29 Jul

EU SOU O QUE NINGUÉM VÊ


Sou a casa em que nasci e que um bom tempo vivi. Sou o quarto compartilhado, com minhas irmãs, eu me lembro. Sou os segredos que delas ouvi, e o segredo que a nenhuma contei…

Eu sou os meus irmãos homens, que me dão segurança e carinho. Sou a saudade do meu pai! Eu sou minha família!…

Eu sou a minha mãe, Guerreira por excelência, mãe por competência, bravura e muita coragem para com Deus compartilhar, dizendo, sim: vou multiplicar. Sou a saudade daquele tempo. Criança ainda, bem pequena, de “CRISTO”, esposa queria ser… Quem sabe, até, réplica de “MADALENA”.

Sou a tristeza de não ter dado certo. Sou o atalho de uma encruzilhada, e hoje, até dou gargalhada por não ter desfeito ali no altar, a dor de não ter dito “não” , mas a alegria de ter dito “sim”, por não ter amputado do meu corpo, da minha “alma”, a doce alegria de ser MÃE! Eu sou a alegria de “ser”. Sou os pelos do braço que eriçam e me excitam. Sou a carência que grita, o afago que permuta. Sou garras afiadas em pontas de dedos que também afagam. Mãos que acariciam. Incitam disfarçadas.

Sou LÁGRIMAS… Sou o desprezo daquilo que prezo. Sou a renúncia de tudo que é prazeroso, mas… SANTA eu não sou, não!… Sou o fogo que me queima, e a água que me apaga. Eu sou tudo que pleiteio. Sou poesia nunca recitada, mas, aplaudida! Sou uma ausência sentida, e uma presença rejeitada. Sou meu próprio paradoxo. Eu sou a minha CRUZ e também meu CIRENEU… Sou aquilo que todos veem. Sou aquilo que ninguém vê… “SOU EU” (Geneci Almeida.

(Afora isso, sou professora, compositora, poetisa, pintora, cozinheira, arrumadeira e tudo que uma mulher pode conciliar no dia a dia.