18 Oct

Recife – Uma cidade roubada às águas

A história do Recife está intimamente ligada às águas do Atlântico e dos rios Capibaribe e Beberibe. Tanto que seu nome vem do árabe ár-raçif, em homenagem à faixa de arrecifes de corais que se estende ao longo do litoral, como proteção natural do cais. Além disso, a urbanização da capital pernambucana foi feita à base de seguidos aterros de alagados e manguezais. Daí a inspiração do poeta recifense Carlos Pena Filho ao escrever “Metade roubada ao mar, metade à imaginação, pois é do sonho dos homens que uma cidade se inventa”.

Recife - Uma cidade


Às vésperas das comemorações de seu 460º aniversário, o Recife continua sabendo receber o turista de braços abertos, com a hospitalidade própria de sua gente. E quem tem sede de novos conhecimentos culturais, a cidade é uma fonte pura e inesgotável de saber. São centenas de monumentos históricos que fazem parte da vida do recifense. Como a primeira sinagoga das Américas, a Kahal Zur Israel, que funciona na rua do Bom Jesus, bairro do Recife Antigo. Ou as seculares pontes que dão à cidade o nome de Veneza Brasileira. Há também igrejas dos séculos XVI e XVII, o Teatro de Santa Isabel, de 1850, a Casa da Cultura (instalada na Casa de Detenção do século XIX), entre outras edificações preservadas ao longo dos séculos.

Se o assunto for literatura, a poesia pernambucana tem tido lugar de destaque com os poemas de Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto, Carlos Pena Filho, Mauro Motta, Joaquim Cardozo, Alberto Cunha Melo, Marcus Accioly e César Leal, entre tantos outros. Entre os escritores, destacam-se Gilberto Freyre, Mário Sette, Gilvan Lemos, Osman Lins, Ariano Suassuna, Raimundo Carrero e mais um sem número de romancistas, contistas e novelistas. Por falar em novelista, vale lembrar o nome de Aguinaldo Silva, autor de várias telenovelas globais de sucesso. E nesse roteiro literário, as casas de Gilberto Freyre e Manuel Bandeira hoje são pontos de visitação turística no Recife.

Nas artes plásticas, quando se fala em produção artística no Recife, são obrigatórias citações aos nomes de Francisco Brennand (sua oficina no bairro da Várzea recebe número crescente de turistas a cada ano), Abelardo da Hora, Lula Cardoso Ayres, Wellington Virgolino, Murillo La Greca (suas obras estão reunidas num museu), Augusto Rodrigues, Reynaldo Fonseca, José Cláudio, Gil Vicente e o gravurista Gilvan Samico.
Templo da história das artes em Pernambuco, o museu medieval do colecionador Ricardo Brennand, no bairro da Várzea, é ponto de visitação obrigatória no Recife. Lá se encontram a maior coleção de armas brancas do mundo e uma pinacoteca fantástica, onde se destaca a maior coleção privada do pintor holandês Frans Post, do Século XVII, além armaduras de cavaleiros da Idade Média, tapeçarias, esculturas e mobiliários centenários.

Na música pernambucana, não dá para deixar de citar os nomes do Quinteto Violado, Nelson Ferreira, Lenine, Luiz Gonzaga, Capiba, Alceu Valença, Nando Cordel, Geraldo Azevedo, Chico Science. Todos representantes legítimos desse berço natural de grandes artistas. E no folclore, é uma delícia ver as evoluções e o batuque dos maracatus de baque-virado ou dos maracatus rurais, o colorido dos caboclinhos, com seus passos apressados. Na dança, destaque para os movimentos suaves da ciranda e da sensualidade matuta do coco-de-roda. Ou do arrasta-pé do forró, cada vez mais em evidência nas noites da cidade.
Assim, é de cultura, artes, histórias, belezas naturais e sonhos que se faz o Recife. Uma cidade hospitaleira, cujo povo, sempre de braços abertos, sabe como bem receber seus visitantes.