29 Jul

EU SOU O QUE NINGUÉM VÊ


Sou a casa em que nasci e que um bom tempo vivi. Sou o quarto compartilhado, com minhas irmãs, eu me lembro. Sou os segredos que delas ouvi, e o segredo que a nenhuma contei…

Eu sou os meus irmãos homens, que me dão segurança e carinho. Sou a saudade do meu pai! Eu sou minha família!…

Eu sou a minha mãe, Guerreira por excelência, mãe por competência, bravura e muita coragem para com Deus compartilhar, dizendo, sim: vou multiplicar. Sou a saudade daquele tempo. Criança ainda, bem pequena, de “CRISTO”, esposa queria ser… Quem sabe, até, réplica de “MADALENA”.

Sou a tristeza de não ter dado certo. Sou o atalho de uma encruzilhada, e hoje, até dou gargalhada por não ter desfeito ali no altar, a dor de não ter dito “não” , mas a alegria de ter dito “sim”, por não ter amputado do meu corpo, da minha “alma”, a doce alegria de ser MÃE! Eu sou a alegria de “ser”. Sou os pelos do braço que eriçam e me excitam. Sou a carência que grita, o afago que permuta. Sou garras afiadas em pontas de dedos que também afagam. Mãos que acariciam. Incitam disfarçadas.

Sou LÁGRIMAS… Sou o desprezo daquilo que prezo. Sou a renúncia de tudo que é prazeroso, mas… SANTA eu não sou, não!… Sou o fogo que me queima, e a água que me apaga. Eu sou tudo que pleiteio. Sou poesia nunca recitada, mas, aplaudida! Sou uma ausência sentida, e uma presença rejeitada. Sou meu próprio paradoxo. Eu sou a minha CRUZ e também meu CIRENEU… Sou aquilo que todos veem. Sou aquilo que ninguém vê… “SOU EU” (Geneci Almeida.

(Afora isso, sou professora, compositora, poetisa, pintora, cozinheira, arrumadeira e tudo que uma mulher pode conciliar no dia a dia.


22 Jul

Fernando Pires

Pernambucano de Afogados da Ingazeira, nasceu em 1951. É filho de Hermenegildo Marinho dos Santos (Minéu) e Erotides Pires dos Santos (Tida).

Iniciou seus estudos nas Escolas Reunidas Dona Anna Melo que à época funcionava no prédio de esquina, ao lado esquerdo do Palácio Episcopal (atual Cúria Diocesana). Depois, no Grupo Escolar Pe. Carlos Cottart, cursou o primário.

Desde criança – por volta de 1962 -, ajudava o seu pai na loja de tecidos de sua propriedade na Praça Domingos Teotônio,51. Em 1963 fez o curso de admissão ao ginásio no pré-seminário de Afogados da Ingazeira (vizinho à antiga Maternidade Emília Câmara). No ano seguinte foi para Pesqueira e, no seminário São José/Colégio Cristo Rei, fez o primeiro ano ginasial. Sentindo falta de vocação para a vida religiosa retornou à sua cidade onde concluiu o primeiro grau em 1966, no Ginásio Cenecista Mons. Pinto de Campos.

Em São Lourenço na Mata-PE, em 1967, fez um teste na Escola Agrícola da UFRPE, onde cursou o 1º ano de Técnico Agrícola. Na capital pernambucana, em 1968, fez o 2º ano científico no CEP- Colégio Estadual de Pernambuco (na Rua da Aurora).

Aos 18 anos, sentido necessidade de trabalhar, e, surgindo uma oportunidade em Maceió-AL na Companhia Brasileira de Armazenamento – CIBRAZÉM , se dirigiu àquela capital, onde desembarcou na noite de 20 de julho de 1969. (Data guardada nítidamente em sua lembrança, pois naquele mesmo dia os tripulantes da nave da Nasa Apollo 11 venceram o maior desafio da guerra fria, a corrida espacial. Entre pioneiros, os astronautas Neil Armstrong e Edwin “Buzz” Aldrin, que foram os primeiros homens a caminhar no solo lunar).

Iniciou a vida profissional trabalhando na CIBRAZEM (1º de agosto de 1969) e na Construtora Silva (05 de abril de 1970), em Maceió, quando se desligou, alguns meses depois, vislumbrando novos desafios.

Em concurso do Banco do Brasil, realizado em Maceió-AL em 1970, foi aprovado, assumindo o posto de Auxiliar de Escrita 050, em Viçosa-AL, em 05 de julho de 1971.

Transferido para Afogados da Ingazeira em agosto de 1972, trabalhou naquela agência até os primeiros dias de março de 1996, quando foi removido para o Recife. Nesse ínterim -1975 -, foi adido nas agências de Princesa Isabel-PB e Rio Branco-AC.

Na capital pernambucana trabalhou nas agências Boa Viagem (Barão de Souza Leão) e Rua da Hora, se aposentando ao final de 2004. Passou quase 34 anos no Banco do Brasil.

Em 1997, estabelecido no Recife, criou uma página na internet dedicada à terra natal.

Produziu  o CD-ROM Afogados da Ingazeira “Sua História – em 2002; e o livro Afogados da Ingazeira “Memórias” que esmiúça a história da cidade e região, em 273 páginas, no ano de 2004.

Em 2006 produziu o DVD Memórias do Esporte em Afogados da Ingazeira, que retrata os atletas e clubes desde o distante ano de 1930 onde incluiu entrevistas com 5 atletas da época.

É um amante do resgate da história de tudo que se relaciona com sua Afogados da Ingazeira.

No momento está revisando o livro Afogados da Ingazeira “Memórias”, com a possibilidade de oferecer mais informações aos conterrâneos e amigos da sua cidade sertaneja.

Publicações:

Afogados da Ingazeira “Memórias” – Livro

Publicações eletrônicas:
Afogados da Ingazeira “Sua História” – CD-ROM
Passeio em Afogados da Ingazeira – DVD
Memórias do Esporte em Afogados da Ingazeira – DVD
Grito de Alerta – DVD
Waldecy Xavier de Menezes – Entrevista – DVD
Letícia de Campos Góes – Entrevista – DVD

E, mais de 20 outras entrevistas com personagens afogadenses, em DVD


15 Jul

Diomedes Laurindo de Lima

Conhecido como Diomedes Mariano, o DIÓ é poeta, repentista, embolador (amador), declamador, escritor, humanista e cidadão brasileiro. Filho de José Antonio Laurindo (em memória) e Maria José Laurindo de Lima, nasceu em 19 de fevereiro de 1964 no sítio Barra-Solidão/PE.

Inspirado nos folhetos de cordel que seu pai comprava nas feiras e sua mãe lia para ele e seus irmãos, ouvindo programas de cantoria nas rádios Pajeú de Afogados da Ingazeira, Rural de Caicó-RN, Espinhara de Patos-PB e outras mais, descobriu seu talento para recitar e fazer versos aos oito anos de idade.

Residiu na zona rural até os dez anos, onde dividia seu tempo entre os afazeres da roça e os estudos, vindo a concluir o primário na Escola Luiz Carolino de Siqueira com a professora Virgínia Oliveira.

Pouco tempo depois, mudou-se para Afogados da Ingazeira, onde reside até os dias atuais.
Desde então encantava a todos com seus versos improvisados. Já na fase adulta participou de mais de 60 Festivais de Violeiros, conquistando premiação em todos eles.
Como declamador esteve presente em inúmeros recitais, em várias cidades do nordeste como Petrolina, Campina Grande, João Pessoa, Teresina, Recife, Caruaru, Arcoverde e Maceió. Com o seu talento obteve grande destaque nos festivais de Brasília e São Paulo.

Diomedes também cantou com poetas famosos como Ivanildo Vila Nova, João Paraibano, Sebastião Dias, Sebastião da Silva, Moacir Laurentino, Geraldo Amâncio, Diniz Vitorino, Severino Feitosa, Valdir Teles, Zé Viola, Os Nonatos e outros gênios da cantoria.

O Poeta divide seu tempo entre suas cantorias e seus afazeres de comerciante, trabalhando no “Borbão” há quase 30 anos, loja que faz parte de sua história. Por curtos períodos trabalhou, também, numa churrascaria de Helvécio Mariano, na Praça Mons. Arruda Câmara e no Escritório de Contabilidade de João Mariano, seus tios.

Em Afogados da Ingazeira cursou o ginasial e o 2º grau no Ginásio Mons. Pinto de Campos, tendo como diretor o sr. Luiz Alves dos Santos. Essa, única escola onde estudou desde que foi pra cidade, e onde concluiu seus estudos.

Esse multi artista tem dois CDs gravados. O primeiro em parceria com João Paraibano, intitulado “Esse é o sertão cantado por quem melhor lhe conhece”. O outro, com Sebastião Dias, “Violeiros do Pajeú”.

Teve participação, também, em inúmeros CDs e DVDs de Festivais de Cantoria com diversos artistas. Ressaltamos, também, trabalhos gravados por nomes expressivos da Cantoria como Ivanildo Vila Nova, João Paraibano, Edezel Pereira, Valdir Teles, Raimundo Caetano, Val Patriota e Delmiro Barros, entre outros.

Filosofia de Vida

“Andar sempre de cabeça erguida para não tropeçar nos obstáculos da própria sombra”

O Coreto da Pracinha

Muita gente recorda que havia, / No coreto cantado em prosa e verso, / Um ilustre celeiro, um universo, / De pessoas dotadas de alegria, / JÚLIO BOY, BEL NAZÁRIO, que hoje em dia, / Já habitam nos planos divinais, / Um ANTÔNIO MARTINS que ainda faz, / Uso de uma cadeira que lá tinha, / Só restou no Coreto da Pracinha, / a Cadeira de Ferro e nada mais

A cadeira de ferro foi assento, / Pra LULU e PIROCA de seu NÉ, / Para ANTÔNIO LALAU, que hoje é, / Inquilino de Deus no firmamento, / Para NÊGO o poeta cem por cento, / Declamando seus versos imorais, / ALMIR PIRES, na época um bom rapaz, / SÍLVIO CRUZ, TADEUZÃO, IVO E BOMBINHA, / Só restou no Coreto da Pracinha, / a Cadeira de Ferro e nada mais.

CLÓVIS e CARLOS de DÓIA, a dupla ia, / Todo dia ao coreto dar plantão, / Com AÍLTON e OSVALDO de SIMÃO, / Outra dupla da mesma parceria, / Seu MANOEL, dono da barbearia, / Atendia os clientes principais, / GENI dono do bar vendia aos quais, / Serra Grande, Alcatrão, Brahma e Sardinha, / Só restou no Coreto da Pracinha, / a Cadeira de Ferro e nada mais.

Todo fim de dezembro era o lugar, / Preferido dos grandes dançarinos, / No forró embalado onde os meninos, / Iam todos dispostos a dançar, / Senhor HERMES, no seu primeiro andar, / Contratava atrações para os casais, / Nesse tempo LUÍS era rapaz, / E ZÉ de HERMES mais novo que LOURDINHA, / Só restou no Coreto da Pracinha, / a Cadeira de Ferro e nada mais.

Como tudo na vida leva fim, / O “coreto” se foi nessa enxurrada, / Resta só a cadeira preservada, / Por ANTÔNIO MARTINS que disse a mim, / Podem vir com Ouro, com Marfim, / Com Topázio, Brilhante ou com Reais, / Que não troca e também não se desfaz, / Não tem nada que compre a cadeirinha, / Só restou no Coreto da Pracinha, / a Cadeira de Ferro e nada mais.

O Coreto passou mas sua história, / Não passou nem tampouco passará, / E a cadeira, este marco ficará, / Como peça sublime exposta a glória, / Como toda existência é transitória, / De madeiras, cerâmicas e metais, / Ficará a cadeira nos anais, / De quem sabe a importância que ela tinha, / Só restou no Coreto da Pracinha, / a Cadeira de Ferro e nada mais.

Hoje resta a saudade traiçoeira, / Que ataca, destrói, que dilacera, / Perturbando o senhor LULU PANTERA, / ZÉ de GÓES, TOTA FLOR, CHICO VIEIRA, / Quem fez uso excessivo da cadeira, / Nas diversas manhãs dominicais, / Ao lembrar do passado se desfaz, / Ante a dor da saudade que espezinha, / Só restou no Coreto da Pracinha, / a Cadeira de Ferro e nada mais.

Diomedes Mariano
Afogados da Ingazeira-PE, 25/01/2011

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Rádio Pajeú – 51 anos de existência

Parabéns PAJEÚ, rádio querida,

Por cinquenta e um anos de existência,

Liderando as pesquisas de audiência,

Como sendo de fato a mais ouvida.

Por Dom Mota esta rádio foi trazida,

Já sabendo que vinha pra ficar,

Desde a hora que ela entrou no ar,

Até hoje estamos festejando,

Que ela vem instruindo e educando,

Divulgando a Cultura Popular.

Quatro horas em plena madrugada,

Nossa rádio se acorda sonolenta,

Mas ao som do forró a rádio esquenta,

Acordando o Sertão sem cobrar nada,

Em seguida mantém sempre informada,

Sua extensa e atual programação,

O orgulho maior para o Sertão,

Que já se acostumou a  desfrutar,

De uma Rádio católica, popular,

A serviço da nossa região.

Parabéns para rádio e pra quem faz,

Esta programação imorredoura,

Para todos que fazem a emissora,

Que de fato são profissionais,

Quanta coisa deixada para trás,

Por heróis que aqui se efetivaram,

Deram muito de si, mas se mudaram,

A convite de Cristo ao céu subiram,

Nosso imenso obrigado aos que partiram,

Nosso abraço fraterno aos que ficaram!

Diomedes Mariano
Afogados da Ingazeira-PE, 2010

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Aventuras

Fui bastante sincero com você, // Dei um pouco de crédito às suas juras, // Nosso tempo foi curto, mas rendeu, // Atrações, sensações, ânsias, loucuras, // Apesar dos receios e temores, // Como dois estreantes amadores, // Tendo medo das próprias aventuras.

O bulício da brisa nos lençóis, // O espelho do sol nos azulejos, // Os impulsos dos tensos corações, // Superaram  a muralha dos desejos, // Testemunha dos fatos ocorridos, // A parede guardou nos seus ouvidos, // Os estalos sutis dos nossos beijos.

Nada mais importava além daquilo, // Paz, afeto, carinho e harmonia, // No seu colo macio eu me deitava, // Nos meus braços, você adormecia, // Nossa única intenção era de amar, // Como a água foi feita para o mar, // Fomos feitos pra nós naquele dia.

Nossa estada foi breve, mas foi bela, // Foi vivida com muita intensidade, // Era o dia do fico, mas eu fui, // Obrigado a partir contra vontade, // Sem que um pouco de graça visse em nada, // Como abelha sem favo, embriagada, // Nos resíduos do cálice da saudade.

Deixei marcas de mim pelo seu corpo, // O formato da face no seu seio, // Ao encontro da minha boca úmida // Sua boca faminta também veio, // Ao quebrarmos os recordes da censura, // Onde houver uma história de aventura, // O capítulo da nossa ? está no ?

Quase um sonho, mas foi realidade, // Durou pouco demais, mas deu prazer, //
Você foi, você é, você será // O motivo maior do meu viver, //
Seiva doce, da fruta proibida,// A história de amor por nós vivida, //
Vai ser muito difícil de esquecer.

Diomesde Mariano
Afogados da Ingazeira-PE

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Madalena Vieira Brandão


Quem nunca escutou falar, em BETO DE MADALENA?
a estrela sai de cena, pro descendente ficar,
ZEFINHA, vai lamentar, ZÉ, chorar a orfandade,
em ANTÔNIO, a dor invade, em FÁTIMA, a tristeza é plena,
PRA O CÉU, SE FOI MADALENA, PRA NÓS SÓ RESTA A SAUDADE.

Nossos pêsames a todos os familiares

Diomedes Mariano
Afogados da Ingazeira-PE, 7 de abril de 2010

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Cem Anos de Doutor Hermes


Doutor Hermes faz parte da doutrina, / Que ensina o cristão a ser fiel,
O seu pai foi chamado de Manoel, / Sua mãe se chamou Capitulina,
Conseguiu ingressar na medicina, / E pouco tempo depois de se formar,
Preteriu o Recife pra morar, / No sertão onde o povo o ama tanto,
PARABÉNS DR. HERMES DE SOUZA CANTO,
POR CEM ANOS DE HISTÓRIA PRA CONTAR.

Doutor Hermes podia, mas não quis, / Em Recife exercer a profissão,
Escolheu um recanto do sertão, / Pra poder abrigar-se e ser feliz,
De diploma na mão, a história diz, / Trinta e oito era o ano, eu vou lembrar,
Em Tabira chegou pra trabalhar, / Quando ainda chamava-se Espírito Santo,
PARABÉNS DR. HERMES DE SOUZA CANTO,
POR CEM ANOS DE HISTÓRIA PRA CONTAR.

Por ali enfrentou sol e poeira, / Mas a força do homem ninguém mede,
Só três anos depois veio pra sede, / A querida Afogados da Ingazeira,
Esta mesma cidade hospitaleira, / Com uns tempos, passou a governar,
Atendeu o chamado popular, / Seu mandato seu deu com grande encanto,
PARABÉNS DR. HERMES DE SOUZA CANTO,
POR CEM ANOS DE HISTÓRIA PRA CONTAR.

Fixou residência na terrinha, / Adotou o sertão pernambucano,
Pai de Vânia, Hermes Júnior e Luciano, / E o esposo de Dona Terezinha,
Cidadão de postura, homem de linha, / Nunca foi um cristão de se negar,
Seus favores por tudo que é lugar, / São lembrados por nós, por todo canto,
PARABÉNS DR. HERMES DE SOUZA CANTO,
POR CEM ANOS DE HISTÓRIA PRA CONTAR.

Do político, o instinto sonhador, / Do cristão, a postura e a grandeza,
Como chefe da prole, uma certeza, / O marido fiel, bom genitor,
Qualidade sublime no doutor, / Que atendeu tanta gente sem cobrar,
Pondo Deus, no seu jeito de curar, / Tendo fé no divino Espírito Santo,
PARABÉNS DR. HERMES DE SOUZA CANTO,
POR CEM ANOS DE HISTÓRIA PRA CONTAR.

Neste dia em que ele completou, / De janeiros vividos, uma centena,
A família irmanada entrou em cena, / Pra brindar a centena que chegou,
Luciano não veio, mas mandou, / Uma estrela divina lhe guiar,
Afogados se uniu pra lhe abraçar, / E eu me encontro feliz do mesmo tanto,
PARABÉNS DR. HERMES DE SOUZA CANTO,
POR CEM ANOS DE HISTÓRIA PRA CONTAR.

Diomedes Mariano


9 Jul

A Buraqueira Nas Estradas do Nosso Sertão

As poesias a seguir – de autorias diversas – retratando o estado das estradas no nosso sertão e que aflige o nosso povo, foram-nos enviadas pelo poeta Alexandre Morais (foto):

Nosso protesto poético irreverente // Que nem capa de enxu // Ou tábua de pirulito // Tem buraco ao infinito // Nas pistas do Pajeú

Já se vê mais barro cru // Do que asfalto no chão // De pequeno a caminhão // Foi num foi um se arrebenta // Não tem quem puxe sessenta // Nas estradas do sertão. (Alexandre Morais)

Não presta pra São José, // Afogados da Ingazeira, // Serra é uma buraqueira // Que até quem não vê da fé… // Depois de Albuquerque-Né // É que muda a posição. // Mas na nossa região // Ninguém sai da marcha lenta. // Não tem quem puxe sessenta // Nas estradas do sertão. (Dedé Monteiro)

De Arcoverde a Petrolina // A pista é um só buraco // O asfalto parece fraco // Se fura até com neblina // No barro não se aglutina // E nem suporta pressão // Os carros na contramão // A todo instante atormenta // Não tem quem puxe sessenta // Nas estradas do sertão. (Antônio Neto)

Eu moro na Capital // Mas não esqueço Tabira // O meu sertão, minha lira // A minha terra natal // Ao vê-la cresço em astral // Mas fico às vezes na mão // Que a buraqueira do cão // O meu carro não aguenta // Não tem quem puxe sessenta // Nas estradas do sertão. (João Alderney)

Gasta pra mais de uma hora // De “Afogado” a Calumbi, // De Sertânia a Iguaracy // É que a coisa demora: // Se um pneu não vai embora, // Quem se vai é a suspensão… // De Juru a Solidão, // Pra correr só de jumenta… // Não tem quem puxe sessenta // Nas estradas de sertão. (Ademar Rafael)

Como tem buraco à beça, // Não tem chofer que suporte, // Todo dia tem transporte, // Trocando pneu e peça, // Desde São José começa, // Esta peregrinação, // Quando chega no Leitão, // Aí o descaso aumenta, // Não tem quem puxe sessenta // Nas estradas de sertão.

De Sertânia a Afogados, // Daqui pra Serra Talhada, // Na buraqueira danada, // Pneus já foram cortados, // Veículos foram quebrados, // Devido à situação, // Na mão ou na contra mão, // O perigo se apresenta, // Não tem quem puxe sessenta // Nas estradas de sertão. (Diomedes Mariano)

Não tem quem consiga mais // Nas estradas ficar calmo. // Por que têm de palmo em palmo // Buracos quase anormais. // Sem ter asfalto, aliás, // Falta sinalização // E nessa “estrada de chão” // A poeira não assenta // Não tem quem puxe sessenta // Nas estradas do Sertão. (Dudu Morais)

– 28 de julho de 2010

Clique e OUÇA A ENTREVISTA
concedida pelo ex-secretário de Turismo, Cultura e Esportes de Afogados da Ingazeira, ao radialista Nill Jr, na Rádio Pajeú, em 10.06.2009, a respeito do seu afastamento da pasta.

Alexandre Morais, ex-secretário, nos enviou, há alguns meses, um email informando como encontrou pontos da Cultura na nossa cidade. Evidentemente, pelo pouco tempo que lá permaneceu, quase nada pôde acrescentar para resolver a sua estagnação.

1) Balé Popular de Afogados da Ingazeira –
Encontra-se desativado. Parte do figurino está na Secretaria de Turismo, Cultura e Esportes. Algumas peças estão com ex-componentes ou emprestadas a Escolas e Grupos. O ideal, no entanto, é recomeçar. Nossa meta é preparar um projeto para captação de recursos para novos figurinos e, especialmente, sede própria. É meta para médio prazo.

2) Companhia Artística Pajeú de Dança –
Esta segue bem. Mantém ensaios regulares e sempre expõe novidades e aprimoramentos. A coordenação é de Elias Mendes (professor de educação física e de danças). Este ano (2009) o grupo apresentou-se no Projeto Quinta Cultural, no Baile Municipal e no Carnaval do Centenário. Contato com Elias: (87) 9625.5263.

3) Grupo Aplausos de Teatro Amador –
Estava sem notícias deste grupo, mas pra nossa alegria recebi a visita de um dos coordenadores esta semana. Disse que o grupo está ensaiando e que tem duas peças em estágio final de produção, sendo as duas autorais e uma inédita. Ficou de  retornar com projeto, informações e contatos.

4) Grupo de Reisado do Sítio São João Novo –
Até onde sei está desativado. No último contato que tive, há cerca de um ano e meio, pediram-me uma visita ao grupo. Agendei, mas dois dias antes me procuraram pedindo para não mais participar da reunião. Atendi ao pedido.

5) Dança de Coco dos Negros e Negras do Leitão (remanescentes de quilombos) –
 Na véspera do Natal passado, um dos mais velhos do grupo faleceu. Tentei uma apresentação no final de janeiro (Encontro de Motociclistas) e disseram-me que em função da referida morte, o grupo estava parado. Não sei se já retomaram. Contato: Sebastião José (87) 9602.1816 e 3838.1276 (Sindicato dos Trabalhadores Rurais)

6) Fersan – Festival Regional da Sanfona –
Foi idealizado e promovido pelo Grupo Frente Jovem. Há dois anos não é realizado, mas para este há uma boa expectativa. Em contato pessoal com a presidente da Fundarpe, Luciana Azevedo, ela assegurou que destinaria recursos para a realização do evento. Estou elaborando um projeto junto com o vice-prefeito e fundador do Frente Jovem, Augusto Martins, para apresentarmos na Fundarpe. O período previsto para realização é 4 a 6 de junho. Conato com Augusto Martins: (87) 9998.1282

7) Encenação da Paixão de Cristo. (durante a Semana Santa) –
Desde o início de fevereiro o grupo vem se reunindo e ensaiando nas dependências do centro Desportivo Municipal, local onde já há alguns anos apresenta-se. Estão demonstrando preocupação com elenco, de infra-estrutura e financeira. Em reunião com o representante do Grupo Teatral Paixão de Cristo, Gerson, apresentei o edital da Fundarpe destinando R$ 300 mil exclusivamente para projetos de encenação da Paixão de Cristo. O mesmo optou por encaminhar o projeto junto a uma entidade/associação local. Repassei-lhe todo o conteúdo do edital. Contato com Gerson: (87) 9926.9816

8) Tabaqueiros – Figuras mascaradas tradicionais do Carnaval. (Durante o período momesco) –
Os tabaqueiras têm origem quase que simultânea às tradições do Carnaval de rua do município. Homens, mulheres e crianças vestem-se por completo, ocultando inclusive as mãos, e usam máscaras cobrindo toda a cabeça, de modo que não possam ser reconhecidos. Relhos e chocalhos são acessórios obrigatórios aos mais tradicionais. Sozinhos, em pequenos ou grandes grupos percorrem ruas e pontos de concentração, divertindo uns, assombrando outros e eternizando uma das tradições mais populares do Carnaval no interior de Pernambuco.

9) Vivência dos ciclos junino e natalino. (Junho e dezembro)
 O ciclo junino é forte em sua popularidade. Toda a comunidade envolve-se com as apresentações das escolas da rede municipal, postos de saúde e associação de moradores. Nos 15 dias que antecedem o São João, arraiais são realizados nos bairros, com danças, comidas típicas e atrações artísticas. Há a escolha do Arraial Campeão, aquele que se destaca em itens como variedade de apresentações, participação popular, ornamentação e outros. A culminância dá-se na Praça de Alimentação, no centro da cidade, com a apresentação dos campeões.
Esse Ciclo se estende ao 1º de julho, dia de Emancipação Política do município. Há cinco anos, agrega-se ainda à data, a Expoagro, exposição de caprinos, ovinos, bovinos e itens diversos da produção local e regional.
O ciclo natalino geral e tradicionalmente é composto por uma programação religiosa, idealizada e coordenada pela Diocese, e outra festiva coordenada pelo Governo Municipal. A religiosa tem início dias antes do Natal, com Missas, Louvores, Quermesses e outras tradições, seguindo até o 1º de janeiro, dia do padroeiro Senhor Bom Jesus dos Remédios, com uma histórica e numerosa procissão pelas ruas da cidade.
A programação festiva ultimamente tem se resumido a 3 ou 4 dias, com a promoção de festas em praça pública. Durante todo o período são instalados parques adultos e infantis, além de tradicionais bancas de jogos, diversão e alimentação.

10) Missa e desfile dos vaqueiros –
É realizada por uma comissão de vaqueiros e tem como uma espécie de padrinho-organizador o Promotor Público Lúcio Luiz de Almeida. Realiza-se sempre no dia 7 de setembro. Geralmente é esse o roteiro: concentração, celebração da missa, desfile por ruas da cidade e confraternização. Nas últimas edições, a missa foi realizada no Centro Desportivo Municipal.

11) Afogareta – Carnaval fora de época. (Nos primeiros dias de janeiro) –
Neste ano (2009) foi realizada sua 11ª edição. Geralmente ocorre no segundo ou terceiro final de semana de janeiro. Destaca-se como uma das grandes atrações da cidade por sua estrutura (trio elétrico e camarotes) e por suas atrações nacionais, algumas do cenário nacional. Realizador: Ney Quidute (87) 9998.2175

12) Encontro de Motociclistas –
É o maior destaque no quesito atração de público. A rede hoteleira fica completa, casas são alugadas, prédios públicos cedidos e muitos se acomodam em casas de amigos. Este ano mais de 200 moto clubes estiveram representados. Quase sempre acontece no último final de semana de janeiro. A realização é do Moto Clube Dragões de Aço, presidido por Messias Pires (87) 3838.1070

13) Trilhas Ecológicas (Grupos de Motociclistas e Jipeiros) –
Trilhas ecológicas mesmo são feitas sem programações muito prévias. O Grupo Trilhas e Trelas é um dos que têm feito isto, inclusive promovendo no ano passado o 1º Encontro Mirim de Educação Ambiental, culminando com uma trilha ao Sítio Matinha. Contatos: Cláudio Gomes (87) 9633.3342 ou Seriza Janaína (87) 9922.8001.
Motociclistas e jipeiros fazem trilhas de aventura. Também não têm calendário fixo. Por épocas chegam a praticar todos os fins e semana. Contatos: motos Lupércio Moraes 9924.5704 e jipes Araújo (mecânico) 9992.9593

14) Trilha e Festa do Caju –
Foi promovida por dois anos também pelo Grupo Frente Jovem, ganhando a adesão de jipeiros e motociclistas. Obedecendo a safra do caju ocorria no fim de novembro/início de dezembro. Não sei o motivo de não ocorrer no ano passado. O contato é Augusto Martins.

15) Escrituras Rupestres. (Visita durante todo o ano aos Sítios Arqueológicos) –
Infelizmente continuam à mercê do tempo. Não há ainda um trabalho de registro, preservação, ordenação de acesso e outros cuidados. Entra nosso plano de turismo a ser elaborado tão logo possamos no s dedicar a ele.

16) Encontro de Carros Antigos do Sertão –
Ocorreu pela primeira vez este ano (2009). Aprovadíssimo para uma primeira edição. Raridades locais e de vários municípios foram reunidas na Avenida Rio Branco no dia 25 de janeiro. A realização ficou a cargo de Lupércio Moraes, o mesmo dos Motociclistas Trilheiros.

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Alexandre Morais – Autobiografia

Meu nome é Alexandre José Lira de Morais. Nasci em 26 de fevereiro de 1977 em Afogados da Ingazeira, Estado de Pernambuco.  Em 10 de junho de 2005 me casei com Veratânia Lacerda Gomes de Morais na fazenda Serrote, zona rural da minha terra natal. Resido na Rua Diomedes Gomes, 152.

Meus pais João Batista de Morais (militar/PMPE) e Maria Letícia Lira de Morais (professora) tiveram dois filhos, sendo eu o mais velho.

Sou Jornalista e Agente Penitenciário do Estado de Pernambuco. Atualmente exerço o cargo de Secretário de Turismo, Cultura e Esportes do Município de Afogados da Ingazeira.

Como todo infante de família simples do interior, dividi o meu tempo entre a escola e as brincadeiras de rua. A origem rural de meus pais transmitiu-me muitos valores de simplicidade, e o contato direto com pessoas do campo despertou-me o gosto pelos tipos, costumes, ditos e causos populares.

O rádio foi outro indutor de minha formação inicial. Fazia visitas freqüentes à Rádio Pajeú e quase sempre dormia ao som de um moto rádio, no qual meu pai sempre ouvia os jogos do Santa Cruz (daí a minha sina tricolor), mas que eu, além dos jogos sintonizava à noite, quando a Pajeú saia do ar, as rádios Globo do Rio de Janeiro e Sociedade da Bahia.
 Na Pajeú tenho fortes lembranças do senhor Abílio Barboza na técnica de som, manuseando habilmente LPs e rolos enormes de fitas. Aquilo prendia mais minha atenção do que os próprios locutores. Neste tempo também é que a poesia começava a surgir. Digo, a admiração por ela. Sempre despertava a atenção o tocar de violas e guardo o canto dos gêneros Coqueiro da Bahia e Galope a beira mar (que na época para mim não eram improvisos, mas músicas gravadas).

Mais jovem, procurei participar de tudo que a mim chegava: esportes, teatro, música e todas as atividades extra-escola ou surgidas a partir dela. Da insistência em jogar futebol surgiu a grande oportunidade. Um primo me convidou a fazer um teste no Sport Recife. Mesmo conhecendo o pouco talento para tal, aceitei de pronto e a aprovação foi imediata. Não no futebol, mas no vestibular para o curso de Jornalismo. Eis uma lição de que não se deve deixar passar as oportunidades. Foi por abraçar uma delas, mesmo incerta, que alarguei horizontes e assegurei minha formação profissional.

Ostento passagens pelas secretarias estaduais da Fazenda e de Imprensa, Diário Oficial do Estado, Rádio Clube, Sintonia Comunicação, Jornal Vanguarda, Agreste On-Line, M&M Comunicação, Assembléia Legislativa de Pernambuco, Rádio Pajeú, Prefeitura de Afogados da Ingazeira e trabalhos livres para o Diário de Pernambuco. Paralelo a isto, prestei concurso público e fui aprovado para a função de Agente de Segurança Penitenciária do Estado de Pernambuco. Achei que seria uma rápida experiência. Já se vão oito anos de descobertas e aperfeiçoamento humano, com atuação no Presídio Aníbal Bruno, em Recife, Penitenciária Juiz Plácido de Souza, em Caruaru, e como supervisor das cadeias públicas de Afogados da Ingazeira, Tabira, Carnaíba e Flores.
Estudei na Escola Cônego João Leite (ensino fundamental e básico), Colégio Normal Estadual (ensino médio), Ginásio Pernambucano (último trimestre do ensino médio) e Universidade Católica de Pernambuco (ensino superior).

Faço parte do Rotary Club de Afogados da Ingazeira (presidente 2008/2009); da Loja Maçônica Arquitetos da Paz; do PCdoB de Afogados da Ingazeira (primeiro presidente); do Grupo Trilhas & Trelas. Fui membro do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural e Urbano. Cordéis publicados: > Afogados é assim; > A peleja sem fim de Belarmino Terra Quente com Benedito Pedra Boa; > Os meus Sertões; > U Professô Sertanêjo; > Afogados da Ingazeira, uma cidade que nasceu do amor.   Publicações, frutos de oficinas de cordel: > Grupo Renascer (Grupo da Melhor Idade); > Lampião Rei do Cangaço (Alunos da 3ª série da Escola Municipal São Sebastião – 2006); > Iguaracy terra do sol (Formandos da Escola Professora Rosete, Iguaracy – 2007); > Afogados da Ingazeira e sua história (Alunos da Educação de Jovens e Adultos da Escola Municipal Professor Geraldo Cipriano – 2007); > O Zé, a festa e a peleja (alunos da Educação de Jovens e Adultos da rede municipal de ensino de Carnaíba); > A Semana da Cultura (oficina de cordel na Semana da Cultura 2008 da Fafopai)
Outros > A feira da Ingazeira (Associação Comercial da Ingazeira); > Uma casa no sertão (Escola Dom Mota).


3 Jul

Tributo a Quincas Rafael

Se meu pai estivesse vivo
Completaria noventa,
A saudade só aumenta
No meu coração cativo.
Com único lenitivo
Ficou sua poesia
Que traduz com maestria
As coisas do meu sertão
E assim por devoção
Eu faço esta honraria.
 
Obrigado por dito
A mim com simplicidade
O valor de uma verdade
E o malefício de um grito.
Por mostrar como é bonito
Viver sempre com decência
A pureza da inocência
E o resultado da fé
Mostraste a mim o que é
O terror da violência.
 
O seu exemplo fará
Parte do meu dia-a-dia
Seus versos têm a magia
Da sua Jabitacá
Sua alegria será
Todo dia copiada
E a sua gargalhada
Inda soa em meus ouvidos
Seus passos serão seguidos
Nessa minha caminhada.

Ademar Rafael Ferreira
Marabá-PA, 25 de fevereiro de 2011


Homenagem ao meu pai


(Permitam-me fazer esta homenagem ao meu pai Quincas Rafael, cujo
falecimento está para completar 10 anos.)

Me ensinou: “Cuide do alheio / Aprenda com o rude e o fidalgo,
Não reclame da vida tendo algo / Não critique quem fez um papel feio
A um irmão que está no aperreio / Dê amor, carinho, casa e pão
Tema a Deus e tenha devoção / Como fez o profeta Ezequiel”
São dez anos sem Quincas Rafael / Uma década de luto no sertão.

Ele criticou sem medo, / Roberto, Múcio e Joaquim.
Não gostava de Delfim / Golbery nem Figueiredo
Nunca levantou um dedo / Em defesa do “Rei do Maranhão”
Apoiava Gregório e Julião / Não gostava de Marco Maciel
São dez anos sem Quincas Rafael / Uma década de luto no sertão.

Defendia o povo nordestino / Em cada estrofe que fazia
Foi devoto ardoroso de Maria / Escreveu sobre Adolfo Nobelino
Concordava com a causa de Silvino, / De Lamarca, Zumbi e Lampião,
Conselheiro, Frei Caneca e Osvaldão, / Zé Pereira, Guevara e de Fidel,
São dez anos sem Quincas Rafael / Uma década de luto no sertão.

Ademar Rafael Ferreira
Marabá, PA Brasil – 13.10.2009

AFOGADOS – Cem anos com e sem você

Com você eu sorri na mocidade,
Sem você eu dormi pelas calçadas,
Com você eu varei mil madrugadas,
Sem você eu perdi a liberdade.

Com você persegui a humildade,
Sem você eu penei nas caminhadas,
Com você eu tracei novas estradas,
Sem você descobri o que é saudade.


Com você desenhei mais de mil planos,
Sem você nesta festa de cem anos,
Um de julho será sem alegria.

Sem você toda festa é diferente,
Com você eu espero brevemente,
Relembrar com afeto o grande dia.

Ademar Rafael Ferreira
Marabá-PA, 09.06.2009

Meio Século

Nesses meus cinquenta de idade / Procurei não ser vítima do destino,
Nem troquei os meus sonhos de menino / Por dinheiro nem por notoriedade.

Em defesa de plena liberdade / Atuei como anônimo paladino.
Fui poeta, fui louco e peregrino, / No “sertão”, na “vereda” e na cidade.

Com meus pais aprendi andar nos trilhos, / Com a minha esposa e com meus filhos
Aprendi a viver sendo feliz. / Esmaguei toda empáfia que eu tinha
Ao ouvir do “eterno” Gonzaguinha / A receita pra ser um “aprendiz”.

Ademar Rafael Ferreira
Vitória da Conquista, BA, Jan/2007

Para Sávio
15 anos, trinta versos II

Sávio, entenda que a vida. / Não dá direito à reprise.
Redobre as forças que a crise / Passará despercebida.
Nunca valorize o medo / Defina seu próprio enredo
Com muita serenidade, / Conduzindo a sua cruz.
Siga os ditos de Jesus / Com coragem e humildade.

Aprenda a conviver / Com opiniões contrárias
Coisas extraordinárias / Você irá aprender!
Não antecipe o futuro. / O único porto seguro
Que existe é o presente. / Seja íntegro, faça o bem.
Só se espelhe em alguém / Que for honesto e decente.

Não faça vestibular / Por grana, batas ou togas.
Fuja do mundo das drogas / A ninguém queira enganar.
Com denodo e coerência, / Tenha fé e persistência
Pra trilhar vários caminhos. / Rejeite as coisas danosas.
Aprenda cultivar rosas / Sem se ferir nos espinhos

Ademar Rafael Ferreira
Vitória da conquista, BA, jan/2007

Invocação Rotária

Quando o Rotary celebra o centenário,
Invoquemos a homens e mulheres:
Que a idéia marcante de Paul Harris
Seja inclusa em nosso itinerário.

Para um mundo sem fome, igualitário.
Recorremos ao poder da deusa Ceres
E seja enredo daquilo que fizeres
A Prova Quádrupla, maior símbolo Rotário.

Inspirados nos feitos de Gustavus,
Invistamos milhões e até centavos
Pra que a Pólio não alcance outro menino.

Que com gestos de amor e mente sã,
As visões de Silvester e de Hiram,
Renovemos nas batidas de um sino.

Ademar Rafael Ferreira
Presidente do Centenário do Rotary Clube de Marabá – Pará
Santarém-PA. 27 de fevereiro de 2005

Para Raíssa
15 anos, trinta versos

Jamais perca a inocência, / Cultue a simplicidade,
Busque a ética e a prudência / Junto da maioridade.
Respeite seu semelhante, / Seja sempre radiante
E ouça seu coração. / Faça tudo que quiser
E em tudo que fizer / Bote amor e emoção.

Não se deixe escravizar / Por pai, por mãe ou marido
E saiba como filtrar / O bom no conselho ouvido.
Aprenda com os sacrifícios / Não permita que os vícios
Venham abalar sua vida. / Não se humilhe a ninguém,
Só para Deus diga amém / Só ame sendo querida.

Não cultive hipocrisia, / Dê carinho ao penitente.
Plante sempre a alegria, / Seja honesta e combatente.
Não se abale com derrota. / Não persiga a melhor nota
Apenas por vaidade. / Não aceite conformismos,
Não conviva com modismos, / Viva a vida de verdade.

Ademar Rafael Ferreira
Marabá, PA – novembro 2003