9 Jul

A Buraqueira Nas Estradas do Nosso Sertão

As poesias a seguir – de autorias diversas – retratando o estado das estradas no nosso sertão e que aflige o nosso povo, foram-nos enviadas pelo poeta Alexandre Morais (foto):

Nosso protesto poético irreverente // Que nem capa de enxu // Ou tábua de pirulito // Tem buraco ao infinito // Nas pistas do Pajeú

Já se vê mais barro cru // Do que asfalto no chão // De pequeno a caminhão // Foi num foi um se arrebenta // Não tem quem puxe sessenta // Nas estradas do sertão. (Alexandre Morais)

Não presta pra São José, // Afogados da Ingazeira, // Serra é uma buraqueira // Que até quem não vê da fé… // Depois de Albuquerque-Né // É que muda a posição. // Mas na nossa região // Ninguém sai da marcha lenta. // Não tem quem puxe sessenta // Nas estradas do sertão. (Dedé Monteiro)

De Arcoverde a Petrolina // A pista é um só buraco // O asfalto parece fraco // Se fura até com neblina // No barro não se aglutina // E nem suporta pressão // Os carros na contramão // A todo instante atormenta // Não tem quem puxe sessenta // Nas estradas do sertão. (Antônio Neto)

Eu moro na Capital // Mas não esqueço Tabira // O meu sertão, minha lira // A minha terra natal // Ao vê-la cresço em astral // Mas fico às vezes na mão // Que a buraqueira do cão // O meu carro não aguenta // Não tem quem puxe sessenta // Nas estradas do sertão. (João Alderney)

Gasta pra mais de uma hora // De “Afogado” a Calumbi, // De Sertânia a Iguaracy // É que a coisa demora: // Se um pneu não vai embora, // Quem se vai é a suspensão… // De Juru a Solidão, // Pra correr só de jumenta… // Não tem quem puxe sessenta // Nas estradas de sertão. (Ademar Rafael)

Como tem buraco à beça, // Não tem chofer que suporte, // Todo dia tem transporte, // Trocando pneu e peça, // Desde São José começa, // Esta peregrinação, // Quando chega no Leitão, // Aí o descaso aumenta, // Não tem quem puxe sessenta // Nas estradas de sertão.

De Sertânia a Afogados, // Daqui pra Serra Talhada, // Na buraqueira danada, // Pneus já foram cortados, // Veículos foram quebrados, // Devido à situação, // Na mão ou na contra mão, // O perigo se apresenta, // Não tem quem puxe sessenta // Nas estradas de sertão. (Diomedes Mariano)

Não tem quem consiga mais // Nas estradas ficar calmo. // Por que têm de palmo em palmo // Buracos quase anormais. // Sem ter asfalto, aliás, // Falta sinalização // E nessa “estrada de chão” // A poeira não assenta // Não tem quem puxe sessenta // Nas estradas do Sertão. (Dudu Morais)

– 28 de julho de 2010

Clique e OUÇA A ENTREVISTA
concedida pelo ex-secretário de Turismo, Cultura e Esportes de Afogados da Ingazeira, ao radialista Nill Jr, na Rádio Pajeú, em 10.06.2009, a respeito do seu afastamento da pasta.

Alexandre Morais, ex-secretário, nos enviou, há alguns meses, um email informando como encontrou pontos da Cultura na nossa cidade. Evidentemente, pelo pouco tempo que lá permaneceu, quase nada pôde acrescentar para resolver a sua estagnação.

1) Balé Popular de Afogados da Ingazeira –
Encontra-se desativado. Parte do figurino está na Secretaria de Turismo, Cultura e Esportes. Algumas peças estão com ex-componentes ou emprestadas a Escolas e Grupos. O ideal, no entanto, é recomeçar. Nossa meta é preparar um projeto para captação de recursos para novos figurinos e, especialmente, sede própria. É meta para médio prazo.

2) Companhia Artística Pajeú de Dança –
Esta segue bem. Mantém ensaios regulares e sempre expõe novidades e aprimoramentos. A coordenação é de Elias Mendes (professor de educação física e de danças). Este ano (2009) o grupo apresentou-se no Projeto Quinta Cultural, no Baile Municipal e no Carnaval do Centenário. Contato com Elias: (87) 9625.5263.

3) Grupo Aplausos de Teatro Amador –
Estava sem notícias deste grupo, mas pra nossa alegria recebi a visita de um dos coordenadores esta semana. Disse que o grupo está ensaiando e que tem duas peças em estágio final de produção, sendo as duas autorais e uma inédita. Ficou de  retornar com projeto, informações e contatos.

4) Grupo de Reisado do Sítio São João Novo –
Até onde sei está desativado. No último contato que tive, há cerca de um ano e meio, pediram-me uma visita ao grupo. Agendei, mas dois dias antes me procuraram pedindo para não mais participar da reunião. Atendi ao pedido.

5) Dança de Coco dos Negros e Negras do Leitão (remanescentes de quilombos) –
 Na véspera do Natal passado, um dos mais velhos do grupo faleceu. Tentei uma apresentação no final de janeiro (Encontro de Motociclistas) e disseram-me que em função da referida morte, o grupo estava parado. Não sei se já retomaram. Contato: Sebastião José (87) 9602.1816 e 3838.1276 (Sindicato dos Trabalhadores Rurais)

6) Fersan – Festival Regional da Sanfona –
Foi idealizado e promovido pelo Grupo Frente Jovem. Há dois anos não é realizado, mas para este há uma boa expectativa. Em contato pessoal com a presidente da Fundarpe, Luciana Azevedo, ela assegurou que destinaria recursos para a realização do evento. Estou elaborando um projeto junto com o vice-prefeito e fundador do Frente Jovem, Augusto Martins, para apresentarmos na Fundarpe. O período previsto para realização é 4 a 6 de junho. Conato com Augusto Martins: (87) 9998.1282

7) Encenação da Paixão de Cristo. (durante a Semana Santa) –
Desde o início de fevereiro o grupo vem se reunindo e ensaiando nas dependências do centro Desportivo Municipal, local onde já há alguns anos apresenta-se. Estão demonstrando preocupação com elenco, de infra-estrutura e financeira. Em reunião com o representante do Grupo Teatral Paixão de Cristo, Gerson, apresentei o edital da Fundarpe destinando R$ 300 mil exclusivamente para projetos de encenação da Paixão de Cristo. O mesmo optou por encaminhar o projeto junto a uma entidade/associação local. Repassei-lhe todo o conteúdo do edital. Contato com Gerson: (87) 9926.9816

8) Tabaqueiros – Figuras mascaradas tradicionais do Carnaval. (Durante o período momesco) –
Os tabaqueiras têm origem quase que simultânea às tradições do Carnaval de rua do município. Homens, mulheres e crianças vestem-se por completo, ocultando inclusive as mãos, e usam máscaras cobrindo toda a cabeça, de modo que não possam ser reconhecidos. Relhos e chocalhos são acessórios obrigatórios aos mais tradicionais. Sozinhos, em pequenos ou grandes grupos percorrem ruas e pontos de concentração, divertindo uns, assombrando outros e eternizando uma das tradições mais populares do Carnaval no interior de Pernambuco.

9) Vivência dos ciclos junino e natalino. (Junho e dezembro)
 O ciclo junino é forte em sua popularidade. Toda a comunidade envolve-se com as apresentações das escolas da rede municipal, postos de saúde e associação de moradores. Nos 15 dias que antecedem o São João, arraiais são realizados nos bairros, com danças, comidas típicas e atrações artísticas. Há a escolha do Arraial Campeão, aquele que se destaca em itens como variedade de apresentações, participação popular, ornamentação e outros. A culminância dá-se na Praça de Alimentação, no centro da cidade, com a apresentação dos campeões.
Esse Ciclo se estende ao 1º de julho, dia de Emancipação Política do município. Há cinco anos, agrega-se ainda à data, a Expoagro, exposição de caprinos, ovinos, bovinos e itens diversos da produção local e regional.
O ciclo natalino geral e tradicionalmente é composto por uma programação religiosa, idealizada e coordenada pela Diocese, e outra festiva coordenada pelo Governo Municipal. A religiosa tem início dias antes do Natal, com Missas, Louvores, Quermesses e outras tradições, seguindo até o 1º de janeiro, dia do padroeiro Senhor Bom Jesus dos Remédios, com uma histórica e numerosa procissão pelas ruas da cidade.
A programação festiva ultimamente tem se resumido a 3 ou 4 dias, com a promoção de festas em praça pública. Durante todo o período são instalados parques adultos e infantis, além de tradicionais bancas de jogos, diversão e alimentação.

10) Missa e desfile dos vaqueiros –
É realizada por uma comissão de vaqueiros e tem como uma espécie de padrinho-organizador o Promotor Público Lúcio Luiz de Almeida. Realiza-se sempre no dia 7 de setembro. Geralmente é esse o roteiro: concentração, celebração da missa, desfile por ruas da cidade e confraternização. Nas últimas edições, a missa foi realizada no Centro Desportivo Municipal.

11) Afogareta – Carnaval fora de época. (Nos primeiros dias de janeiro) –
Neste ano (2009) foi realizada sua 11ª edição. Geralmente ocorre no segundo ou terceiro final de semana de janeiro. Destaca-se como uma das grandes atrações da cidade por sua estrutura (trio elétrico e camarotes) e por suas atrações nacionais, algumas do cenário nacional. Realizador: Ney Quidute (87) 9998.2175

12) Encontro de Motociclistas –
É o maior destaque no quesito atração de público. A rede hoteleira fica completa, casas são alugadas, prédios públicos cedidos e muitos se acomodam em casas de amigos. Este ano mais de 200 moto clubes estiveram representados. Quase sempre acontece no último final de semana de janeiro. A realização é do Moto Clube Dragões de Aço, presidido por Messias Pires (87) 3838.1070

13) Trilhas Ecológicas (Grupos de Motociclistas e Jipeiros) –
Trilhas ecológicas mesmo são feitas sem programações muito prévias. O Grupo Trilhas e Trelas é um dos que têm feito isto, inclusive promovendo no ano passado o 1º Encontro Mirim de Educação Ambiental, culminando com uma trilha ao Sítio Matinha. Contatos: Cláudio Gomes (87) 9633.3342 ou Seriza Janaína (87) 9922.8001.
Motociclistas e jipeiros fazem trilhas de aventura. Também não têm calendário fixo. Por épocas chegam a praticar todos os fins e semana. Contatos: motos Lupércio Moraes 9924.5704 e jipes Araújo (mecânico) 9992.9593

14) Trilha e Festa do Caju –
Foi promovida por dois anos também pelo Grupo Frente Jovem, ganhando a adesão de jipeiros e motociclistas. Obedecendo a safra do caju ocorria no fim de novembro/início de dezembro. Não sei o motivo de não ocorrer no ano passado. O contato é Augusto Martins.

15) Escrituras Rupestres. (Visita durante todo o ano aos Sítios Arqueológicos) –
Infelizmente continuam à mercê do tempo. Não há ainda um trabalho de registro, preservação, ordenação de acesso e outros cuidados. Entra nosso plano de turismo a ser elaborado tão logo possamos no s dedicar a ele.

16) Encontro de Carros Antigos do Sertão –
Ocorreu pela primeira vez este ano (2009). Aprovadíssimo para uma primeira edição. Raridades locais e de vários municípios foram reunidas na Avenida Rio Branco no dia 25 de janeiro. A realização ficou a cargo de Lupércio Moraes, o mesmo dos Motociclistas Trilheiros.

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Alexandre Morais – Autobiografia

Meu nome é Alexandre José Lira de Morais. Nasci em 26 de fevereiro de 1977 em Afogados da Ingazeira, Estado de Pernambuco.  Em 10 de junho de 2005 me casei com Veratânia Lacerda Gomes de Morais na fazenda Serrote, zona rural da minha terra natal. Resido na Rua Diomedes Gomes, 152.

Meus pais João Batista de Morais (militar/PMPE) e Maria Letícia Lira de Morais (professora) tiveram dois filhos, sendo eu o mais velho.

Sou Jornalista e Agente Penitenciário do Estado de Pernambuco. Atualmente exerço o cargo de Secretário de Turismo, Cultura e Esportes do Município de Afogados da Ingazeira.

Como todo infante de família simples do interior, dividi o meu tempo entre a escola e as brincadeiras de rua. A origem rural de meus pais transmitiu-me muitos valores de simplicidade, e o contato direto com pessoas do campo despertou-me o gosto pelos tipos, costumes, ditos e causos populares.

O rádio foi outro indutor de minha formação inicial. Fazia visitas freqüentes à Rádio Pajeú e quase sempre dormia ao som de um moto rádio, no qual meu pai sempre ouvia os jogos do Santa Cruz (daí a minha sina tricolor), mas que eu, além dos jogos sintonizava à noite, quando a Pajeú saia do ar, as rádios Globo do Rio de Janeiro e Sociedade da Bahia.
 Na Pajeú tenho fortes lembranças do senhor Abílio Barboza na técnica de som, manuseando habilmente LPs e rolos enormes de fitas. Aquilo prendia mais minha atenção do que os próprios locutores. Neste tempo também é que a poesia começava a surgir. Digo, a admiração por ela. Sempre despertava a atenção o tocar de violas e guardo o canto dos gêneros Coqueiro da Bahia e Galope a beira mar (que na época para mim não eram improvisos, mas músicas gravadas).

Mais jovem, procurei participar de tudo que a mim chegava: esportes, teatro, música e todas as atividades extra-escola ou surgidas a partir dela. Da insistência em jogar futebol surgiu a grande oportunidade. Um primo me convidou a fazer um teste no Sport Recife. Mesmo conhecendo o pouco talento para tal, aceitei de pronto e a aprovação foi imediata. Não no futebol, mas no vestibular para o curso de Jornalismo. Eis uma lição de que não se deve deixar passar as oportunidades. Foi por abraçar uma delas, mesmo incerta, que alarguei horizontes e assegurei minha formação profissional.

Ostento passagens pelas secretarias estaduais da Fazenda e de Imprensa, Diário Oficial do Estado, Rádio Clube, Sintonia Comunicação, Jornal Vanguarda, Agreste On-Line, M&M Comunicação, Assembléia Legislativa de Pernambuco, Rádio Pajeú, Prefeitura de Afogados da Ingazeira e trabalhos livres para o Diário de Pernambuco. Paralelo a isto, prestei concurso público e fui aprovado para a função de Agente de Segurança Penitenciária do Estado de Pernambuco. Achei que seria uma rápida experiência. Já se vão oito anos de descobertas e aperfeiçoamento humano, com atuação no Presídio Aníbal Bruno, em Recife, Penitenciária Juiz Plácido de Souza, em Caruaru, e como supervisor das cadeias públicas de Afogados da Ingazeira, Tabira, Carnaíba e Flores.
Estudei na Escola Cônego João Leite (ensino fundamental e básico), Colégio Normal Estadual (ensino médio), Ginásio Pernambucano (último trimestre do ensino médio) e Universidade Católica de Pernambuco (ensino superior).

Faço parte do Rotary Club de Afogados da Ingazeira (presidente 2008/2009); da Loja Maçônica Arquitetos da Paz; do PCdoB de Afogados da Ingazeira (primeiro presidente); do Grupo Trilhas & Trelas. Fui membro do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural e Urbano. Cordéis publicados: > Afogados é assim; > A peleja sem fim de Belarmino Terra Quente com Benedito Pedra Boa; > Os meus Sertões; > U Professô Sertanêjo; > Afogados da Ingazeira, uma cidade que nasceu do amor.   Publicações, frutos de oficinas de cordel: > Grupo Renascer (Grupo da Melhor Idade); > Lampião Rei do Cangaço (Alunos da 3ª série da Escola Municipal São Sebastião – 2006); > Iguaracy terra do sol (Formandos da Escola Professora Rosete, Iguaracy – 2007); > Afogados da Ingazeira e sua história (Alunos da Educação de Jovens e Adultos da Escola Municipal Professor Geraldo Cipriano – 2007); > O Zé, a festa e a peleja (alunos da Educação de Jovens e Adultos da rede municipal de ensino de Carnaíba); > A Semana da Cultura (oficina de cordel na Semana da Cultura 2008 da Fafopai)
Outros > A feira da Ingazeira (Associação Comercial da Ingazeira); > Uma casa no sertão (Escola Dom Mota).