bahia.
 Na Pajeú tenho fortes lembranças do senhor Abílio Barboza na técnica de som, manuseando habilmente LPs e rolos enormes de fitas. Aquilo prendia mais minha atenção do que os próprios locutores. Neste tempo também é que a poesia começava a surgir. Digo, a admiração por ela. Sempre despertava a atenção o tocar de violas e guardo o canto dos gêneros Coqueiro da Bahia e Galope a beira mar (que na época para mim não eram improvisos, mas músicas gravadas).

Mais jovem, procurei participar de tudo que a mim chegava: esportes, teatro, música e todas as atividades extra-escola ou surgidas a partir dela. Da insistência em jogar futebol surgiu a grande oportunidade. Um primo me convidou a fazer um teste no Sport Recife. Mesmo conhecendo o pouco talento para tal, aceitei de pronto e a aprovação foi imediata. Não no futebol, mas no vestibular para o curso de Jornalismo. Eis uma lição de que não se deve deixar passar as oportunidades. Foi por abraçar uma delas, mesmo incerta, que alarguei horizontes e assegurei minha formação profissional.

Ostento passagens pelas secretarias estaduais da Fazenda e de Imprensa, Diário Oficial do Estado, Rádio Clube, Sintonia Comunicação, Jornal Vanguarda, Agreste On-Line, M&M Comunicação, Assembléia Legislativa de Pernambuco, Rádio Pajeú, Prefeitura de Afogados da Ingazeira e trabalhos livres para o Diário de Pernambuco. Paralelo a isto, prestei concurso público e fui aprovado para a função de Agente de Segurança Penitenciária do Estado de Pernambuco. Achei que seria uma rápida experiência. Já se vão oito anos de descobertas e aperfeiçoamento humano, com atuação no Presídio Aníbal Bruno, em Recife, Penitenciária Juiz Plácido de Souza, em Caruaru, e como supervisor das cadeias públicas de Afogados da Ingazeira, Tabira, Carnaíba e Flores.
Estudei na Escola Cônego João Leite (ensino fundamental e básico), Colégio Normal Estadual (ensino médio), Ginásio Pernambucano (último trimestre do ensino médio) e Universidade Católica de Pernambuco (ensino superior).

Faço parte do Rotary Club de Afogados da Ingazeira (presidente 2008/2009); da Loja Maçônica Arquitetos da Paz; do PCdoB de Afogados da Ingazeira (primeiro presidente); do Grupo Trilhas & Trelas. Fui membro do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural e Urbano. Cordéis publicados: > Afogados é assim; > A peleja sem fim de Belarmino Terra Quente com Benedito Pedra Boa; > Os meus Sertões; > U Professô Sertanêjo; > Afogados da Ingazeira, uma cidade que nasceu do amor.   Publicações, frutos de oficinas de cordel: > Grupo Renascer (Grupo da Melhor Idade); > Lampião Rei do Cangaço (Alunos da 3ª série da Escola Municipal São Sebastião – 2006); > Iguaracy terra do sol (Formandos da Escola Professora Rosete, Iguaracy – 2007); > Afogados da Ingazeira e sua história (Alunos da Educação de Jovens e Adultos da Escola Municipal Professor Geraldo Cipriano – 2007); > O Zé, a festa e a peleja (alunos da Educação de Jovens e Adultos da rede municipal de ensino de Carnaíba); > A Semana da Cultura (oficina de cordel na Semana da Cultura 2008 da Fafopai)
Outros > A feira da Ingazeira (Associação Comercial da Ingazeira); > Uma casa no sertão (Escola Dom Mota).


3 Jul

Tributo a Quincas Rafael

Se meu pai estivesse vivo
Completaria noventa,
A saudade só aumenta
No meu coração cativo.
Com único lenitivo
Ficou sua poesia
Que traduz com maestria
As coisas do meu sertão
E assim por devoção
Eu faço esta honraria.
 
Obrigado por dito
A mim com simplicidade
O valor de uma verdade
E o malefício de um grito.
Por mostrar como é bonito
Viver sempre com decência
A pureza da inocência
E o resultado da fé
Mostraste a mim o que é
O terror da violência.
 
O seu exemplo fará
Parte do meu dia-a-dia
Seus versos têm a magia
Da sua Jabitacá
Sua alegria será
Todo dia copiada
E a sua gargalhada
Inda soa em meus ouvidos
Seus passos serão seguidos
Nessa minha caminhada.

Ademar Rafael Ferreira
Marabá-PA, 25 de fevereiro de 2011


Homenagem ao meu pai


(Permitam-me fazer esta homenagem ao meu pai Quincas Rafael, cujo
falecimento está para completar 10 anos.)

Me ensinou: “Cuide do alheio / Aprenda com o rude e o fidalgo,
Não reclame da vida tendo algo / Não critique quem fez um papel feio
A um irmão que está no aperreio / Dê amor, carinho, casa e pão
Tema a Deus e tenha devoção / Como fez o profeta Ezequiel”
São dez anos sem Quincas Rafael / Uma década de luto no sertão.

Ele criticou sem medo, / Roberto, Múcio e Joaquim.
Não gostava de Delfim / Golbery nem Figueiredo
Nunca levantou um dedo / Em defesa do “Rei do Maranhão”
Apoiava Gregório e Julião / Não gostava de Marco Maciel
São dez anos sem Quincas Rafael / Uma década de luto no sertão.

Defendia o povo nordestino / Em cada estrofe que fazia
Foi devoto ardoroso de Maria / Escreveu sobre Adolfo Nobelino
Concordava com a causa de Silvino, / De Lamarca, Zumbi e Lampião,
Conselheiro, Frei Caneca e Osvaldão, / Zé Pereira, Guevara e de Fidel,
São dez anos sem Quincas Rafael / Uma década de luto no sertão.

Ademar Rafael Ferreira
Marabá, PA Brasil – 13.10.2009

AFOGADOS – Cem anos com e sem você

Com você eu sorri na mocidade,
Sem você eu dormi pelas calçadas,
Com você eu varei mil madrugadas,
Sem você eu perdi a liberdade.

Com você persegui a humildade,
Sem você eu penei nas caminhadas,
Com você eu tracei novas estradas,
Sem você descobri o que é saudade.


Com você desenhei mais de mil planos,
Sem você nesta festa de cem anos,
Um de julho será sem alegria.

Sem você toda festa é diferente,
Com você eu espero brevemente,
Relembrar com afeto o grande dia.

Ademar Rafael Ferreira
Marabá-PA, 09.06.2009

Meio Século

Nesses meus cinquenta de idade / Procurei não ser vítima do destino,
Nem troquei os meus sonhos de menino / Por dinheiro nem por notoriedade.

Em defesa de plena liberdade / Atuei como anônimo paladino.
Fui poeta, fui louco e peregrino, / No “sertão”, na “vereda” e na cidade.

Com meus pais aprendi andar nos trilhos, / Com a minha esposa e com meus filhos
Aprendi a viver sendo feliz. / Esmaguei toda empáfia que eu tinha
Ao ouvir do “eterno” Gonzaguinha / A receita pra ser um “aprendiz”.

Ademar Rafael Ferreira
Vitória da Conquista, BA, Jan/2007

Para Sávio
15 anos, trinta versos II

Sávio, entenda que a vida. / Não dá direito à reprise.
Redobre as forças que a crise / Passará despercebida.
Nunca valorize o medo / Defina seu próprio enredo
Com muita serenidade, / Conduzindo a sua cruz.
Siga os ditos de Jesus / Com coragem e humildade.

Aprenda a conviver / Com opiniões contrárias
Coisas extraordinárias / Você irá aprender!
Não antecipe o futuro. / O único porto seguro
Que existe é o presente. / Seja íntegro, faça o bem.
Só se espelhe em alguém / Que for honesto e decente.

Não faça vestibular / Por grana, batas ou togas.
Fuja do mundo das drogas / A ninguém queira enganar.
Com denodo e coerência, / Tenha fé e persistência
Pra trilhar vários caminhos. / Rejeite as coisas danosas.
Aprenda cultivar rosas / Sem se ferir nos espinhos

Ademar Rafael Ferreira
Vitória da conquista, BA, jan/2007

Invocação Rotária

Quando o Rotary celebra o centenário,
Invoquemos a homens e mulheres:
Que a idéia marcante de Paul Harris
Seja inclusa em nosso itinerário.

Para um mundo sem fome, igualitário.
Recorremos ao poder da deusa Ceres
E seja enredo daquilo que fizeres
A Prova Quádrupla, maior símbolo Rotário.

Inspirados nos feitos de Gustavus,
Invistamos milhões e até centavos
Pra que a Pólio não alcance outro menino.

Que com gestos de amor e mente sã,
As visões de Silvester e de Hiram,
Renovemos nas batidas de um sino.

Ademar Rafael Ferreira
Presidente do Centenário do Rotary Clube de Marabá – Pará
Santarém-PA. 27 de fevereiro de 2005

Para Raíssa
15 anos, trinta versos

Jamais perca a inocência, / Cultue a simplicidade,
Busque a ética e a prudência / Junto da maioridade.
Respeite seu semelhante, / Seja sempre radiante
E ouça seu coração. / Faça tudo que quiser
E em tudo que fizer / Bote amor e emoção.

Não se deixe escravizar / Por pai, por mãe ou marido
E saiba como filtrar / O bom no conselho ouvido.
Aprenda com os sacrifícios / Não permita que os vícios
Venham abalar sua vida. / Não se humilhe a ninguém,
Só para Deus diga amém / Só ame sendo querida.

Não cultive hipocrisia, / Dê carinho ao penitente.
Plante sempre a alegria, / Seja honesta e combatente.
Não se abale com derrota. / Não persiga a melhor nota
Apenas por vaidade. / Não aceite conformismos,
Não conviva com modismos, / Viva a vida de verdade.

Ademar Rafael Ferreira
Marabá, PA – novembro 2003


25 Jun

ESCRITORES / POETAS: Maria Lúcia de Araújo Nogueira

Maria Lúcia de Araújo Nogueira

Advogada e escritora

Nascida em Afogados da Ingazeira, de lá saiu para residir na cidade do Recife, onde mora e está baseada sua família. Entre contos e crônicas publicados, destaco os dois livros escritos por ela: FRAGMENTOS DA VIDA E ABSTRAÇÃO, ambos inspirados na sua vivência familiar, no seu amor a vida e na descoberta de que pode escrever, sem medo ou vergonha no coração, apenas a certeza de que tudo é possível, quando se leva a verdade nos lábios.

A Maria Lúcia, parabéns e votos de que continue a criar e nos brinde com sua verte literária, anotando suas impressões sobre o cotidiano, sobre a vida, sobre o amor, num questionamento insofismável que ronda toda a nossa existência. Com os olhos encharcados por esse pitoresco trabalho, no mistério lírico de suas escritas, surgidas com o gemer do lápis em sua mão, peço que não estanque sua veia imaginativa e não tenha receio da avaliação crítica que virá, ela faz parte da aventura de quem aprende e quer melhorar.

Siga em frente, COM JEITO DE FAZER deixará de ser o jeito de você falar do amor, da fábula e do pitoresco, para se tornar um hino aos que não têm temor de ousar.

Alberto Nogueira Virginio.

O RIO DA MINHA TERRA

Alegria indizível trazida
Pelo ventre das chuvas dos ventos alísios.
O mandacaru florou,
A seca foi embora,

O feijão canivetou,
O milho encanou e bonecou,
Os barreiros encheram
E o gado refestelou-se na pastagem verdejante

Tudo isso porque o Rio Pajeú, que nasce em Itapetim
Correu para a minha cidade
E afogou o que estava queimado pelo sol,
A ingazeira renasceu.

As pedras estão brilhantes,
Ensaboadas pelas águas barrentas, que rebolaram
Pelas terras de São José do Egito,
Entram em Tabira e penetram leito adentro

Espichando garranchos
Destruindo a pasta verde que tomou o seu lugar.
O povo, em festa, pendura-se nas pontes,
E mergulha o olhar na imensidão da água que ocupa tanto.

Nem o açoite dos ventos,
Nem o balançar da ponte, tomada de gente de todos os credos
Nem os pilares mergulhados no barro,
Nem a cobra verde que pede socorro para não ser arrastada pelas águas ruidosas

Nem o ribombo do trovão,
Nem o alumiado dos raios,
Nada é capaz de tirar dessa gente, o feitiço provocado pelo Rio Pajeú
O alumbramento é tamanho

Que toda a destruição feita ao rio,
São águas passadas e levadas sem rastro,
O tapete verde foi puxado para dar passagem ao seu dono
Ausente por tanto tempo,

Mas presente na lembrança dos mais velhos que lhe respeitam
E seguem suas enchentes.
Um rio que nasce sozinho e que entra noutro rio
Que carrega Francisco no nome,

E é santo por devoção,
Porque ninguém encontra um rio tão necessário e cativo,
Que enrica quem o tem aos seus pés
Que dá do mesmo tanto que recebe.

No jeito retumbante que mostra,
Na cor amarelo queimado da terra,
No som profundo que traz,
Na garganta poderosa que possui,

No enfeite de renda branca espumosa
Ladeando um canto a outro suas barreiras.
A água, numa corredeira de beleza sem igual,
Não mitiga o azul do céu encoberto,

De cinza e chuva suspensa
Azul, amarelo, branco e verde da nossa bandeira,
Cores vivas e fortes
Que se tocam em harmonia

E se completam nos gritos dos trovões assustadores,
A soltar coriscos pinotando sobre os lajedos
Clareando seu caminho pelos raios potentes
Que rasgam o firmamento e se perdem na terra barrenta,

Encharcada de fortuna e abundância
Pelas enchentes do Pajeú
Que majestoso confirma seu reinado triunfante
E segue uma trilha só dele conhecida
Para encontrar e se misturar ao velho Chico mineiro,
E entrar no mar do mundo de todos os mistérios.

Recife, 18 de dezembro de 2009
Maria Lúcia Nogueira

RUSTICIDADE CRUEL

Nas pedras descobertas no Sertão esquecido,
Sem vegetação que as cubram, veem-se a olho nu,
Sujas de barro cru, as locas onde se escondem preás, punares
e outros bichos comuns, nos carrascais sertanejos,
Que se furtam do sol impiedoso que os queima.
Nesse mundo tão grande sobra espaço até para se tirar leite
de pedra.
Ou é leite do aveloz?
O preá e algumas aves matam a fome de tantos homens,
Que se espremem para viver
E ainda, são considerados parias da sociedade.
Homens honestos, simples,
Que não roubam, nem envergonham,
Mas que são considerados, por alguns, imprestáveis e
viciados em preguiça.
Esses homens não exigem nada, mas esperam mudanças
verdadeiras
Nos espíritos empedernidos e arrogantes daqueles que
podem ajudá-los
A sair dessa vida escondida, ornada de cactos e mulungus,
Eles também plantam na paisagem altiva que se agiganta a
cada ano.
O descaso com o desnecessário incomoda a quem não está
acostumado a viver com tão pouco.
O homem espreita o preá, que lhe escapa e sobrevive.
A rolinha voa e despista o alvo certeiro. Não é levada dentro
de um bornal, morta. Restando a estes homens, muitas vezes,
as vagens de mucunãns, para serem comidas de gente que
aguarda com pratos limpos, por algo que lhe caia do céu.
Esse sim, é o povo bronze, pintado em cinzel, crente,
Que perambula nesse solo de pereiros, caatinga, aveloz e
cactos,
Cocada de coco queimado, corajoso e astuto, consciente de
suas limitações, gigante em suas emoções.

Malu Nogueira
entrelacosdocoracao.blogspot.com

TZIU

O tiziu, com suas penas preto-azuladas,
Mais umas brancas no peito,
Pula de árvore em árvore,
Catando galhos sem folhas,
Pula e pula, sempre no mesmo lugar,
Em minúsculos vôos verticais,
Nos campos desse sertão longínquo
Chegou a vez dele,
Ele voltou feliz
E trouxe as chuvas
Que traz as folhas verdejantes,
Qual tapete tecido amorosamente
Recebem o inesperado hóspede
Ele olha tudo a sua volta
Confere, em alegria,
O que a chuva fez,
Muita semente verde, capim,
Frutas maduras, abertas para ele saborear,
Água para beber,
Amigos para tricotar,
Poleiros e mais poleiros para sacotear,
Que bom voltar e ficar
Nesses dias intensos,
Clareados por raios,
Despertados por trovões
Esfriados na garoa.
Mais amigos que chegam
A mostrar seus filhotes
Com alarido e penas
Nos galhos molhados e lisos
“tis-ziu, tis-ziu, tis-ziu
Canta em exibição o tiziu pretinho.
Toda passarinhada acode,
Vem ver o que o nego trouxe na bagagem:
Uma trouxa de fartura,
Um pacote de botões de flores,
Toneladas de sementes,
Sacos de pólen,
Balões de ar fresco,
As negras asas do pequeno tiziu
Vergaram-se sob o peso de tão preciosa carga.

Maria Lúcia de Araújo Nogueira
www.portaldoescritorpe.com

Quando do lançameno do seu livro COM JEITO DE FAZER (Edições BAGAÇO), o presidente da Academia Pernambucana de Letras fez sua apresentação:

Diletíssima Dra. Maria Lúcia de Araújo Nogueira.

ALGUMAS PALAVRAS COM SABOR DE SERTÃO

A mim, me coube, através de gentil convite, a subida honra desta saudação. Faço-a com a alma repleta de contentamento e o júbilo de quem fala sobre uma escritora que tem a mente transbordante de idéias e um desejo enorme de extrapolar os seus nobres sentimentos.

Conheço de perto a lavra literária da Dra. Maria Lúcia, essa sertaneja que traz no coração o bem querer da terra/berço e na memória, o panorama inconfundível da sua infância dividida entre a cidade e o campo. O campo donde emana o cheiro de curral e a cantata do carro de boi pela voz dolente dos cocões de aroeira.

Temos, afinal, a publicação de um dos livros dessa escritora. Digo assim, porque este “COM JEITO DE FAZER” não é a primeira obra escrita por essa espontânea poetisa. Já tive o prazer imenso de ler os originais de outros filhotes literários dessa sertaneja de Afogados da Ingazeira.

Nascida naqueles rincões e envolvida no manto sagrado da caatinga nordestina, acostumada a correr nas campinas verdejantes das várzeas do lendário Pajeú, rio cantado e decantado pelas violas plangentes dos repentistas de lá.

Vivenciada e conhecedora profunda da fala e dos costumes da gente do sertão, Maria Lúcia, possui um raciocínio rápido e uma privilegiada mente fotográfica, tendo ainda uma memória armazenadora de fatos e paisagens, do pretérito e da atualidade.

As flores das Ingazeiras, as que não foram afogadas, dos ipês roxo/amarelos, dos umbuzeiros e dos xiquexiques rasteiros da terra calcinada deram, com seu perfume, a inspiração poética e criativa dessa autora imediatista. A gargalhada heróica das casacas de couro, o canto mavioso do sabiá-do-sertão, o grito monocórdio da seriema, o descanso da codorniz nas moitas dos serrotões, toda essa paisagem enriquece a poesia dessa conterrânea.

Este “COM JEITO DE FAZER” traz nas suas páginas um somatório de prosas poéticas e versos heterométricos.

Dissociada dos rigores da métrica e do processo poético universal, Maria Lúcia, na ansiedade de expelir o conteúdo imagístico da mente, joga no papel a sua poesia esvoaçante, livre e desimpedida, telúrica e sertaneja, corajosa e independente. Poesia cheia do sabor nordestino: da buchada ao rubacão, do bode assado ao mugunzá, do cuscuz de ralo ao capão de chiqueiro.

Escritora neófita no mundo das letras, porém veterana no universo da vida. Bacharela em Direito e doutora formada pela universidade do Pajeú, berço de poetas iluminados pelo sol causticante do semi-árido, onde o som da viola confunde-se com o gorjeio do passaredo e a poesia assume a musicalidade incomparável, oriunda dos matagais rasteiros e das capoeiras ressequidas do Nordeste.

No poema ALVORECER, se referindo ao enlevo da adolescência junto ao namorado, diz a certa altura: “tudo muito inocente,/ mesmo o sutil toque das mãos./ a noite era cúmplice dessa felicidade infantil./ O desejo de descobrir estava estampado em nossos rostos. / O coração primaveril festejava o amor descoberto”.

Vemos neste poema o sentimento fraternal e romântico traduzido numa narrativa verossímil e autêntica da menina-moça sertaneja. Da menina acostumada com o falar do velho cachimbador, da mulher apanhadora de algodão, da cevadeira na casa de farinha, do menino caçador de rolinhas nas noites de facheadas, do vaqueiro encourado exibindo através do gibão a raça incomparável do homem campesino. Eis a convivência da adolescente, no dia-a-dia da vida e nas horas de recreio do colégio inesquecível.

Este livro, a primeira vista parece uma mistura de prosa e poesia, onde não se lhe deu uma seleção mais acurada. Não é bem assim. Ele demonstra o cabedal, a cachoeira de palavras que jorra da mente iluminada da poetisa. A produção literária de Maria Lúcia é abundante. As crônicas aqui expressas também se revestem de um conteúdo poético que lhes assegura e justifica a inserção no âmbito desta obra.

Em BOLO DE CASAMENTO encontramos uma grande criatividade:

Ingredientes:

“Um par de noivos felizes, / um par de alianças de ouro, / uma medida sem fim de amor infinito, / toneladas de respeito e paciência, / potes de sonhos, / um mundo de realizações, / uma pitada de sal, / fermento o quanto baste, / nuvens de carinho e alegria, / uma casa nova, / quilômetros de abnegação e zelo”.

Depois ela apresenta o modo de preparo.

Este é um poema criativo e ao mesmo tempo uma mensagem de convivência conjugal tão importante nos dias de hoje, onde o verbo “ficar” fala mais alto.

Destaco, a seguir, o conteúdo erótico/filosófico do poema:

UMA CERTEZA

“Meu pensamento questionador, não decifra o horizonte. / Na porta entreaberta do meu eu, há algo inacabado. / As estrelas que não vi no firmamento hoje, com certeza as verei amanhã. / O sol só me queimou, porque eu a ele me expus. / O vento não pediu permissão para mexer nos meus cabelos.

E conclui:

… O sol me queimou, para que eu me recordasse do calor que você deixa em meu corpo sequioso de afagos. / O vento quando me veio trouxe a lembrança de suas mãos a acariciarem minha pele, sedenta de traquinagem, por toda a minha vida”

Esta é mais uma característica deste livro: a liberdade de expressão, sem cacoetes, sem meias palavras, sem hipocrisia.

De repente, o livro COM JEITO DE FAZER fala com o jeito do Pajeú. As primas e os bordões das violas dos cantadores sonorizam os versos nas duas quadras do poema:

IMPROVISO DA VIOLA

“Não há nada mais perfeito / do que a viola que transcreve de leve / O canto triste que escreve / o retrato da dor do peito. / No meu canto eu guio / a aridez do meu coração / mesquinho e sem emoção / que por você rodopia sem fio”.

A miscelânea polimétrica de rimas consoantes deste poema destaca valor no livro e mostra uma abrangência considerável do jeito de escrever de Maria Lúcia. Do jeito como o povo do sertão se comunica: enquanto o violeiro se utiliza da métrica perfeita e da rima impecável na poesia, o povo sertanejo, independente dos cantadores, tem uma linguagem eminentemente heterogênea e descontraída.

Na quantidade de escritos desta cronista, a busca da qualidade fica mais viável, uma vez que há o universo quantitativo para a escolha exigente de cada leitor.

O livro COM JEITO DE FAZER chega ao cenário da literatura pernambucana. Quem ler este livro terá a oportunidade de perceber o transbordar verbal da autora. Ela insere ainda, uma crônica intitulada RUSTICIDADE ADOCICADA: um relato autêntico da lufa-lufa diária do homem do campo e o império da lei pela força maior: Pai Velho representa aqui o senhor de engenho semelhante aos seus ancestrais possuidores de escravos. Vale conhecer os detalhes das tarefas e a tramitação do trabalho na fabricação de açúcar, rapadura e aguardente no sertão e em todo o Nordeste brasileiro.

Receba Dra. Maria Lúcia de Araújo Nogueira, os meus parabéns e a certeza de que o seu fazer literário terá lugar no âmbito da literatura pernambucana. Prossiga na sua missão vocacional de sempre escrever. Abra o cofre intelectivo da mente, burilando a sua prosa/poética com o objetivo primordial de mostrar que a arte é coirmã da técnica e da beleza.

A brisa mansa do Pajeú e o arrulho da asa-branca serão sempre porta-vozes fidedignos da sua poesia.

Muito obrigado!

Carlos Severiano Cavalcanti


18 Jun

De Puta a Deputada… E Vice-Versa!

A campanha eleitoral já está nas ruas. Dentro em breve os Nobres Deputados, fichas limpas ou não, através de seus militantes deixarão as ruas emporcalhadas com pichações, panfletos soltos nas avenidas, desrespeito a propriedade privada – abrindo letreiros em muradas, sem a permissão do dono, etc.

Na mídia, os favoritos seguem digladiando, mas sempre posando de defensores da moral e da ética. Cada um defende debates de alto nível, todavia, não perdem a oportunidade de enfatizar os podres recíprocos. Chegou a hora de levantar o tapete e mostrar o lixo da consciência de cada um. Alguns, bem conhecidos. Só para lembrar: o Garotinho, a exemplo de Maluf, trava acirrada batalha judicial para conseguirem, ambos, manter suas candidaturas.
Aqui vem a “brecha da Lei” e, em cima dela, cada cafajeste escarnece da justiça e do povo.

E diz a Lei: “enquanto não houver sentença condenatória transitada em julgado, prevalece a presunção da inocência do individuo”. Está lá! É cláusula pétrea de nossa Carta Magna. Mas a brecha da Lei faz prevalecer a máxima: Dura Lex sed Lex. (A Lei é dura mas é lei), no entanto, lá no Maranhão, já falei nisso, os “luminares do Direito” entendem que a lei não deve retroagir para prejudicar, assim, encontraram fundamento para deferir candidaturas de pessoas espúrias. Passando ileso Zequinha (Sarney), Roseana (Sarney), Jackson Lago (recentemente cassado), passa o resto. Onde passa boi, passa boiada.

Lá no feudo do Velho Sarney e seus Maribondos, como de resto do Brasil, dá-se um jeito e: Dura Lex sed látex (A lei é dura mas estica). Seguindo o périplo de iniquidades, vêm Renan Calheiros, Joaquim Roriz, Cássio Cunha Lima, Collor, aliás, em Alagoas todos os candidatos a Governador têm problemas com a Justiça.

No Rio de Janeiro tem Gabriela Leite, que pretende tomar as ruas com sua campanha e o slogan muito sugestivo e emblemático: “UMA PUTA DEPUTADA”. A Gabriela é prostituta e pretende reeditar o feito de Cicciolina, lá da Itália. A nossa puta (desculpem), a nossa pretensa deputada se diz empresária, fundadora da Marca DASPU e fundadora da ONG – DA VIDA. Prefere ser tratada de prostituta. Se eleita, teremos discursos e saudações surrealistas.

Imagine um Nobre deputado dirigindo-se à colega e enaltecendo o seu passado: “Nobre Colega deputada, V. Exa. quando era puta, conheceu os problemas mais diretamente ligados ao nosso povo”. Seria apenas cômico, se não fosse revoltante saber que na Casa Legislativa onde pontificaram tantos nomes dignos de respeito, transformou-se num antro de delinquentes, transgressores da lei e que se acham no direito de bradar com o maior cinismo que são portadores de conduta ilibada. Mas a Democracia tem como princípio basilar: “O poder emana do povo”. Resta a esse mesmo povo escolher os seus representantes.

Voltando à puta que quer ser deputada, caso seja eleita, se sentirá à vontade numa Casa onde encontrará, com certeza, muitos “filhos de suas ex-colegas de trabalho”. Será a confraternização dos assíduos frequentadores das altas rodas do baixo meretrício”.
Viva a Democracia!

Uma Crônica… Sem Assunto

Fico a imaginar o que sente um jornalista que tem coluna fixa e diária num jornal e, de repente, vê o tempo passar, a hora de entregar a matéria para ser publicada chegando e… nada de assunto! Como preencher aquele espaço em branco no jornal?

Pensa ele em falar sobre o esforço que se fez até que se aprovou a Lei do “Ficha Limpa”. Mas, o que dizer, se a Lei já está sendo burlada, como sempre acontece, com a utilização da famosa “brecha na lei”. Só para se dar uma refrescada na memória, lá no Maranhão, o Duda Mendonça, que fará a campanha de Roseana (por míseros 12 milhões de reais), recomendou que nos cartazes não se use o nome Sarney. MOTIVO: para que não se ligue o nome da filha ao pai. Coisa de se evitar perda de votos por rejeição.

A capital e o interior do Estado já estão “enfeitados” com folders onde aparece uma foto da “queridinha do papai”, porém apenas o nome Roseana-15. E lá, também, os provectos e ínclitos magistrados do TRE encontraram fundamento para DEFERIR a candidatura do Sarney Filho, o Zequinha. Tudo isso é assunto já velho e saturado.

E pensa o escriba em falar das estradas do Sertão. Dizer mais o quê, se já se falou tanto e os buracos só fazem aumentar.

Outro assunto palpitante é a esperança que se (im)plantou, novamente, no brasileiro: a seleção se renova com NOVO técnico, novas estrelas e vamos todos com o pensamento voltado para 2014. Isso é ótimo, pensam os – fichas sujas – lá de cima, porque desvia a atenção dos incautos que não cobrarão propostas de campanha. Na hora da carreata, é só vestir uma camisa de malha vagabunda com a foto de um crápula qualquer e garantir seu lugar, por quatro anos, fazendo todos de idiotas. Este também é um assunto por demais explorado.

Pode-se falar aqui na grande corrente de solidariedade que se formou em socorro das vítimas da Zona da Mata. Lá também foram flagrados oficiais da polícia roubando os donativos. Isso é possível? É, pois a Lei do Gerson não foi revogada. É repugnante? Disso não tenho dúvida. Roubar de quem já não tem é chegar no fundo do fundo da degradação da moral humana. É por isso que já se está sedimentando a ideia de que a desonestidade vem no DNA do brasileiro. Não de todos, evidentemente, mas em grande parte, isso está provado.

E o assunto para a crônica, qual será? Calma, amanhã tem mais, afinal estamos no Brasil, o país da crônica pronta.

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, 28 de julho de 2010

Palmatória? Nem pensar!

Encontrei-me com minha adotada irmã, a professora Elvira de Siqueira, e ela, como sempre, teceu elogios a respeito do meu comentário sobre a estrada de Carnaíba e suas cruzes. A Elvira é generosa em suas avaliações sobre o que escrevo. Enquanto ela fala, fico lembrando que sempre nos ocorre de gostar mais da comida da casa “alheia” do que da de nossa casa. Eu prefiro os textos produzidos pela professora Elvira aos meus. Mas deixa pra lá. Eu vou continuar escrevendo e a professora fique à vontade para corrigir, sempre que preciso for. O assunto que vem à baila é a Lei da Palmada . Coisas desse Brasil que é pródigo em legislar.

Numa consulta rápida ao Código Civil vigente, veremos que essa matéria já está disciplinada em seu Art. 1.635, ao tratar do Poder Familiar que era denominado no Código de 1916, como Pátrio Poder . O Código vigente assim dispõe:
Art. 1.635 – Perderá por ato judicial o poder familiar o pai ou mãe que:
I – castigar imoderadamente o filho.

Também, no Código Penal, há previsão de pena para quem submeter maus tratos a uma criança que esteja sob sua autoridade. Esta hipótese está prevista no Art. 136 do Código Penal, que em seu final diz textualmente: “abusando de meios de correção ou disciplina”.

Como se pode observar, é flagrante a prodigalidade deste país quando se trata de Legislação. Temos Leis pra tudo, inclusive, e principalmente, para não serem cumpridas. Bastaria uma consulta aos dois Códigos citados e se veria que a matéria já está disciplinada. Esse é um aspecto do problema. O outro é o custo de uma lei dessas para a nação. Quanto se gastou em discussão, através das comissões, plenário etc., até que o texto legal seja aprovado e entre em vigência. Não lembro onde, mas vi uma informação de que Um Minuto de funcionamento do Congresso custa para nós outros, homens comuns da plebe rude, a bagatela de R$ 11.500,00 (onze mil e quinhentos reais). Isso mesmo, aí incluído desde o cafezinho até o cartão corporativo. Quantas sessões foram necessárias até que esta lei ficasse pronta?

Outra faceta do problema: essa, gravita no campo das hipóteses, porém não é impossível de ocorrer. Imagine que dois vizinhos são desafetos. Numa determinada ocasião um deles escuta o choro de uma criança e resolve prejudicar o seu desafeto. Com um simples telefonema para a polícia ou Conselho Tutelar, informa que uma criança está sendo espancada na casa vizinha e vai tudo parar numa delegacia. E até que se esclareça a verdade, o estrago já está feito. Assim como o Estatuto da Criança e do Adolescente, quase sempre, funciona como um estímulo à delinquência infanto-juvenil, assim, também, esta lei terá seus pontos negativos, neste sentido.

Lembro que fui criado ainda sob a égide da palmatória e, na Escola, ainda funcionava, aqui acolá, uma “reguada” como reprimenda a alguma travessura. Nem por isso deixei de amar minha mãe, como nunca guardei rancor das minhas professoras que tiveram que ser mais rígidas, no momento oportuno.

No meu tempo de menino, felizmente, existia a autoridade paterna e materna, sem que fosse preciso o Estado imiscuir-se, de forma negativa como agora, na criação da família. Respeitavam-se os pais e do mesmo modo as professoras, nossas segundas mães. Era assim que tínhamos a imagem de nossas abnegadas Mestras.

Falei o que penso e quem não concordar não me venha com palmadas, pois agora é proibido!

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, 24 de julho de 2010

Vidas Ceifadas… Cruzes Fincadas
Como Tristes Lembranças


Com prazer “degustei” a crônica do estimado Daniel Bueno. Esse cara não perde o jeito “leve e solto” de escrever. Observador e detalhista como sempre, pintou o quadro dantesco em que se encontram as rodovias do nosso sertão. Mas o Daniel é um privilegiado pela sorte, pois não tem, como nós daqui, que enfrentar estas estradas todos os dias. Eu que trabalho em Carnaíba, faço essa “via-crúcis” às terças, quintas e sextas-feiras. Para não perder o costume, as segundas e quartas-feiras, vou a Tabira e a situação não é diferente.

Hoje, dia 23, ao sair de Afogados me ocorreu a ideia de contar as Cruzes que existem à beira da estrada. Lembro que ao chegar às proximidades do Bar do Guiné, já havia contado 10 cruzes. Esse trecho não é mais que 5 km. E a contagem continuou. Livrando-me de alguns buracos, porque de todos é impossível, prossegui… Ao atingir 29 cruzes, pensei, com mais uma teremos a trigésima. Nisso vinha em direção contrária um ônibus da Progresso tentando livrar mais um buraco e, por pouco, não colidimos frontalmente. Aí sim, eu seria o titular da trigésima cruz na beira da estrada.

A viagem continua e o número aumentando para tristeza nossa e vergonha daqueles que têm o dever de cuidar das nossas rodovias. Nas imediações da entrada para o Sítio Santo Antônio lá está a cruz que marca a perda que tivemos do genial – ZÉ MARCOLINO. Logo Zé que compôs um lindíssimo poema sobre a estrada. Não consigo passar naquele local sem que me venham lembranças dos encontros que tive com Zé Marcolino, suas “estórias”, seu jeito afável de tratar as pessoas. É lamentável saber que uma pessoa tão dadivosa e útil tenha a vida ceifada pela estupidez de quem deixou uma vaca solta numa rodovia.

Continuo o trajeto até que consigo chegar a Carnaíba. Ao todo consegui contar 42 (quarenta e duas) cruzes à margem da estrada que tem apenas 20 (vinte) quilômetros. Essas cruzes simbolizam 42 vidas que se foram; significam 42 famílias enlutadas; 42 corações de mães, pais, esposas, esposos, filhos, filhas, amigos e amigas que padecem a dor da saudade. 42 cruzes à beira da estrada significam projetos de vida interrompidos abruptamente por um acidente que, certamente, poderia ter sido evitado. É difícil a conformação, a resignação quando se sabe que o problema não é insolúvel. É inaceitável que perdure essa situação, quando assistimos a continuidade dos acidentes e, com eles a promessa de que tudo será resolvido. Quando?

Até quando teremos mais famílias enlutadas, mais veículos danificados pela incompetência gerencial daqueles que têm o dever de solucionar estes mesmos problemas. Por outro lado, é preciso que os prejudicados façam valer seus direitos, reclamem na Justiça e exijam ressarcimento pelos danos sofridos.

A propósito, o Dr. José Carvalho de Aragão Neto, MM. Juiz da Comarca de Carnaíba prolatou Sentença, no último dia 13 deste mês, condenando o Departamento de Estradas de Rodagem de Pernambuco DER-PE por Ato Ilícito por Acidente de Trânsito com Restituição de Dano Material e Lucros Cessantes .

Esta Sentença representa o exercício da cidadania de alguém que estando dentro da legalidade, pagando os impostos incidentes sobre a propriedade e direito de circulação de um veículo, viu-se, repentinamente, com seu patrimônio subtraído pelas perdas e danos, tudo por culpa exclusiva do Estado, que figura no polo passivo da demanda judicial, assumindo a responsabilidade objetiva. Daí a condenação segundo os ditames legais.

É isso que se precisa fazer. Cada cidadão DEVE exigir o respeito aos seus direitos consagrados na Carta Magna. Nunca acomodar-se. Nunca esquecer a máxima milenar: “Dormientibus non sucurrit jus” ou, para nós outros, “A lei não socorre os que dormem”.

Aqui fico pensando nos buracos que enfrentarei amanhã quando irei, mais uma vez, à cidade de Zé Dantas e Daniel Bueno.

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, 22 de julho de 2010

Ademar e Outros Vates…

Tomei conhecimento da participação do meu Irmão Ademar nesta página, por telefone. Estava na praça quando o Fernando leu todo o texto pra mim. Ao final, fiquei lembrando as palavras do meu Mestre Zé Rabelo: “o poeta é como uma cascavel; passe por ela quieto e nada lhe acontece, mas se mexer, pode esperar que vem o ataque”. Assim é o poeta, no bom sentido. O Ademar estava lá caladinho e, quando o chamei “a terreiro”, ele nos presenteia com um texto belíssimo evocando Estrelas de 10ª grandeza, como Zé Catota, Biu de Crizanto, Jô Patriota, Zeto e Zé Marcolino.
Só para citar estes que fazem parte da infindável constelação de Astros que temos na Terra dos Vates. E o Zé Catota certa vez cantando com Jó e Lourival, este terminou dizendo: “José Catota apanhou de Laura Leila uma vez”. Ao que Zé Catota, responde: “Em breve vejo vocês // Passando por esta cena // Das Neves batendo em Jó // Louro apanhando de Helena // E eu na porta escutando // Achando graça e com pena”.

Mas o nosso celeiro é isso, uma fonte inesgotável de diamantes que já vêm lapidados pela verve dos nossos poetas. O Quincas Rafael enaltece sua querida Jabitacá com esta pérola: “Esta vila, minha terra // Com este nome gentil // Dos indígenas do Brasil // Talvez foi campo de guerra // Tem hoje o nome da serra // Pertencente aos tabajaras // Antigamente foi varas // É hoje Jabitacá // E em sua igreja há // Lembranças que nos são caras”.

E nos idos de 1973, Rafaelzinha residia em Sobradinho-BA e quando o banzo lhe deixou “troncha” de saudade da terrinha natal, desabafou: “Quem quiser sentir saudade // Faça do jeito que eu fiz // Deixe seu torrão natal // Sem querer como eu não quis // Saia por necessidade // Que depois você me diz”.

Então é isso. Se Deus nos privilegiou de conviver com essas dádivas, não temos necessidade de importar outros ritmos “industrializados” e desprovidos do sentimento puro que há em nossos verdadeiros construtores da arte divina: a poesia.

E para finalizar, vejamos o que dizia, em versos, Antônio Marinho, na década de 40, na sua monumental “O país e a roseira”. “O país é uma roseira // A pobreza é a raiz // No trabalho é a primeira // Na sorte a mais infeliz // A haste, a escadaria // Por onde a aristocracia // Sobe os degraus da vontade // Deputados, Senadores // Desta roseira são flores // Sem responsabilidade”.

A crítica do Poeta-mor, nos idos de 1940 não perdeu o sentido na época atual. É isso, portanto, que defendemos.

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, PE, 16 de julho de 2010

A indignação que expressei na minha última postagem com relação a São José do Egito, creio que outros vates também estão sentindo o mesmo ao tomarem conhecimento do sacrilégio que se pratica com a Divina Poesia, no seu Templo; na terra onde pontificaram os maiores expoentes da nossa arte genuína.
Por isso espero que se pronunciem: o Irmão Ademar Rafael que tem poesia no DNA e o Poeta Danizete Siqueira, mais poeta que dedicado apologista.

NA TERRA DE LOURO, DIMAS E OTACÍLIO,
CALAM-SE OS VATES… FALAM OS VÂNDALOS MUSICAIS


A cidade dos Poetas – São José do Egito – na década de 80 foi palco de festas memoráveis. A quadra do Colégio São José superlotava com o público que vivia as edições do Festival de Músicas promovido por jovens Poetas da terra de Louro, Dimas e Otacílio.
Foi numa dessas noites inesquecíveis que tive o prazer de conversar e conhecer a simplicidade matuta do gênio Zé Marcolino. Ele era simples, desprovido de qualquer ostentação como sua “Sala de Reboco”. Era aquilo que se via na sua fala mansa, seu jeito singular de tratar os amigos. Também, foi nos camarins do Festival que conheci Zeto, ensaiando e cantarolando algumas de suas composições. Assisti seus gestos de amor e vi suas briguinhas corriqueiras com Bia Marinho.
O Festival se dividia em duas partes: os ensaios, a organização de bastidores e a grande festa, quando os valores egipcienses e da região se revelavam com suas músicas inéditas.

Nesse clima de amizade, a residência do Mestre Lourival era uma festa permanente. Bia, Zeto, Val, Zá, Lostiba, Neném Patriota, era talento que não acabava mais. Tinha para exportar. O Velho Louro, sentado na cabeça da mesa, assistia a tudo e transformava-se num adolescente; seus olhos brilhavam a cada verso, a cada canção que se ensaiava. Dona Helena nossa querida anfitriã daquela turma, sempre com um sorriso dava demonstração de que aquele era o seu mundo; o mundo onde aprendeu a viver com o Imortal Antônio Marinho.
No meio da festa adentrava Jó Patriota, Manoel Filó e assim a festança continuava, sem hora marcada para terminar. Era nesse clima que surgiam as criações de verdadeira poesia. Era esse o mundo que o Professor e Poeta Zé Rabelo, registrava nos seus livros sobre a genuína poesia. Mas tudo isso é passado.
É triste saber que São José do Egito estará nos próximos dias conspurcando a memória dos nossos verdadeiros Mestres, trazendo para seus palcos, ruas e avenidas, o mais reles que se pode ter em matéria de música.
Enquanto isso, calam-se as vozes dos Vates Verdadeiros, prevalecendo a iniquidade musical em detrimento daqueles que deram identidade à Terra dos Irmãos Batista. Que nos perdoem todos eles. Que nos perdoe Rogaciano Leite. Este, naqueles tempos em que a divulgação da arte era uma tarefa difícil, levou a poesia do repente para Fortaleza e todo o resto do Brasil.

Hoje, na terra da poesia, o que se faz é exatamente o contrário. Cancão deve estar muito triste com tudo isso, contemplando o que se faz com a poesia na terra onde ele concebeu Árvore Morta.

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, PE, 14 de julho de 2010

ESBARRE, ESPIE E OIÇA!

A regulamentação do trânsito em Afogados já proporcionou muito debate nos últimos dias. O sinal do desperdício, como eu o defino, é aquele localizado nas imediações: Prefeitura-Cúria Diocesana. Já o sinal no cruzamento da Arthur Padilha-Rio Branco, sentido anel viário, vem sendo alvo de críticas veementes e, todas elas, com justa razão. Logo, logo, teremos acidente naquele sinal, pois há um erro crasso de engenharia, vez que o sinal está abrindo para dois sentidos contrários, ao mesmo tempo, com a opção do motorista fazer o retorno sem que haja segurança, porque tudo dependerá da boa vontade de quem quiser respeitar a preferencial. Sei que não está sendo fácil entender, mas só com um gráfico seria possível demonstrar a gravidade do problema.

Agora à noite, uma senhora vinha pela Barão de Lucena, entrou à esquerda na Travessa Tiradentes, adentrando na Praça de Alimentação (Pça. Prefeito Miguel de Campos Góes). Ao tomar o sentido da Praça Mons. Arruda Câmara teve seu Corsa danificado por uma carroça de burro que vinha descendo na contramão, em alta velocidade para um veículo de tração animal.
O resultado, já se sabe: O carroceiro, após o choque, imprimiu maior velocidade, deixando a proprietária do veículo no prejuízo. A frente do veículo foi danificada e, por sorte, o choque não ocorreu na lateral, pois teria sido bem maior o prejuízo.
Naquele ponto da Praça de Alimentação é rara a semana que não ocorrem pelo menos dois acidentes. O ponto negro não está no trânsito, mas no descaso das autoridades que não disciplinam o tráfego de carroças de burros e ciclistas. Enquanto isso, os proprietários de veículos têm que se “agarrar” com São Cristóvão para transitar pelas ruas de Afogados da Ingazeira e, ao término do dia estar, ele condutor e seu veículo, ilesos.

Até quando vai existir essa bagunça em nossa cidade, não sabemos. Aqui, carroça de burro, ciclista e menores conduzindo motos e veículos têm a preferencial dada por eles mesmos. Não sou pessimista, mas pra todos, deixo um abraço e… até a próxima colisão!

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, PE, 13 de julho de 2010

O ÍDOLO LOMBROSIANO
DOS PÍNCAROS DA FAMA AO FÉTIDO DA LAMA

Decidi abordar o tema adiante, depois que várias pessoas instigaram-me a emitir uma opinião a respeito do fato. Em casos tais, como sempre faço, não me deixo levar pela emoção, mesmo porque a razão, e só esta, deve prevalecer em assunto tão rumoroso. Refiro-me ao caso Bruno/Elisa Samudio.

Logo que veio à tona o escabroso episódio e, até então, vem proporcionando debates e opiniões de juristas, criminalistas e, também de leigos – o que é importante -, pois se o Direito dirige-se ao povo, é imprescindível saber-se como o homem comum recebe e reage diante da notícia de tão repugnante fato.

Ocorreu-me, desde o início, a teoria do jurista e médico italiano Cesare Lombroso que já tratava deste tema no final do Século XIX. E Lombroso contribuiu muito para a escola de antropologia jurídica criminal, ao lado de respeitáveis estudiosos, da mesma estirpe, em toda a Europa, notadamente na Itália, onde também surgiram as obras de Garofalo e Ferri. Todos eles, e Lombroso com mais afinco, defendiam a tese de que há indivíduos que trazem em si tendências para a criminalidade. Daí a expressão “lombrosiano”. É certo que Lombroso foi combatido e, por muitos, tido como um tolo. Eu sempre procurei, dentre os contestadores, fundamentos que invalidassem a teoria de Lombroso e jamais encontrei uma, sequer, que deitasse por terra os ensinamentos do Mestre italiano.

No caso do Bruno, há fortes elementos que nos deixam a pensar como deixou o mundo perplexo diante de tanta crueldade. Ouvi de um cidadão comum, o desabafo: “Quando a gente pensa que já viu tudo!…”

Na hipótese de se confirmar todas as revelações que vêm sendo divulgadas sobre o caso, estamos diante de um criminoso frio, sanguinário, perverso e de alta periculosidade. Aliás, basta que se observe a frieza com que ele se comporta diante das câmeras. Basta lembrar que, enquanto havia somente suspeitas contra si, ele (Bruno), treinava com aparência tranquila, como se tudo aquilo não lhe dissesse respeito ou se como ele não estivesse comprometido com toda a sordidez que o mundo toma conhecimento através das investigações da polícia. Na leva de comentários em torno do caso vêm os teóricos de plantão tentar justificar a atitude do Bruno, pelo fato de ter sido uma criança sofrida, sem estrutura familiar etc. Cabe a observação: se todos que tiveram infância sofrida passarem a agir da mesma forma, onde vamos parar?

Não se pode aceitar, passivamente, tamanha monstruosidade, sem que a sociedade se levante e exija uma reforma urgente nas leis repressivas de nosso país. E não me incluo no rol daqueles que gritam por penas mais rígidas, apenas e tão-somente. Não é a exacerbação da pena que irá diminuir a criminalidade. E aqui vou buscar respaldo em Cesar Becaria que já defendia com profundidade o escopo maior da medida punitiva a ser aplicada ao delinquente. Becaria, em sua monumental obra “Dos Delitos e das Penas”, nos idos de 1764, legou ao mundo um Tratado sobre a reprimenda e suas consequências.

Enquanto nossos juristas fizerem vistas grossas aos luminares do Direito do passado; enquanto nossos Tribunais estiverem e continuarem com julgamentos emperrados pelo efeito de recursos inúteis e protelatórios; enquanto nosso sistema prisional continuar obsoleto e, por fim, enquanto a Lei de Execuções Penais for relegada a segundo plano, veremos prosperar a sequencia de fatos como este – Bruno/Elisa – e os facínoras continuarão a escarnecer da Justiça, pela escalada vertiginosa da violência, estimulada pela impunidade.

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, PE, 10 de julho de 2010

AFOGADOS AMARELOU GERAL!

O centro de Afogados amanheceu este domingo com faixa amarela no meio-fio em todos os sentidos. Ao longo da Avenida Rio Branco, todos os canteiros das praças estão com a proibição de estacionar; a Rua Barão de Lucena vai desalojar todas as lotações para Carnaíba e Tabira; na Travessa Tiradentes e Praça de Alimentação também é proibido estacionar.
Como em toda mudança, há os que aprovam e os que desaprovam. Se considerarmos que Afogados tem ruas largas e com espaço suficiente, entendemos que houve exagero na medida. Mesmo porque não se pode disciplinar o trânsito de Afogados da Ingazeira da mesma forma que se fez em Recife, retirando os veículos do centro. Aqui não há engarrafamento, não há esse fluxo exagerado de veículos que exija medidas tão coercitivas.
A reboque desse problema vem o desrespeito e o perigo iminente que enfrentamos com o tráfego desordenado de bicicletas, carroças de burros e motociclistas que não respeitam qualquer sinal ou sentido de trânsito. Carroças de burros, principalmente, optam pela “Lei do Menor Esforço” e transitam tranquilamente na contramão. Bicicletas, guiadas por crianças e adultos fazem o que querem sem que nenhuma medida disciplinadora lhes atinja.
O cidadão para transitar com seu veículo é obrigado a pagar o IPVA e outras taxas, inclusive TAXA DE BOMBEIRO, e submeter o veículo a uma vistoria. Basta uma luz de freio queimada e ele estará passível de uma multa e pontos negativos da Carteira. Já os carroceiros, são os que fazem prevalecer a – Lei de Gerson – aqui em Afogados da Ingazeira. NINGUEM… NENHUMA AUTORIDADE ousa incomodá-los. E na hora de uma colisão o proprietário do veículo fica com o prejuízo, pois o “coitado” do carroceiro, alguns, não raramente embriagados, não têm com que pagar o prejuízo.
É esse o Senso de Justiça dos que dirigem nossos destinos? Esperamos que essa reforma que se está processando no trânsito de nossa cidade aborde, reflita sobre o caso dos Ciclistas, Motoqueiros e Carroceiros e encontrem uma solução, também, para este problema que deixa pairando no ar um perigo iminente.
Por último, segue um abraço para o Gilberto Moura e aqui o registro de que estamos sentindo sua falta nesses debates. Alô Gilbertão, o que é que você diz?
Don’t cry for me Argentina(???)

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, PE, 04 de julho de 2010

O SINAL DO DESPERDÍCIO

Já estão em pleno funcionamento os semáforos recém-instalados na cidade. O sinal que foi implantado no cruzamento da Rio Branco com a Arthur Padilha, mostra-se como a solução para prevenir acidentes naquele trecho que dá acesso ao anel viário, sentido Centro-Brotas. Mas, ainda no início de funcionamento, já pudemos ver os “apressadinhos” desrespeitando a luz vermelha, o que nos faz presumir que não serão raros os acidentes provocados pela imprudência.
Já o semáforo colocado nas imediações da Prefeitura, pode-se considerá-lo como fruto do desconhecimento de quem decidiu por sua instalação. Muito antes dessa providência, ou seja, quando se falava na sinalização da cidade, falamos até na Rádio Pajeú sugerindo que se invertesse o trânsito naquela artéria (trecho entre o Palácio Episcopal e Catedral) e estaria resolvido o problema.
Explico: para quem vem descendo a Rio Branco e se dirige no sentido antigo Hospital, Farmácia dos Municípios, Senador Paulo Guerra, dobraria a esquerda na Barraca de Serra Pau, passando entre o Palácio e a Catedral, sem ter que fazer o contorno lá no final da Praça Mons. Arruda Câmara. Com essa medida simples, seria economizado o que se gastou com o sinal e com a energia que ele vai consumir doravante.
Expus essa ideia, o quanto pude; porém, prevaleceu a medida mais onerosa. E a sugestão, se fosse acatada, estaria restabelecendo uma alternativa de trânsito que existia, em frente à Catedral e foi eliminado com a reforma da Praça.

Não devemos esquecer que existe uma Ouvidoria Municipal destinada a ouvir sugestões. Eu disse, Ouvir! ACEITAR… já são “outros quinhentos”.

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, PE, 02 de julho de 2010

NO BECO DE SEU EZEQUIEL… DEU CACHORRO EM 70

Minutos atrás passei no Beco de seu Ezequiel Moura, palco de grande parte de minhas travessuras de criança, algumas já relatadas aqui. Mas, dois “causos” me vieram à mente. Antes destaquemos o local da cena: no Beco de “Seu” Ezequiel, cuja casa ainda guarda algumas características originais, havia um cômodo que dava acesso ao Beco. E nesta sala funcionou uma Escola de Datilografia, que era mantida pela Diocese. Naqueles tempos, fazia parte da formação do jovem, o Curso de Datilografia.
Foi assim que me matriculei e passei a frequentar o Curso com a professora Maria José, conhecida por Zezé. Ainda me vejo na lição inicial: asdfg, asdfg, asdfg… Depois de várias páginas preenchidas, passava-se para a segunda lição, não menos enfadonha: çlkjh, çlkjh, çlkjh… E assim por diante, até que me achei apto a me submeter ao exame para o recebimento do Diploma.

A professora Zezé argumentou que eu precisava treinar mais; pelo menos uma semana. Concordei e passei o prazo estabelecido por ela. A impaciência já me dominava, pois eu tinha certeza que cumpriria o exame no tempo estabelecido. O exame consistia em “x” toques por minuto. Mas a professora Zezé ainda relutou em realizar o teste. Nessa ocasião ouvia-se vozes de pessoas que cantavam, na Avenida Rio Branco. Era uma procissão. E as devotas cantavam: “Ave, Ave, Ave Maria… “Ave, Ave, Ave Maria…
Ouvindo aquilo não perdi tempo; coloquei uma folha de papel em branco na máquina e enquanto a procissão passava cantando, eu ia datilografando.
Zezé me olhava, lá no canto da sala, datilografando numa agilidade impressionante. Quando terminei lá estava escrito, sem erros, a letra do bendito cantado pelas devotas. ““Ave, Ave, Ave Maria…” “A 13 de Maio na cova da Iria, no céu aparece a Virgem Maria….” “Os três pastorinhos cercados de luz, no céu aparece a mãe de Jesus”. Foi então que ela marcou o exame final para a próxima semana. No dia eu não compareci e até hoje não tenho o Diploma de datilografia, título tão importante, na época, para a formação de quem aspirava melhor colocação no mercado de trabalho.

Depois da Escola de Datilografia, funcionou na mesma sala, no Beco de “seu” Ezequiel, a Delegacia de Polícia Civil. O José de Souza Lima, mais conhecido por Zé Neném ou Coligado, era o Escrivão da Delegacia. Conta-se que havia uma queixa crime prestada contra João Bogó, pessoa conhecidíssima, humilde, mas bem relacionado. Por uma infelicidade o João Bogó se viu às voltas com um inquérito contra ele. Chamado que foi, compareceu à delegacia, por volta das 13 horas.

Lá estava Zé Neném dedilhando numa máquina velha, óculos na ponta do nariz, absorto em seu trabalho, mandou que João Bogó sentasse no único banco disponível, até que o Delegado chegasse. Zé Neném só tirava os olhos da máquina para tomar uma pitada de “torrado” (rapé).

O tempo foi passando e João Bogó ali sentado, imaginava o que viria lhe acontecer com a chegada do Delegado. O pavor foi aumentando e diante da suposta possibilidade de que poderia ser preso, João Bogó teve uma ideia.
Sabendo que Zé Neném era “ligado” no jogo do bicho, pôs seu plano em ação e perguntou: “Zé Neném, você jogou alguma coisa hoje?” Zé Neném, sem tirar os olhos do papel, falou: “Joguei, João, joguei aquela milhar que eu ´amarro´ há muito tempo”. E João Bogó, sem perder tempo, sugeriu: “Zé Neném, enquanto o Delegado não vem, eu vou lá em Zé Coió, saber o resultado do bicho”.
Zé Neném olhou pra João Bogó e asseverou: “João se tu me garantir que volta logo, eu deixo tu ir”. João “jurou de pés juntos ” que logo que soubesse do resultado estaria de volta. E foi… anoiteceu e nada de João Bogó.

Anos depois, “sentada a poeira”, João Bogó voltou e se justificou: “quando saí da delegacia, esqueci de passar em Zé Coió. Assim não adiantava voltar sem o resultado do bicho”.

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, PE, 30 de junho de 2010

O BIGODÃO DE SEMPRE

Sinto-me na obrigação de voltar a esta Tribuna Democrática para tecer dois rápidos comentários.

Primeiro, agradecer de público ao irmão Edson Bigodão por nos trazer uma análise crítica do tema que comentamos, porém, com as limitações que nos são peculiares. O Edson, com a lucidez e conhecimento de causa, vai ao cerne do problema, expondo suas entranhas com causa e efeito. É o imutável Edson. Puro e transparente para uns, porém incômodo, intransigente (um cricri) para outros. Valeu, Bigode Grande! Revi em você, nestas ponderações, o mesmo Edson de décadas passadas, com a mesma intrepidez. É por isso e muito mais que você merece o respeito de quem o conhece. E como você usa o bom senso ao apreciar os problemas que afligem a todos!

Segundo, reporto-me a esta tarde quando observava os operários trabalhando na montagem dos semáforos. E não demorou muito para que me viesse a conclusão de que esta obra que hoje se efetiva – instalação dos semáforos -, foi iniciada décadas atrás.
A ideia que o Governo Municipal hoje concretiza teve a sua origem no Governo do Prefeito Dr. Hermes Canto (1948/1951).
Isso mesmo! Já naquela época aquele prefeito pressentiu que havia a necessidade de alargar a Avenida Arthur Padilha, abrindo passagem para o progresso, ou seja, no meio do caminho “não havia uma pedra”, mas, uma casa, que se localizava junto à Igreja Presbiteriana. E o Dr. Hermes, com a determinação e visão futurista, adquiriu a casa (do senhor Luiz Bitú) que entravava o prolongamento da Avenida Arthur Padilha, abrindo espaço para que Afogados crescesse também naquela direção.
E em seu discurso, ao término do seu mandato em 1951, o dr. Hermes apresentou prestação de contas, onde está consignado o seguinte: “Aquisição do prédio pertencente aos herdeiros do senhor Luiz Bitú, que fica ao lado da Igreja Presbiteriana, (para alargamento da Av. Arthur Padilha), – antiga avenida da Estação – por Cr$ 9.000,00 (nove mil cruzeiros). E, no item seguinte, consta: “Aquisição de um terreno para construção do Aeroclube, Cr$ 7.000,00 (sete mil cruzeiros)”.

Assim, pelo nosso raciocínio, o Governo Municipal, hoje, dá continuidade ao que pensara Dr. Hermes quando decidiu alargar aquele logradouro que, pelo fluxo de veículos, exige sinal de trânsito, com recursos da eletrônica.
Só para terminar, devemos lembrar que esse Anel Viário, hoje criticado por muitos, será, no futuro também elogiado, e os recalcitrantes entenderão que a obra faz-se necessária para impulsionar o progresso de Afogados da Ingazeira. Quem viver verá.

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, PE, 29 de junho de 2010

Sempre que abro a Caixa de Mensagens sou agraciado com algum recado de amigos, distantes ou não. Desta feita foi o estimado Edson Bigodão que me deu uma aula de política, civismo, história e, por último, fez uma crítica aprofundada sobre o meu último escrito nesta página. O que eu não disse, por não saber, o Edson Bigodão o fez e com maestria.
Relembrou fatos de nossa história, fatos que, aliás, ele vivenciou e história que tem a sua participação efetiva. Lamento apenas que tudo o que o Bigodão expressou esteja em nosso âmbito particular. Aproveito, todavia, este momento para pedir-lhe que envie ao Fernando Pires e que todos possam tomar conhecimento. Lá na Bíblia está escrito, em outros termos: “Não se acende a candeia para deixá-la embaixo da cama”. A luz deve ser dirigida para todos. E a profundidade com que o Bigodão aborda o tema não merece ficar só para nós dois. Esse Bigodão é mesmo superlativo – igual a vinho: quanto mais velho, melhor; ou se preferir… Whisky, ou ainda, coco velho é que dá azeite.
Meu caro Bigodão e demais confrades, a nossa Afogados estará completando 101 anos no próximo 1º de julho (quinta-feira), e seu aspecto, no geral, continua como dantes. E sendo assim, está valendo o DESconvite: “Se você ama esta terra, não vale a pena vir à festa de seu aniversário para vê-la como se encontra.

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, PE, 29 de junho de 2010

CARTÃO VERMELHO PARA OS FICHAS-SUJAS

Futebol não é “minha praia” e praia não é meu esporte. Mas, enquanto o mundo volta suas atenções para a África do Sul e assiste as nações, por seus times, se digladiando em busca do prêmio máximo do futebol mundial, vejo um Brasil anestesiado e apreensivo com o resultado que virá da Copa do Mundo, como se isso fosse solução para todos os problemas crônicos dessa imensa nação. A “anestesia” é geral ou o “ópio do povo” – o futebol – tem o efeito de adormecer as dores do brasileiro. Ser campeão do mundo é bom… É ótimo ostentar um título de hexacampeão.
Mas seria muito bom que nessa hora em que se aguarda com ansiedade por essa conquista, não tivéssemos uma malha rodoviária em frangalhos; não existissem filas quilométricas nos hospitais e não ocorressem tantos acidentes nas estradas por falta de conservação. O país poderia se ufanar do título maior do futebol mundial se a educação pública não fosse depreciada ao mais baixo nível; seria glorioso para a Nação (possivelmente) hexacampeã, se não tivéssemos um sistema prisional falido, onde faltam presídios e os que são construídos transformam-se em “elefantes brancos” que não servem para nada a não ser aumentar a nossa indignação pelo desperdício do nosso dinheiro que é tomado em forma de impostos.

Que brilho terá o ouro de uma taça, quando estamos convivendo com irmãos nossos sofrendo pela tragédia da zona da mata, quando, sabidamente, parte dessa tragédia é causada pela incúria das autoridades que não têm programa habitacional eficiente, provocando o inchaço das cidades com seus cinturões de favelas nas periferias.
Podem até dizer que ando na contramão dos acontecimentos, porém essa euforia nacional por uma Copa do Mundo não me faz esquecer as mazelas que nos afligem e que serão “resolvidas” nos palanques eletrônicos que invadem nossa sala trazendo solução para tudo e para todos. Os conchavos, sob o título de coligações, já estão sendo “alinhavados” de norte a sul. A combinação de ideologias faz corar estátua de bronze. Mas tudo é feito pelo progresso do país e de seu povo. O mesmo povo que se contenta ou se acomoda com um salário de fome, enquanto os donos das chaves dos cofres elevam os seus próprios salários ao ilimitado.
É nessa mistura de copa do mundo com promessas já gastas de tanto usadas, que o povão deve fazer valer a aspiração nacional. Vamos usar o instrumento da FICHA LIMPA, com o nosso critério pessoal. A decisão é de cada um, naquele momento em que você determina o placar da partida. Conquiste sua vitória, derrotando os verdadeiros inimigos do povo. Seja o árbitro e use o cartão vermelho, mandando para o chuveiro os fichas-sujas para que, você mesmo fique com a consciência limpa de ter exercido com dignidade a sua cidadania.
Esse é o placar que desejamos para uma nação que não precisa e até pode dispensar o título de hexa, enquanto a sujeira respinga por todas as suas entranhas.

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, PE, 27 de junho de 2010

FESTA DE ARROMBA

Enquanto escrevo estas linhas, a cidade de Carnaíba está em festa. Ainda ontem à noite fui rapidamente à cidade de Zé Dantas e senti o clima de euforia nas pessoas que já começavam a lotar o Parque de Eventos, onde se realizam as festas da cidade. E, contemplando aquele Parque, veio em flashback do que já foi aquela área: Um terreno baldio, cheio de mato, lixo, onde pastavam animais e, à noite, a escuridão era total.

Hoje, Carnaíba pode se orgulhar do local de eventos construído pela administração do prefeito Anchieta Patriota. Além do Pátio, logo junto, está a Academia da Cidade, formando um conjunto arquitetônico aprazível. E, logo após, no prédio que era a recepção da Estação Ferroviária, funciona uma Escola de Música. E no entorno dessa escola, onde era poeira e lama, existe calçamento, proporcionando melhor acesso a veículos e pessoas por aquelas artérias. No bairro Zé Dantas, há um conjunto de realizações da administração do Prefeito Anchieta Patriota, que faz a diferença da Carnaíba de ontem e de hoje.

Ainda no primeiro mandato assistimos a inauguração de uma Escola para crianças (que chamavam Jardim da Infância). É preciso ver pessoalmente para se comprovar o esmero com que se cuida daquele educandário. No mesmo conjunto está o Hospital Dr. José Dantas e, ainda, o Fórum de Carnaíba, em fase de conclusão, com inauguração prevista para o mês de agosto, podendo ser antecipado.

Em breve, Carnaíba terá um teatro, projetado para cerca de 300 lugares. E, como já foi anunciado, já se encontram em fase de conclusão os contatos para instalação de uma fábrica de cimento naquele município. Diante destes fatos e obras que citei, faltando outras tantas a enumerar, o povo carnaibano tem mesmo é que comemorar; tem motivos para festejar e sentir-se numa cidade bem cuidada pela administração pública – o Governo Municipal.
Dou este testemunho porque venho vivenciando as transformações, para melhor, na cidade de Carnaíba. Desde o ano de 2005 trabalho lá. É bom esclarecer que não tenho vínculo com o governo municipal de Carnaíba ou qualquer outro, o que me deixa à vontade para falar do bom ou do ruim que tiver em qualquer um deles.

Aqui, em Afogados da Ingazeira, aproxima-se a festa dos 101 anos. A cidade continua com as suas entradas, tanto para quem vem de Carnaíba ou Tabira, ou ainda, quem vem do Recife, todas em estado deplorável. No trevo que vem de Carnaíba, existe uma fedentina originada, provavelmente, do lixão; em toda extensão, partindo do Elefante Branco (Presídio) – herança do Governo Jarbas Vasconcelos -, até a ponte, é deprimente o aspecto que se observa ali. E lembre-se que há um educandário nas imediações.

Já do lado que vem do Recife, a buraqueira começa lá na curva do Sítio Gangorra, passa pela entrada que dá acesso ao anel viário e a ladeira do Borges também é lastimável. O famoso anel viário até hoje não recebeu a sinalização horizontal. Acho que é querer demais – sinalização no anel viário -, se nem mesmo na cidade, onde o trânsito é uma balbúrdia, existe qualquer disciplinamento.

Aproxima-se a festa de 101 anos, e a cidade está nestas condições. A coisa está feia. Esperamos que, até lá, se dê um jeito, pois, se continuar assim, insisto: Se você ama esta terra, por enquanto não vale a pena vir à festa de seu aniversário.

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, PE, 12 de junho de 2010

RIO PAJEÚ – O GIGANTE AGONIZA!

A Praça Prefeito Miguel de Campos Goes – Praça de Alimentação – é o meu lugar preferido para, no final da tarde, contemplar o quadro pintado pelo Arquiteto do Universo, que nos oferece o espetáculo do Pôr do Sol. Ali, sentado, tomando incontáveis cafezinhos e consumindo outro tanto de cigarros, ponho as ideias em ordem (às vezes fora dela) e, quase sempre, aparece um amigo ou amiga para uma prosa sadia. É esse o prêmio que se recebe por morar no interior. Ainda temos tardes bucólicas e o tempo passa preguiçosamente.
A monotonia só é quebrada pelas incômodas ferroadas das muriçocas que começam a aparecer a partir das 17 horas. Isso mesmo, em plena praça, as ferroadas são inevitáveis. De logo vem à lembrança a causa de tanta muriçoca na Praça de Alimentação: é o nosso Cantado e Decantado RIO PAJEÚ que se transformou num esgoto a céu aberto, pela incúria daqueles que têm o DEVER de protegê-lo.
Basta se olhar da Ponte Dom Francisco, até a Ponte Hortêncio José Bezerra (que liga o centro ao bairro São Francisco), que se constata o descaso das autoridades para com o nosso Pajeú. Centenas de esgotos são despejados no leito do rio e a fedentina é insuportável. Um matagal cresce a cada ano, depois que passam as águas que vazam da barragem de Brotas, e poços estagnados contribuem para agravar a situação.

Na sequencia de desmandos, muito lixo já podre é jogado no leito do rio e o caos vai se avolumando. Em toda a extensão, por trás da Rua Henrique Dias, pode-se observar quanta agressão à natureza. É o Rio que, indefeso, agoniza.

Enquanto as autoridades fingem que se preocupam com o problema da DENGUE, fazem vistas grossas para o que acontece com o nosso Rio. O mesmo que já teve poços, de onde se abastecia toda a cidade. Isso mesmo, do leito do Pajeú, se bombeava água para a caixa d’água que existe na Avenida Arthur Padilha e com ela a cidade era abastecida.

Onde hoje vemos uma área fétida, formava-se uma praia e centenas de pessoas banhavam-se, nas manhãs dos domingos, numa festa de interação entre o homem e a natureza. O homem segue seu destino, brutalizando-se e exterminando, cruelmente, a natureza.

É lamentável o que acontece com o nosso Rio Pajeú. Mais lamentável, ainda, é que não vemos uma voz se alevantar em defesa desse nosso patrimônio. Nem voz nem prática alguma em prol do nosso rio. Mas, a natureza é IMPLACÁVEL. Nenhuma agressão que se pratica contra ela, fica impune. Quem viver verá.

Aqui, repito, Afogados da Ingazeira completará 101 anos no próximo dia 1º de julho e, se você AMA ESTA TERRA, não vale a pena vir para um arremedo de festa. Por estas e outras razões.
Mas… as outras, são assunto para depois. Aguarde!

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, PE, 8 de junho de 2010

FELIZ ANO NOVO… PARA TODOS!

De início, quero desejar a todos os companheiros de infortúnio um FELIZ ANO NOVO e que aquela música do comercial “muito dinheiro no bolso…” se torne realidade. Não pense que estou falando em PASSAGEM DE MAIS UM ANO, porque estamos num final de domingo de junho e não estou sob os efeitos etílicos. Posso lhes garantir que estou sóbrio e, graças a Deus, sou abstêmio convicto.
O fato é que a mídia, por todos os seus canais: rádios, jornais, TVs, blogs, etc, enfatizaram nesses últimos dias a escorchante carga tributária que é imposta aos brasileiros. Segundo dados divulgados, nós brasileiros, pobres mortais, trabalhamos 148 (cento e quarenta e oito dias), ou seja, 1/3 (um terço) do ano, para saciar a fome voraz do dragão que suga nosso sangue em forma de impostos.

De 1º de janeiro até 28 de maio, pagamos, apenas…, 500 bilhões de reais, em impostos. Assim, o ano, para nós, começa agora; o que passou está perdido, em termos de usufruirmos do fruto de nosso trabalho. E o Lula, em mais um desastroso improviso, defende que os brasileiros devem mesmo pagar imposto.
Não discordo do imposto, mas do destino que lhe é dado. O Estado, por todos os seus órgãos, necessita e só funciona com a arrecadação de impostos; isso é elementar, em Economia. O que nos intriga é que não vemos os impostos que pagamos serem destinados aos verdadeiros fins do Estado. Basta sair, aqui mesmo em Afogados, nas primeiras horas da manhã e se vê as filas no INSS; quem se aventurar a enfrentar as estradas, está pondo em risco a vida. As rodovias esburacadas, estreitas, sem acostamento, o mato invadindo a pista e animais soltos. Alguém já viu um veículo de apreensão de animais nas rodovias?

Onde estão os impostos recolhidos, rigorosamente, dos proprietários de veículos? Aliás, já estamos vivendo sob nova expectativa de multa, com a entrada em vigor da obrigatoriedade da cadeirinha para crianças. Quem não lembra de um filme parecido com esse? O Kit de primeiros socorros. Impuseram a obrigação, as fábricas venderam milhões de kits; milhares de multas foram aplicadas e, depois, os gênios do Governo convenceram-se da iniquidade que eram tais kits. A obrigatoriedade das cadeirinhas é mais um caça-níquel. Aliás “níquel” é força de expressão.
E aqui cabe a pergunta: como ficam os caminhões e camionetes, caindo aos pedaços, que transportam estudantes como se fossem animais? É assim que se deve tratar os futuros dirigentes de nosso pais? Os impostos que pagamos remuneram esses veículos que expõem as vidas dos nossos jovens.

Nesses últimos dias ocorreu mais uma tragédia no Ceará, quando um veículo transportando estudantes capotou e ceifou a vida de pelo menos 10 adolescentes. Em síntese, é esse o quadro: estudantes transportados como animais, por estrada deploráveis, rumo a uma escola em precárias condições, onde estão professores mal pagos. Depois do acidente são socorridos para um hospital onde faltam médicos e medicamentos. Aqueles que sobrevivem a essa maratona e enfrentam um vestibular, concorrem com os mais aquinhoados que tiveram escola particular, os melhores cursinhos e, depois de formados, serão apadrinhados recebendo os melhores cargos por que tiveram melhor Q I. Aliás esse – Q I – mudou o significado. Antes era: Quociente de Inteligência, hoje é Quem Indica.

Para finalizar, reconheço que já destilei minha indignação. Por hoje é só. Na próxima, pretendo DESconvidar você que pretende vir para o aniversário de Afogados, no próximo dia 1º de julho. Por enquanto não vale a pena. Isto se você ama sua terra e não quer vê-la no mais completo abandono, como se encontra.
Edson Bigodão esteve aqui, recentemente, e testemunhou. Mas, isso é assunto para o nosso próximo encontro.

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, PE, 6 de junho de 2010

QUEM AMA, CUIDA !

Um assunto já exaustivamente comentado nesta página é o trânsito infernal de Afogados da Ingazeira. Não bastasse a balbúrdia generalizada que se vê por toda a cidade, trago à discussão um caso MAIS GRAVE ainda por envolver crianças que merecem a proteção de todos nós, sem distinção, ainda mais, quando a IRRESPONSABILIDADE que se pratica contra esses seres indefesos parte dos próprios pais. Isso mesmo, pais que expõem seus filhos ao risco de morte, como se estivessem fazendo a coisa mais simples. Refiro-me àqueles pais e mães que dirigem com crianças, algumas recém-nascidas, no colo.
Não lembro, no momento, de estupidez maior. Você que assim conduz uma criança nessas condições, saiba que está cometendo uma infração ao Art. 168 do Código de Trânsito Brasileiro, além de dar uma demonstração da mais completa irresponsabilidade. Para mim, você não é confiável para cuidar do próprio filho.

Não peço desculpas pelas palavras incisivas, pois, para mim, vale mais o alerta que agora faço que angariar a sua simpatia. Em defesa do seu filho, quero ser antipático mesmo. Já, por várias vezes, aqui na cidade, abordei pessoas nessas condições e pedi, em nome da criança, que tivessem mais responsabilidade.
Não sei se essas pessoas têm alguma explicação para ato tão insano, pois justificativa nenhuma existe para se conduzir uma criança no colo, enquanto se dirige. Basta pensar que numa freada brusca, a criança poderá ser esmagada pelo peso do condutor e a direção do veículo; numa colisão lateral, o risco não será menor. Enfim, só quem não mede as consequências pode ter uma conduta tão irresponsável.

Não entendo porque a polícia não está vigilante para infrações dessa natureza. Jamais vi, se é que já ocorreu, algum policial detendo algum veículo que conduzia crianças nessas condições. Registre-se que também é da competência do Conselho Tutelar coibir tais irregularidades. Aliás, qualquer do povo poderá impedir que o pai, a mãe ou qualquer outra pessoa exponha um menor ao perigo. Estou incluindo as mães, também, porque já observei uma criança no colo da própria mãe, cujo nome omito intencionalmente, até que ela não repita tal ato. Aquela cena causou-me perplexidade, haja vista que, para nós, mãe é sinônimo de amor, proteção, zelo, cuidado, e isso não foi o que vi naquele momento.

Aqui, apelo, encarecidamente, aos pais e mães para que dediquem mais amor e proteção aos seus pequenos. Do mesmo modo faço um alerta às autoridades para que punam os infratores com os rigores da lei .

…E peço a Deus que proteja nossas crianças da omissão de seus pais e que não seja necessário voltar ao assunto.

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, PE, 30 de maio de 2010

BARRAGEM DE BROTAS – O CAOS É IMINENTE

A história de Afogados da Ingazeira tem na construção da Barragem de Brotas um marco importante. A sequência cronológica dos acontecimentos, desde o projeto de construção daquele manancial até sua concretização, podemos verificar através da crônica do confrade Joaquim Nazário, que foi buscar dados desde 1914 até os dias atuais. Essa narrativa reveste-se da maior importância para aqueles que pretendem conhecer a história de nosso povo, em minúcias.

Brotas resolveu o problema de abastecimento d’água de Afogados e, posteriormente, ampliou-se com uma adutora até a cidade de Tabira. Tempos depois veio o Abatedouro Industrial, avícola, que consome, segundo informações de técnicos no assunto, um volume d´água equivalente ao de uma cidade de pequeno porte. Some-se a tudo isso, as centenas de caminhões-pipa que se abastecem na Barragem e levam o precioso líquido para as comunidades rurais. E, por último, temos a evaporação que se acentua em tempos de verão. Todo esse consumo deve ser do conhecimento daqueles que gerenciam a Barragem de Brotas.

Há muito tempo venho enfatizando um colapso que se prenuncia, pois, também de há muito existe uma válvula emperrada que impossibilita o escoamento de areia e detritos, quando das enchentes do Rio Pajeú, até o transbordo de Brotas. Não se deve esquecer que a “bacia” já não tem as dimensões da época da construção; o leito do rio, dentro da barragem, vem assoreando a cada inverno; o consumo aumentou, consideravelmente, quando passou a abastecer, também, a cidade de Tabira.
Não se perca de vista, ainda, que a cidade de Afogados da Ingazeira recebe, diariamente, uma população pendular das oito horas da manhã até por volta das treze; com isso, o fluxo de pessoas, oriundas de outras cidades da região, gira em torno de cinco mil, ou quase isso, em busca do comércio, hospitais, clínicas, bancos, etc.
Todo esse movimento implica em mais consumo d’água e, consequentemente, numa exaustão do manancial, que se aproxima, inevitavelmente. Assim, urge que medidas sejam tomadas enquanto é tempo.
Faz-se necessária uma dragagem urgente em nossa barragem, assim como já de há muito, faz-se necessária uma ampliação no sistema de tratamento d’água, pois a ETA, hoje existente, é incapaz de prover toda a cidade; daí se explica a falta d’água constante em várias ruas, quando antigamente tínhamos água nas torneiras, diariamente.

Este é o alerta que aqui deixamos. O caos se aproxima. O colapso que ocorrerá é inevitável se aqueles a quem compete não tomarem as providências cabíveis, enquanto é tempo. Para finalizar, afirmo, com certeza, que não foi com uma barragem nestas condições que tanto sonhou o Mons. Arruda Câmara e todos aqueles que concretizaram este sonho.

A Barragem de Brotas pede SOCORRO, urgente.

Luciano Bezerra


12 Jun

Festival da Juventude 2008 – Cabo de Santo Agostinho

Para algo fora do comum (embora não exatamente “folclórico” ou “tradicional”), siga para o Cabo de Santo Agostinho neste fim de semana, onde eles celebram o Festival da Juventude.

Quinta-feira: Zezé de Camargo e Luciano (principalmente música romântica), 20h
Sexta-feira: Cheiro de Menina (forró) e Timbalada (axé), 21h
Sábado: Saia Rodada (forró) e Capim Cubano (música latina), 21h
Domingo: Jammil (axé), 16h

O festival acontece no Espaço Asa Branca, na BR-101, Km 35, em frente à entrada principal do Cabo de Santo Agostinho. Os shows são todos gratuitos e as praias de Calhetas e Gaibú estão próximas, então tudo o que você realmente precisa é de hospedagem e (se você deseja o conforto extra e conveniência) um carro para torná-lo um fim de semana interessante. Há ônibus de Recife para Cabo de Santo Agostinho, e há ônibus e táxis baratos (e mototaxis) entre Cabo e Gaibú.

Note-se que Cabo não é Porto de Galinhas (ou seja, não é turística amigável), por isso o conhecimento do espírito português e aventureiro é essencial. Você será um dos poucos estrangeiros ali


6 Jun

Festas e música agora que o Carnaval acabou

O frevo é algo que vive apenas durante os quatro dias do Carnaval, mas a música e as festas pernambucanas vivem ao longo do ano. Aqui estão algumas recomendações em Olinda (e Recife), em nenhuma ordem particular. Note que esta lista será atualizada conforme necessário.

1. Xinxim da Bahiana – Esse pequeno bar perto da Praça do Carmo (Avenida Sigismundo Gonçalves) recebe bandas ao vivo às quartas e sábados, além de DJs em outras noites da semana. Um bom lugar para se sentar, pegar música ao vivo, conhecer os locais e tomar uma cerveja. Geralmente começa às 22h ou mais.

2. Terça Negra – Então eu já estou traindo, porque esse aqui é em Recife. Mas eu gosto muito disso, então incluí isso. O que é isso? É uma celebração semanal da cultura africana em Pernambuco, apresentando uma grande variedade de estilos e gêneros. Isso acontece toda terça-feira à noite no Pátio de São Pedro em Recife (Centro). Depois que acaba, muitos moradores vão para a Rua da Moeda, no Recife Antigo, para pegar um pouco de reggae.

3. Casa da Rabeca – Uma vez por mês no sábado à noite, Mestre Salustiano, mestre da música brasileira, hospeda uma noite de forró em sua própria casa, a partir das 21h. Para chegar lá, pegue um ônibus para o terminal de ônibus PE-15 e de lá um ônibus para Cidade Tabajara. O conhecimento português é essencial. Taxi de volta ao seu hotel é altamente recomendado. Este é um dos três lugares desta lista que considero “fora do caminho comum”.

4. Abril Pro Rock – Em abril, Recife e Olinda recebem anualmente um festival de rock que reúne bandas e artistas locais, brasileiros e internacionais. É um evento de três dias, mas você pode comprar ingressos para apenas um dia se sua agenda de viagens for apertada. Este ano há muito heavy metal, com as bandas Helloween, New York Dolls e Gamma Ray. Outros atos locais e nacionais também serão executados.

5. Samba de Coco em Amparo – No primeiro sábado de cada mês, das 21h até o nascer do sol, o Ponto de Cultura Coco de Umbigada hospeda uma noite de samba de coco no bairro de Amparo. O Largo da Guadalupe está a uma curta distância do Centro Histórico, mas a um mundo de distância em termos de meio ambiente. Este é o segundo lugar nessa lista que considero “fora do caminho comum”.

6. Serestas – Toda sexta-feira, às 22h, uma seresta (serenata) toma as ruas de Olinda, saindo da Praça Conselheiro João Alfredo e marchando pela cidade, cantando músicas clássicas acompanhadas de violinos, violões e outros instrumentos.

7. GRES Preto Velho – Esta é uma casa de samba no Alto da Sé, com uma vista incrível da parte de trás. Todas as outras quartas, às 20h, há uma roda de samba autoral, e todos os sábados há afoxé a partir das 18h. Também aos sábados, o projeto “Frevo é para todos” realiza aulas de frevo (e relacionadas) das 15h às 17h.

8. Bodega de Veio – Esse bar popular na Rua do Amparo em Olinda monta uma banda na calçada nas noites de sábado (e às vezes às quintas), e um DJ nas noites de terça-feira. Embora seja possível encontrar moradores misturando-se lá em qualquer noite, o sábado geralmente atrai uma multidão grande e animada. Note que fecha às 23h.

9. Manicomico – Este é um clube de dança perto do oceano (Rua do Farol) em Olinda para quem prefere um ambiente de boate. As noites de sexta, sábado e domingo são animadas, com os sábados sendo o pico. Mais informações no site: manicomicoclub.com.br

10. Domingos em Olinda – as noites de domingo em Olinda são um assunto interessante. As pessoas começam a se reunir no Alto da Sé para tomar uma cerveja e um lanche antes de descer as colinas até a área chamada “Peixaria”, para continuar o encontro. Depois, eles podem ir até a vizinha Cachaçaria Virgulino, na Rua do Sol, onde dançarão até as primeiras horas da manhã.

11. UK Pub – Nada tradicional aqui. Este é um pub moderno em Boa Viagem (Rua Francisco da Cunha, 165) que hospeda bandas de rock, grupos de samba e DJs e atrai principalmente pessoas na faixa dos vinte anos. Orgulha-se também de sua grande coleção de cervejas, caso você esteja cansado das marcas locais. Você encontrará música ao vivo aqui de terça a sábado. Há uma taxa de cobertura, geralmente entre R $ 10 e R $ 20, dependendo da noite da semana e da performance da banda.

12. Downtown Pub – Semelhante ao # 11 acima, mas localizado no Recife Antigo (R. Vigário Tenório, 105), é o Downtown Pub. Opera de quarta a domingo. Confira o site deles para um calendário: downtownpub.com.br

13. Lia de Itamaracá – Se você é corajoso, segue uma recomendação: vá até a praia de Jaguaribe na Ilha de Itamaracá. É lá que Lia tem um centro cultural onde continua a tradição da ciranda. Você pode ter que procurar um calendário e mais informações, mas geralmente há algum tipo de atividade nos finais de semana. Para chegar lá, você precisará pegar o ônibus “PE-15 / Igarassu”; depois, no terminal de ônibus de Igarassu, mude para o ônibus de Itamaracá. Conhecimento de Português essencial. Dica: voltar pode ser um problema, pois os ônibus param às 22h. Se você tem uma tenda, traga-a, pois você pode acampar barato (ou grátis). Se você não tem uma barraca,


30 May

B’HAVES

B’HAVES, muitas histórias, muitas confusões, muitas mudanças – escute as musicas, assista os shows e se apaixone…

Componentes:

Vladimir Silva – Guitarra Base
Everton Stenio – Contrabaixo
Henrique Alencar – Vocal
Italo Batera – Baterista
Francisco Caracas – Guitarra Solo
Influencias:
Vladimir Silva – com uma base de sua coleção de discos antigos de MPB herdados do seu pai, Cândido Silva, traz às nossas musicas, uma boa letra e variações de rítimo e gingado, inclusive um pouco de blues.
Everton Stenio – além de uma boa base de MPB, Roberto Carlos, dentre outros, também herdados do seu pai Elison, tem um bom apreço pela musica local – o forró – que traz um rítimo interessante ao contra baixo.
Ítalo Batera – musico muito solicitado na região, toca em vários eventos como parte impressindível de bandas de MPB, samba. Com bastante estudo de sua função já tocou até em festival de Blues. Agregou-se à banda no início da fase de profissionalização, o que nos ajudou bastante, já que ele parece que já nasceu sabendo tocar o nosso som…
Henrique Alencar – muito eclético, gosta de ouvir desde Djavan à Nightwish, canta desde pequeno na igreja, nasceu com uma grande facilidade de mudar de tom, só foi preciso aperfeiçoá-la durante a fase de profissionalização da banda.
Francisco Caracas – Seus posters de cabeludos e sua pedaleirinha vermelha dizem tudo. Aqueles dedos inquientos só podiam ter uma tradição de Havy Metal, o que traz à banda uma certa agressividade até mesmo nas musicas calmas
As bandas que mais nos inspiraram foram Engeheiros do Hawaii (anos 90), Capital Inicial, Paralamas do Sucesso (anos 90), Barão Vermelho (anos 80), dentre outras.

INTEGRANTES

Vladimir Silva
-Guitarra Base
Everton Stenio
-Baixo
Francisco Caracas
-Guitarra Solo
Italo Batera
-Bateria
Henrique Alencar
-Voz

CONTATO
(88) 8813-3301


23 May

O que é Galo da Madrugada

O Galo da Madrugada é um bloco carnavalesco que sai todo sábado de carnaval do bairro de São José, um dos bairros da região central da cidade do Recife, capital do estado de Pernambuco, nordeste do Brasil. Foi oficialmente considerado pelo Guinness Book – o livro dos recordes – o maior bloco de carnaval do mundo em 1995.

A agremiação foi criada por Enéas Freire em 24 de janeiro de 1978 e surgiu na rua Padre Floriano nº 43, no bairro de São José.

Em 2011, o desfile do Clube de Máscaras Galo da Madrugada, no centro do Recife, arrastou mais de 1,7 milhão de foliões.

Em 2012, o bloco teria, segundo fontes da própria organização, levado cerca de 2 milhões de pessoas. Em 2013, seguindo a tendência dos anos anteriores, o número de foliões aumentou e o bloco reuniu cerca de 2,3 milhões de pessoas no centro do Recife. Em 2014, o bloco teve, também segundo estimativas, 2,4 milhões de pessoas.

Tem atualmente, como seu maior rival em tamanho, o bloco carioca Cordão da Bola Preta, que teria, segundo a própria organização deste bloco, ultrapassado o Galo da Madrugada e arrastado 2,5 milhões de pessoas em 2012, embora este número não tenha sido publicado no Guinness Book, o que, de qualquer forma, torna a rivalidade entre os dois superblocos cada vez mais acirrada.

Fonte: Wikipédia

HISTÓRIA

“O Galo da Madrugada invade o centro da cidade de tal forma que já não se sabe quem é do Galo, quem olha o Galo, quem não é do Galo, onde está o Galo. O Galo é o povo. É o povo sonhando, cantando, brincando, sem preconceitos e sem cordões de isolamento, debaixo de Sol ou de chuva, com dinheiro ou sem dinheiro”.

(Paulo Montezuma – “Os carnavais e o Galo” – Recife, 1985)

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O Clube de Máscaras Galo da Madrugada é um bloco carnavalesco que sai todo sábado de carnaval do bairro de São José, um dos bairros do centro da cidade do Recife, capital estado de Pernambuco, Nordeste do Brasil.

É considerado pelo Guinness Book – o livro dos recordes – o maior bloco de carnaval do mundo. Em 2009, o desfile do bloco Galo da Madrugada, no centro do Recife, arrastou mais de 2 milhões de foliões. O bloco foi criado por Enéas Freire em 1978 e surgiu na rua Padre Floriano nº 43, no bairro de São José.

***

“Da união de um grupo de amigos e famílias do Bairro de São José, comandados pelo baluarte Enéas Freire, surgia, no dia 24 de Janeiro de 1978, o Clube de Máscaras Galo da Madrugada. Sem grandes pretensões, aquele que viria a se tornar um fenômeno mundial foi criado com um único e simples propósito: fazer renascer o tradicional, espontâneo e criativo carnaval de rua do Recife, então ameaçado pelos clubes e passarelas, que, cada vez mais limitavam – em espaço e participantes – o fazer da folia.

“Durante muito tempo, os que viveram os carnavais passados deixaram de sorrir, viram fugir de cada um a alegria e a animação do reinado de momo. Sempre que as famílias sofrem, seus líderes e baluartes protestam em defesa dos seus ideais, dos seus familiares e dos seus interesses. Essa foi a intenção da família Alves Freire, para salvaguardar os interesses do morador do Bairro de São José, das tradições do Recife e o carnaval pernambucano. Acoplada a esta opinião, estavam muitos amigos que o ajudaram a carregar o estandarte da mais forte agremiação carnavalesca da região”.

Assim nascia o Galo da Madrugada, nas ruas estreitas, apertadas e becos tortuosos do Bairro de São José, berço dos primeiros clubes e blocos carnavalescos do Recife. Naquele mesmo ano, no dia 04 de fevereiro de 1978, o Galo saiu às ruas pela primeira vez: cerca de 75 “almas penadas” – primeira fantasia do Clube – percorreram as ruas do Bairro, com seus sacos de confetes e serpentinas e acompanhadas por uma orquestra de frevo composto por 22 músicos. Era o início do reinado de um fenômeno que não pararia mais de crescer…

No ano seguinte, o bloco já contava com um número de foliões quase cinco vezes maior: 350 pessoas, vestidas de palhaços, almas, morcegos, diabos, árabes, cabeções de galos, arlequins e pierrôs, entre outras fantasias. Nesse mesmo ano, 1979, o Galo realizou a 1ª Noite dos Estandartes, no Clube Português, e também ganhou o seu estandarte e hino oficial – criados, respectivamente, pelo fundador Mauro Freire e pelo compositor José Mário Chaves.

Em 1980, desta vez tendo como fantasia a “Nêga Maluca” e o “Nêgo Mississipi”, o Galo consegue arrastar pelas ruas e ruelas do Recife cerca de 800 foliões. Em 1981, a multidão passou para mais de 1.500 pessoas. Nesse mesmo ano, o Galo cria o desfile de fantasia de papel na Praia de Boa Viagem e, em 1983, a Festa da Cerveja. Tudo, é claro, com o mesmo propósito: levar o frevo aos quatro cantos da cidade – nas ruas, praias e salões.

Em crescimento constante, o desfile do Galo passa por sua primeira grande mudança em 1984, quando as orquestras de frevo passaram a desfilar em cima de caminhões. A ideia não vingou por muito tempo: dois anos depois, já era impossível o som das orquestras alcançarem “naturalmente” toda a multidão que acompanhara o bloco; a solução foi recorrer aos trios elétricos.

Um ano antes, no carnaval de 1985, o Galo da Madrugada trouxe para o seu desfile o maior apresentador da TV brasileira de todos os tempos, o pernambucano Abelardo Barbosa – Chacrinha. Em um palanque armado na Praça da Independência e envolto de uma multidão que “só vendo pra crer”, o artista foi homenageado com o troféu Galo de Ouro. Ainda em 1985, o Galo deu à luz mais um descendente: o Bloco das Ilusões, formado pelas esposas dos diretores do Clube.

“Em 1990, o Galo superava o sucesso dos anos anteriores, levando às ruas do centro da cidade uma multidão incalculável de quase um milhão de foliões, brincando, pulando e cantando sob o calor de 36 graus. A ordem era brincar e pular, parecendo até que todos eram movidos a frevo e empolgação”.

(Adjeci Soares – “Viva o Galo! Explosão do Carnaval Pernambucano – Recife, 1992)