28 Dec

Curiosidades Nordestinas

Quando o turista está visitando uma cidade, procura sempre conferir os pontos turísticos, cada local indicado por guias e pessoas que ali já estiveram. No Nordeste, o turista costuma se divertir nas praias, conhecer um pouco do artesanato, dar uma volta em busca de novidades. Mas, caro leitor, já passou pela sua cabeça que aquela cidade pode ter muito mais a oferecer? Quais as lendas locais? Que mistura de raças faz com que a gastronomia ou o artesanato sejam daquele jeito? Há alguma pessoa famosa nascida naquele lugar? A partir desta edição, Fácil Nordeste trará ao leitor uma série de matérias com informações ainda mais esmiuçadas e curiosidades sobre cada estado nordestino. Afinal de contas, ao contrário do que muitos pensam, a região não é um só pacote, cada estado guarda suas peculiaridades. A série Curiosidades Nordestinas começa por Natal, capital do Rio Grande do Norte.

Curiosidades Nordestinas




O NOME E AS INFLUÊNCIAS
Logo pelo nome, dá para perceber quando foi descoberta a capital do Rio Grande do Norte: bem no dia 25 de dezembro. Uma pergunta engraçadinha
que os natalenses sempre escutam é: “lá é Natal todo dia?”. Não, claro que não. Mas a chamada Terra do Sol é tão bonita que se torna uma festa para os olhos.
Curiosamente, também por influência da data, um dos pontos turísticos mais conhecidos, que poderia ser uma réplica de manjedoura, é o Forte “Três Reis
Magos”. Para começar, lembremos que os norte-riograndenses, especialmente os natalenses são mais conhecidos como potiguares, o que demonstra a forte influência indígena no estado, uma vez a tribo potiguar foi uma das mais marcantes na história local, sendo o primeiro povo que os portugueses avistaram
ali, apesar da existência de outras tribos.

ÍNDIOS E REZADEIRAS
Já na época em que ali chegaram, os portugueses observaram como os índios utilizavam bem as plantas locais para curar doenças e como evocavam seus deuses para afastar maus espíritos. Provavelmente é esta influência que faz do Rio Grande do Norte um dos estados nordestinos com maior número de “rezadeiras”,
não só no interior, mas também na capital. Elas também são chamadas de curandeiras e benzedeiras e até “feiticeiras do bem”. Curiosamente, as rezadeiras potiguares não usam só plantas e orações em seus processos de curas – algumas utilizam panos, linha e agulha, saliva e até animais.


ARTESANATO
Por causa desta mesma influência indígena, os artesãos do Rio Grande do Norte dominam como poucos a arte de tecer redes de dormir, inclusive exportando para outros estados e até países. E ainda existem por lá pessoas que são exímias na arte de consertar punhos de rede, de bordá-las de acordo com o gosto do freguês, algo não muito comum em outros estados nordestinos, que também têm no tear
uma das fontes de artesanato. A renda renascença no estilo belga é encontrada no estado, diferente de outros tipos de rendas e bordados oriundos do Nordeste. As tramas em palha, outra influência indígena, mostra-se de forma delicada.

A LENDA DO LABATUT
Como em qualquer lugar do mundo, o Rio Grande do Norte também tem suas lendas. Algumas são compartilhadas com outros estados nordestinos e outras pertencem apenas a um determinado lugar. Uma das lendas próprias é a do
Labatut, um monstro que veio do fim do mundo e viveria na região do Apodi, na fronteira com o Ceará. Teria forma humana, mas com pés redondos, mãos compridas, cabelos bem longos, corpo todo cabeludo, dentes grandes como os
de um elefante e apenas um olho, situado no meio da testa, um ciclope. Este monstro comeria carne humana, especialmente a de crianças, cuja carne é mais macia. A grande curiosidade: o nome Labatut, que foi dado ao tal monstro é uma
“homenagem” ao general Pedro Labatut, que morou naquela divisa com o Ceará pelos idos de 1800. Dizem que ele era hostil, cruel e muito violento. Portanto, o apelido dado ao monstro faz todo sentido.


COMIDAS TÍPICAS
O Rio Grande do Norte tem vários pratos típicos que são comuns em outros estados nordestinos, com pequenas mudanças. Porém, alguns dizem que vem de lá a melhor carne-de-sol de toda a região. Com um bom corte de carne, ela é salgada e deixada ao sol (como diz o próprio nome) para que seja curtida, compondo vários pratos típicos e sendo também parte do dia-a-dia da dieta regular de muitos nordestinos. Porém, há algumas curiosidades: o mungunzá, comida de milho reparada em quase todos os estados brasileiros (também conhecida como canjica, no Sul e Sudeste do país) não é doce, mas salgada e pode levar até ingredientes como toucinho, lingüiça e outros itens que fazem uma espécie de feijoada, onde o feijão é substituído pelo milho – mas isso existe no sertão de outros estados nordestinos também. O mais típico do estado, porém, é a sopa de jerimum (abóbora), feita com leite e com o nome de “alambica”. Esta só tem lá.


EXPRESSÕES E CURIOSIDADES
Os “autos”, apresentados normalmente durante as festas natalinas, até o Dia de Reis, são como óperas populares, muito comuns no estado. Os Fandangos, que relembram as conquistas marítimas e as Cheganças, que encenam as batalhas entre mouros e cristãos, são manifestações folclóricas bem típicas do
estado. No dia de Natal há pela capital diversas apresentações teatrais populares, inclusive superproduções, muitas vezes encenadas na praia. Entre as danças típicas, há muitas comuns no Nordeste, mas uma característica da cultura potiguar é o Bambelô, um tipo de dança de roda. Há também as “bandeirinhas”,
comuns na época de São João.
Entre as expressões típicas dos potiguares (expressões que são mais de pessoas do interior e que podem até fazer parte do vocabulário de outras cidades), destacamos algumas: brocoió (matuto, caipira); andaço (diarréia); cabroeira (coletivo de cabras); caviloso (pessoa em quem não se pode ter confiança);
currumbá (ou sangongo – é o doce do mamão verde); sarapantar (assustar); cubar (observar disfarçadamente), entre outras tantas. Ao contrário do que se pensa, essas palavras não constituem uma língua portuguesa errada, mas a preservação do arcadismo, do modo que falavam os primeiros colonizadores
da região. Existem algumas curiosidades sobre Natal. É lá onde está
situada a Barreira do Inferno. Calma, estamos só nos referindo a um centro aeroespacial existente na cidade. O nome vem do barranco em cor vermelho-barro forte, de frente para o mar, que parece estar em fogo quando a luz do sol lhe bate. E, falando em instituições aeroespaciais, a Nasa, agência espacial
norte-americana, detectou que é na capital do Rio Grande do Norte que está um dos melhores “ares” do mundo.



A PERSONALIDADE
Poderíamos citar várias personalidades que agiram ou agem em várias áreas
pelo Brasil e pelo mundo que são norte-rio-grandenses. Mas um dos maiores
orgulhos de Natal é o de ser terra do grande folclorista Luís da Câmara Cascudo.
O gosto pelo folclore ele adquiriu desde criança, ouvindo “causos” e histórias
dos seus pais, de pescadores, de vizinhos. Ficou famoso por suas pesquisas sobre
hábitos, crendices, superstições que realizava muitas vezes em campo. Entre
os estudos destacam-se História da Alimentação do Brasil e Made in África,
sobre os africanos “aportuguesados”. Porém, entre vários livros, talvez o mais
importante seja “Antologia do Folclore Brasileiro”, uma verdadeira enciclopédia
para quem se interessa sobre o assunto. Ele nasceu em Natal em 1898 e
faleceu na mesma cidade em 1986. Na capital do Rio Grande do Norte, hoje,
é possível encontrar o memorial, museu, casa e biblioteca em homenagem a
esta personalidade fundamental para a pesquisa da história brasileira.
Agora que você, leitor, já conhece um pouco mais sobre o Rio Grande do
Norte, especialmente sobre Natal, saiba que este é o ponto de partida não só
para nossa série de matérias, mas para que você mesmo possa levantar seus dados e pesquisas na próxima viagem que fizer a esse estado maravilhoso. E, se assim desejar, escreva para a Fácil relatando como foram essas suas descobertas.