16 Aug

A tua lembrança


Madalena de sonhos incessantes
Fez mostrar o sentido de uma vida
Teu sorriso e humor tão radiantes
Que jamais deixarão ser esquecida
A pessoa que nos ensinou tanto
Fez brotar muito amor e muito encanto
Nesta vida de lutas tão reais
És mulher que o tempo não apaga
Tua imagem de mãe tão dedicada
Os teus filhos não esquecerão jamais.

Os teus netos saúdam a memória
Dos teus dias vividos neste mundo
Nos deixaste um vazio tão profundo
Pois hoje, é com Deus que você mora
Um exemplo de vida, uma senhora
Que lutou até o fim por viver mais
Presenciou os momentos principais
E abençoou os bisnetos ficaram
Os amigos do peito que te amaram
Com saudades desejam tua paz!

Luana Marie
Afogados da Ingazeira, 23 de janeiro de 2011

Tudo posso Naquele que me fortalece

Ano passado escrevi uma carta de Natal. Nela, dizia todas as dores que eu chorava e todas as ânsias e silêncios que eu tinha; o papel opaco dizia o quanto ainda faltavam cores em meus dias… O soluço da minha garganta fomentava dizer ao mundo o medo que eu sentia e a angústia que fazia com que eu vivesse insegura num mundo de tantos “por quês”.

A frieza daquela noite de Natal tocou e entrou dentro em meu peito que estava como se fosse uma porta aberta a tantas outras experiências que eu ainda não tinha vivido, mas estas ainda obscuras, pois eu ainda não sabia como e quando seriam. Sentia um calafrio imenso na espinha, além de minha garganta seca; as lágrimas molhavam a minha face, ao mesmo tempo eu suava frio e escrevia sobre tudo o que saía de mim naquele momento…
Eu precisava entender o meu eu para saber o que acontecia naquela noite… Desacreditei em todas as crenças que as pessoas cultuavam naquele momento, e o pedido de Natal que fiz a Deus foi que Ele pudesse mudar toda aquela minha realidade de estilhaços espalhados pelos cantos do meu quarto; seria a minha alma de vidro que estava prestes a se quebrar.

Procurei saber, através do silêncio das noites que passei sem dormir, qual seria o caminho para a felicidade ou pelo menos para aliviar a alma. Pensei que os meus pesadelos pudessem me responder algumas perguntas sobre os meus medos, porém as interrogações ficavam divididas entre saber ou não querer acreditar.
Procurei segredos dentro de mim, aqueles que dormiam há muito tempo, porém, quando me debrucei sobre eles, a única coisa que encontrei foram os resquícios da minha sensibilidade em guardá-los para mim e quando me dei conta eu estava deixando de viver a minha realidade para procurar um futuro que eu nem sabia se viria.

O tempo passou, envelheci mais um ano, sorri em frente ao espelho nas vésperas do meu aniversário, e jurei para mim mesma que iria conseguir me superar. Soltei os meus cabelos e fui à luta para encarar os desafios. A cada susto que passei naqueles dias decisivos pude tirar a conclusão de que não era acaso, era Deus!

Descobri aí que a vida não pertence a quem tem sorte e sim a quem tem fé e bom caráter. Abracei os meus antigos sonhos, dividi aquela emoção que me invadia, embora ainda sem conseguir acreditar em tamanha felicidade por enxergar o meu eu, até porque nada perdura por toda a vida. Porém, aprendi uma coisa: tudo passa, mas quando se batalha pra conseguir vencer uma luta, as marcas e o gosto da guerra vitoriosa perduram, sim, até o fim dos nossos dias.

Obrigada Senhor!

Luana Marie
Afogados da Ingazeira, dezembro de 2010

Ser tão Sertão

O sertão que eu tenho em minha mente // Tem mais luz, tem mais vida e tem mais flores
Que se fazem juntar com suas cores // As centenas de aspectos diferentes.
Nordestino de faces inocentes // Se emociona ao recitar a poesia
Que se funda ao sentimento de utopia // De quem vive no “batente” com ardor
Trabalhando com a garra e o vigor // Para ser defensor da sua gente.

Hoje o sol que raiou foi mais brilhante // Porque eu vi o canto do passarinho
Ao levar a comida pro seu ninho // Esta cena pra mim foi fascinante
Pois ao ver eu mudei o meu semblante // Rabisquei no juízo um verso escrito
O nordeste faz valer o nosso grito // Pra pedir liberdade e mais fartura
Defender nosso povo com bravura // Esse povo que é tão esquecido!

Luana Marie
Afogados da Ingazeira, novembro de 2010

Você em minha vida
(À João Paulo Queiroz de Brito, o meu grande amor)

Resolvi dedicar-te estes meus versos
Que é pra ver se as rimas me acalmam
Quando falo de ti eles me falam
Da saudade que eu tenho de estar perto
Do teu rosto, do teu corpo, teu afeto
Porque é dele que o meu corpo se sustenta
Enfraqueço toda vez que ele se ausenta
Não consigo mais ficar longe de ti
Tua metade é a metade de mim
Vem pra perto que você me acalenta.

Do teu amor: Luana Marie
Afogados da Ingazeira, junho de 2010

Tua ternura…
(Para minha mãe Valdenora)

Acalenta-me com as tuas mãos serenas / Mesmo que eu não seja mais criança
Eu não tiro nunca da minha lembrança / Os momentos quando eu era tão pequena
Meu espelho é a tua voz suprema / Quando chega para me aconselhar
E me mostra os passos pr’eu trilhar / Como se eu não tivesse ainda crescido
Nunca vi um amor nem parecido / Como o de uma mãe que sabe amar.

MÃE! És tão maravilhosa para mim / Que não sei nem como te agradecer
Eu só sei te dizer que quero ser / Sempre uma boa filha para ti
Quando precisar, estou sempre aqui / Pra te dar meu apoio e minha mão
Estarei sempre no seu coração / Pra que assim não se canse de lembrar
Que Jesus sempre vai te abençoar / E estarei do teu lado até o fim

Sei que tu já sofreste até demais / Pra criar nesta vida os teus três filhos
Encontraste no caminho empecilho / Mas com eles nunca te desanimastes
Sei o quanto nos carregar tu te cansaste / Pra poder não soltar nenhum no mundo
Muito menos criar filho vagabundo / Tua parte, nós sabemos que fizestes
Vida eterna nós sabemos que mereces / Pois tu és a melhor mãe deste mundo.

Luana Marie
Afogados da Ingazeira, PE – 24 de Novembro de 2009

Cultura: a essência da nossa região

A batalha do povo nordestino, / Faz a gente sentir-se ainda mais forte,
Leva o nome desse povo que tem porte, / De trazer pra si mesmo o seu destino.                 
Desde cedo o futuro de um menino / Que andava de “apercata” no terreiro                  
E brincava de “bila” o tempo inteiro /  Se transforma num poeta cantador                     
Ou quem sabe de um livro, o autor                     

Vou juntando as palavras e dizendo / Que nasci em São José do Egito,                        
Onde o povo faz poema e faz bonito / E também cria verso usando “mote”.                  
De nascer com o dom e harmonia / Estou sempre buscando sintonia                        
Pra expressar o que sinto e o que sou / O meu Deus foi quem me presenteou                
Com esse amor que eu tenho a poesia                

E seguindo por essa região, / Vou lembrando as coisas que mais amo:                     
Da cultura, do verso, do encanto / Desse povo que faz nosso sertão                                           
Que também ama a religião, / Traduzindo pra nós uma vitória,
Fica cravada aqui a trajetória / D’um povo que não deixa esmorecer
Faz a vida de novo renascer, / Pra deixar mais acesa a nossa história.

Afogados da Ingazeira nos revela / A beleza de um povo acolhedor,
Uma terra que é vista com amor / E alegria que nunca sai de tela,
São “Cem Anos” de uma cidade bela, / Nossa linda princesa do sertão
Que nos faz perceber com emoção / Que quem vive aqui nunca se esquece
Que Afogados da Ingazeira, ela merece / Que nos traz essa honra de guerreiro.                
Que a amemos de todo coração.

Não podendo esquecer-se de ressaltar / Meio século de Rádio Pajeú
Transmitindo o saber de norte a sul, / Pra o ouvinte ouvir e confiar.
Para minha alegria e minha sorte / Tanta coisa pra gente relembrar 
Nesses Cinqüenta anos de sucesso, / Eu desejo mais vida e mais gestos   
Que nos façam brotar no coração / Pr’esta rádio que traz tanta emoção     
Tenha muito mais anos de progresso!

Luana Marie
Afogados da Ingazeira, 16 de outubro de 2009

Ser Mulher
 
És tão meiga como um mar de esplendores
És tão linda como as pétalas de uma rosa
Irradias como os raios multicores
Que se expandem de forma grandiosa
 
Te pareces como um pássaro colibri
Que enfeita até as flores mais belas
Mas tu és até mais linda que elas
Principalmente quando os teus lábios sorriem
 
Te pareces com uma tela de pintura
Transformada em uma linda escultura
Que se entende como uma obra de arte
 
MULHER, tu és uma paisagem
Transformada em uma linda miragem
A qual foi tu mesma que pintastes!

Luana Marie
Afogados da Ingazeira, 8 de março de 2007

Te querendo num sonho

Ontem fui dormir, já era tarde
Não consegui parar de em ti pensar
Meu coração de fervura sempre arde
Na loucura de um dia te beijar
E sonhando eu ou me lamentando
Te querendo num pensamento meu
Na tristeza de não te ter comigo
Pra provar de um lindo beijo teu

Percebi que perdi os meus sentidos
Não ouvia, não falava e nem olhava
Mas minha boca ainda te beijava
E num gesto você ficou sorrindo
Acordei, pois estava só dormindo
Se restou algo, foi meu coração
Tudo isso não passou de uma ilusão
Para alguém que queria o amor seu
Na loucura de sonhar com um beijo teu
Me afogo num mar de uma paixão.

Luana Marie
São José do Egito, fevereiro de 2004.