25 Jun

ESCRITORES / POETAS: Maria Lúcia de Araújo Nogueira

Maria Lúcia de Araújo Nogueira

Advogada e escritora

Nascida em Afogados da Ingazeira, de lá saiu para residir na cidade do Recife, onde mora e está baseada sua família. Entre contos e crônicas publicados, destaco os dois livros escritos por ela: FRAGMENTOS DA VIDA E ABSTRAÇÃO, ambos inspirados na sua vivência familiar, no seu amor a vida e na descoberta de que pode escrever, sem medo ou vergonha no coração, apenas a certeza de que tudo é possível, quando se leva a verdade nos lábios.

A Maria Lúcia, parabéns e votos de que continue a criar e nos brinde com sua verte literária, anotando suas impressões sobre o cotidiano, sobre a vida, sobre o amor, num questionamento insofismável que ronda toda a nossa existência. Com os olhos encharcados por esse pitoresco trabalho, no mistério lírico de suas escritas, surgidas com o gemer do lápis em sua mão, peço que não estanque sua veia imaginativa e não tenha receio da avaliação crítica que virá, ela faz parte da aventura de quem aprende e quer melhorar.

Siga em frente, COM JEITO DE FAZER deixará de ser o jeito de você falar do amor, da fábula e do pitoresco, para se tornar um hino aos que não têm temor de ousar.

Alberto Nogueira Virginio.

O RIO DA MINHA TERRA

Alegria indizível trazida
Pelo ventre das chuvas dos ventos alísios.
O mandacaru florou,
A seca foi embora,

O feijão canivetou,
O milho encanou e bonecou,
Os barreiros encheram
E o gado refestelou-se na pastagem verdejante

Tudo isso porque o Rio Pajeú, que nasce em Itapetim
Correu para a minha cidade
E afogou o que estava queimado pelo sol,
A ingazeira renasceu.

As pedras estão brilhantes,
Ensaboadas pelas águas barrentas, que rebolaram
Pelas terras de São José do Egito,
Entram em Tabira e penetram leito adentro

Espichando garranchos
Destruindo a pasta verde que tomou o seu lugar.
O povo, em festa, pendura-se nas pontes,
E mergulha o olhar na imensidão da água que ocupa tanto.

Nem o açoite dos ventos,
Nem o balançar da ponte, tomada de gente de todos os credos
Nem os pilares mergulhados no barro,
Nem a cobra verde que pede socorro para não ser arrastada pelas águas ruidosas

Nem o ribombo do trovão,
Nem o alumiado dos raios,
Nada é capaz de tirar dessa gente, o feitiço provocado pelo Rio Pajeú
O alumbramento é tamanho

Que toda a destruição feita ao rio,
São águas passadas e levadas sem rastro,
O tapete verde foi puxado para dar passagem ao seu dono
Ausente por tanto tempo,

Mas presente na lembrança dos mais velhos que lhe respeitam
E seguem suas enchentes.
Um rio que nasce sozinho e que entra noutro rio
Que carrega Francisco no nome,

E é santo por devoção,
Porque ninguém encontra um rio tão necessário e cativo,
Que enrica quem o tem aos seus pés
Que dá do mesmo tanto que recebe.

No jeito retumbante que mostra,
Na cor amarelo queimado da terra,
No som profundo que traz,
Na garganta poderosa que possui,

No enfeite de renda branca espumosa
Ladeando um canto a outro suas barreiras.
A água, numa corredeira de beleza sem igual,
Não mitiga o azul do céu encoberto,

De cinza e chuva suspensa
Azul, amarelo, branco e verde da nossa bandeira,
Cores vivas e fortes
Que se tocam em harmonia

E se completam nos gritos dos trovões assustadores,
A soltar coriscos pinotando sobre os lajedos
Clareando seu caminho pelos raios potentes
Que rasgam o firmamento e se perdem na terra barrenta,

Encharcada de fortuna e abundância
Pelas enchentes do Pajeú
Que majestoso confirma seu reinado triunfante
E segue uma trilha só dele conhecida
Para encontrar e se misturar ao velho Chico mineiro,
E entrar no mar do mundo de todos os mistérios.

Recife, 18 de dezembro de 2009
Maria Lúcia Nogueira

RUSTICIDADE CRUEL

Nas pedras descobertas no Sertão esquecido,
Sem vegetação que as cubram, veem-se a olho nu,
Sujas de barro cru, as locas onde se escondem preás, punares
e outros bichos comuns, nos carrascais sertanejos,
Que se furtam do sol impiedoso que os queima.
Nesse mundo tão grande sobra espaço até para se tirar leite
de pedra.
Ou é leite do aveloz?
O preá e algumas aves matam a fome de tantos homens,
Que se espremem para viver
E ainda, são considerados parias da sociedade.
Homens honestos, simples,
Que não roubam, nem envergonham,
Mas que são considerados, por alguns, imprestáveis e
viciados em preguiça.
Esses homens não exigem nada, mas esperam mudanças
verdadeiras
Nos espíritos empedernidos e arrogantes daqueles que
podem ajudá-los
A sair dessa vida escondida, ornada de cactos e mulungus,
Eles também plantam na paisagem altiva que se agiganta a
cada ano.
O descaso com o desnecessário incomoda a quem não está
acostumado a viver com tão pouco.
O homem espreita o preá, que lhe escapa e sobrevive.
A rolinha voa e despista o alvo certeiro. Não é levada dentro
de um bornal, morta. Restando a estes homens, muitas vezes,
as vagens de mucunãns, para serem comidas de gente que
aguarda com pratos limpos, por algo que lhe caia do céu.
Esse sim, é o povo bronze, pintado em cinzel, crente,
Que perambula nesse solo de pereiros, caatinga, aveloz e
cactos,
Cocada de coco queimado, corajoso e astuto, consciente de
suas limitações, gigante em suas emoções.

Malu Nogueira
entrelacosdocoracao.blogspot.com

TZIU

O tiziu, com suas penas preto-azuladas,
Mais umas brancas no peito,
Pula de árvore em árvore,
Catando galhos sem folhas,
Pula e pula, sempre no mesmo lugar,
Em minúsculos vôos verticais,
Nos campos desse sertão longínquo
Chegou a vez dele,
Ele voltou feliz
E trouxe as chuvas
Que traz as folhas verdejantes,
Qual tapete tecido amorosamente
Recebem o inesperado hóspede
Ele olha tudo a sua volta
Confere, em alegria,
O que a chuva fez,
Muita semente verde, capim,
Frutas maduras, abertas para ele saborear,
Água para beber,
Amigos para tricotar,
Poleiros e mais poleiros para sacotear,
Que bom voltar e ficar
Nesses dias intensos,
Clareados por raios,
Despertados por trovões
Esfriados na garoa.
Mais amigos que chegam
A mostrar seus filhotes
Com alarido e penas
Nos galhos molhados e lisos
“tis-ziu, tis-ziu, tis-ziu
Canta em exibição o tiziu pretinho.
Toda passarinhada acode,
Vem ver o que o nego trouxe na bagagem:
Uma trouxa de fartura,
Um pacote de botões de flores,
Toneladas de sementes,
Sacos de pólen,
Balões de ar fresco,
As negras asas do pequeno tiziu
Vergaram-se sob o peso de tão preciosa carga.

Maria Lúcia de Araújo Nogueira
www.portaldoescritorpe.com

Quando do lançameno do seu livro COM JEITO DE FAZER (Edições BAGAÇO), o presidente da Academia Pernambucana de Letras fez sua apresentação:

Diletíssima Dra. Maria Lúcia de Araújo Nogueira.

ALGUMAS PALAVRAS COM SABOR DE SERTÃO

A mim, me coube, através de gentil convite, a subida honra desta saudação. Faço-a com a alma repleta de contentamento e o júbilo de quem fala sobre uma escritora que tem a mente transbordante de idéias e um desejo enorme de extrapolar os seus nobres sentimentos.

Conheço de perto a lavra literária da Dra. Maria Lúcia, essa sertaneja que traz no coração o bem querer da terra/berço e na memória, o panorama inconfundível da sua infância dividida entre a cidade e o campo. O campo donde emana o cheiro de curral e a cantata do carro de boi pela voz dolente dos cocões de aroeira.

Temos, afinal, a publicação de um dos livros dessa escritora. Digo assim, porque este “COM JEITO DE FAZER” não é a primeira obra escrita por essa espontânea poetisa. Já tive o prazer imenso de ler os originais de outros filhotes literários dessa sertaneja de Afogados da Ingazeira.

Nascida naqueles rincões e envolvida no manto sagrado da caatinga nordestina, acostumada a correr nas campinas verdejantes das várzeas do lendário Pajeú, rio cantado e decantado pelas violas plangentes dos repentistas de lá.

Vivenciada e conhecedora profunda da fala e dos costumes da gente do sertão, Maria Lúcia, possui um raciocínio rápido e uma privilegiada mente fotográfica, tendo ainda uma memória armazenadora de fatos e paisagens, do pretérito e da atualidade.

As flores das Ingazeiras, as que não foram afogadas, dos ipês roxo/amarelos, dos umbuzeiros e dos xiquexiques rasteiros da terra calcinada deram, com seu perfume, a inspiração poética e criativa dessa autora imediatista. A gargalhada heróica das casacas de couro, o canto mavioso do sabiá-do-sertão, o grito monocórdio da seriema, o descanso da codorniz nas moitas dos serrotões, toda essa paisagem enriquece a poesia dessa conterrânea.

Este “COM JEITO DE FAZER” traz nas suas páginas um somatório de prosas poéticas e versos heterométricos.

Dissociada dos rigores da métrica e do processo poético universal, Maria Lúcia, na ansiedade de expelir o conteúdo imagístico da mente, joga no papel a sua poesia esvoaçante, livre e desimpedida, telúrica e sertaneja, corajosa e independente. Poesia cheia do sabor nordestino: da buchada ao rubacão, do bode assado ao mugunzá, do cuscuz de ralo ao capão de chiqueiro.

Escritora neófita no mundo das letras, porém veterana no universo da vida. Bacharela em Direito e doutora formada pela universidade do Pajeú, berço de poetas iluminados pelo sol causticante do semi-árido, onde o som da viola confunde-se com o gorjeio do passaredo e a poesia assume a musicalidade incomparável, oriunda dos matagais rasteiros e das capoeiras ressequidas do Nordeste.

No poema ALVORECER, se referindo ao enlevo da adolescência junto ao namorado, diz a certa altura: “tudo muito inocente,/ mesmo o sutil toque das mãos./ a noite era cúmplice dessa felicidade infantil./ O desejo de descobrir estava estampado em nossos rostos. / O coração primaveril festejava o amor descoberto”.

Vemos neste poema o sentimento fraternal e romântico traduzido numa narrativa verossímil e autêntica da menina-moça sertaneja. Da menina acostumada com o falar do velho cachimbador, da mulher apanhadora de algodão, da cevadeira na casa de farinha, do menino caçador de rolinhas nas noites de facheadas, do vaqueiro encourado exibindo através do gibão a raça incomparável do homem campesino. Eis a convivência da adolescente, no dia-a-dia da vida e nas horas de recreio do colégio inesquecível.

Este livro, a primeira vista parece uma mistura de prosa e poesia, onde não se lhe deu uma seleção mais acurada. Não é bem assim. Ele demonstra o cabedal, a cachoeira de palavras que jorra da mente iluminada da poetisa. A produção literária de Maria Lúcia é abundante. As crônicas aqui expressas também se revestem de um conteúdo poético que lhes assegura e justifica a inserção no âmbito desta obra.

Em BOLO DE CASAMENTO encontramos uma grande criatividade:

Ingredientes:

“Um par de noivos felizes, / um par de alianças de ouro, / uma medida sem fim de amor infinito, / toneladas de respeito e paciência, / potes de sonhos, / um mundo de realizações, / uma pitada de sal, / fermento o quanto baste, / nuvens de carinho e alegria, / uma casa nova, / quilômetros de abnegação e zelo”.

Depois ela apresenta o modo de preparo.

Este é um poema criativo e ao mesmo tempo uma mensagem de convivência conjugal tão importante nos dias de hoje, onde o verbo “ficar” fala mais alto.

Destaco, a seguir, o conteúdo erótico/filosófico do poema:

UMA CERTEZA

“Meu pensamento questionador, não decifra o horizonte. / Na porta entreaberta do meu eu, há algo inacabado. / As estrelas que não vi no firmamento hoje, com certeza as verei amanhã. / O sol só me queimou, porque eu a ele me expus. / O vento não pediu permissão para mexer nos meus cabelos.

E conclui:

… O sol me queimou, para que eu me recordasse do calor que você deixa em meu corpo sequioso de afagos. / O vento quando me veio trouxe a lembrança de suas mãos a acariciarem minha pele, sedenta de traquinagem, por toda a minha vida”

Esta é mais uma característica deste livro: a liberdade de expressão, sem cacoetes, sem meias palavras, sem hipocrisia.

De repente, o livro COM JEITO DE FAZER fala com o jeito do Pajeú. As primas e os bordões das violas dos cantadores sonorizam os versos nas duas quadras do poema:

IMPROVISO DA VIOLA

“Não há nada mais perfeito / do que a viola que transcreve de leve / O canto triste que escreve / o retrato da dor do peito. / No meu canto eu guio / a aridez do meu coração / mesquinho e sem emoção / que por você rodopia sem fio”.

A miscelânea polimétrica de rimas consoantes deste poema destaca valor no livro e mostra uma abrangência considerável do jeito de escrever de Maria Lúcia. Do jeito como o povo do sertão se comunica: enquanto o violeiro se utiliza da métrica perfeita e da rima impecável na poesia, o povo sertanejo, independente dos cantadores, tem uma linguagem eminentemente heterogênea e descontraída.

Na quantidade de escritos desta cronista, a busca da qualidade fica mais viável, uma vez que há o universo quantitativo para a escolha exigente de cada leitor.

O livro COM JEITO DE FAZER chega ao cenário da literatura pernambucana. Quem ler este livro terá a oportunidade de perceber o transbordar verbal da autora. Ela insere ainda, uma crônica intitulada RUSTICIDADE ADOCICADA: um relato autêntico da lufa-lufa diária do homem do campo e o império da lei pela força maior: Pai Velho representa aqui o senhor de engenho semelhante aos seus ancestrais possuidores de escravos. Vale conhecer os detalhes das tarefas e a tramitação do trabalho na fabricação de açúcar, rapadura e aguardente no sertão e em todo o Nordeste brasileiro.

Receba Dra. Maria Lúcia de Araújo Nogueira, os meus parabéns e a certeza de que o seu fazer literário terá lugar no âmbito da literatura pernambucana. Prossiga na sua missão vocacional de sempre escrever. Abra o cofre intelectivo da mente, burilando a sua prosa/poética com o objetivo primordial de mostrar que a arte é coirmã da técnica e da beleza.

A brisa mansa do Pajeú e o arrulho da asa-branca serão sempre porta-vozes fidedignos da sua poesia.

Muito obrigado!

Carlos Severiano Cavalcanti


18 Jun

De Puta a Deputada… E Vice-Versa!

A campanha eleitoral já está nas ruas. Dentro em breve os Nobres Deputados, fichas limpas ou não, através de seus militantes deixarão as ruas emporcalhadas com pichações, panfletos soltos nas avenidas, desrespeito a propriedade privada – abrindo letreiros em muradas, sem a permissão do dono, etc.

Na mídia, os favoritos seguem digladiando, mas sempre posando de defensores da moral e da ética. Cada um defende debates de alto nível, todavia, não perdem a oportunidade de enfatizar os podres recíprocos. Chegou a hora de levantar o tapete e mostrar o lixo da consciência de cada um. Alguns, bem conhecidos. Só para lembrar: o Garotinho, a exemplo de Maluf, trava acirrada batalha judicial para conseguirem, ambos, manter suas candidaturas.
Aqui vem a “brecha da Lei” e, em cima dela, cada cafajeste escarnece da justiça e do povo.

E diz a Lei: “enquanto não houver sentença condenatória transitada em julgado, prevalece a presunção da inocência do individuo”. Está lá! É cláusula pétrea de nossa Carta Magna. Mas a brecha da Lei faz prevalecer a máxima: Dura Lex sed Lex. (A Lei é dura mas é lei), no entanto, lá no Maranhão, já falei nisso, os “luminares do Direito” entendem que a lei não deve retroagir para prejudicar, assim, encontraram fundamento para deferir candidaturas de pessoas espúrias. Passando ileso Zequinha (Sarney), Roseana (Sarney), Jackson Lago (recentemente cassado), passa o resto. Onde passa boi, passa boiada.

Lá no feudo do Velho Sarney e seus Maribondos, como de resto do Brasil, dá-se um jeito e: Dura Lex sed látex (A lei é dura mas estica). Seguindo o périplo de iniquidades, vêm Renan Calheiros, Joaquim Roriz, Cássio Cunha Lima, Collor, aliás, em Alagoas todos os candidatos a Governador têm problemas com a Justiça.

No Rio de Janeiro tem Gabriela Leite, que pretende tomar as ruas com sua campanha e o slogan muito sugestivo e emblemático: “UMA PUTA DEPUTADA”. A Gabriela é prostituta e pretende reeditar o feito de Cicciolina, lá da Itália. A nossa puta (desculpem), a nossa pretensa deputada se diz empresária, fundadora da Marca DASPU e fundadora da ONG – DA VIDA. Prefere ser tratada de prostituta. Se eleita, teremos discursos e saudações surrealistas.

Imagine um Nobre deputado dirigindo-se à colega e enaltecendo o seu passado: “Nobre Colega deputada, V. Exa. quando era puta, conheceu os problemas mais diretamente ligados ao nosso povo”. Seria apenas cômico, se não fosse revoltante saber que na Casa Legislativa onde pontificaram tantos nomes dignos de respeito, transformou-se num antro de delinquentes, transgressores da lei e que se acham no direito de bradar com o maior cinismo que são portadores de conduta ilibada. Mas a Democracia tem como princípio basilar: “O poder emana do povo”. Resta a esse mesmo povo escolher os seus representantes.

Voltando à puta que quer ser deputada, caso seja eleita, se sentirá à vontade numa Casa onde encontrará, com certeza, muitos “filhos de suas ex-colegas de trabalho”. Será a confraternização dos assíduos frequentadores das altas rodas do baixo meretrício”.
Viva a Democracia!

Uma Crônica… Sem Assunto

Fico a imaginar o que sente um jornalista que tem coluna fixa e diária num jornal e, de repente, vê o tempo passar, a hora de entregar a matéria para ser publicada chegando e… nada de assunto! Como preencher aquele espaço em branco no jornal?

Pensa ele em falar sobre o esforço que se fez até que se aprovou a Lei do “Ficha Limpa”. Mas, o que dizer, se a Lei já está sendo burlada, como sempre acontece, com a utilização da famosa “brecha na lei”. Só para se dar uma refrescada na memória, lá no Maranhão, o Duda Mendonça, que fará a campanha de Roseana (por míseros 12 milhões de reais), recomendou que nos cartazes não se use o nome Sarney. MOTIVO: para que não se ligue o nome da filha ao pai. Coisa de se evitar perda de votos por rejeição.

A capital e o interior do Estado já estão “enfeitados” com folders onde aparece uma foto da “queridinha do papai”, porém apenas o nome Roseana-15. E lá, também, os provectos e ínclitos magistrados do TRE encontraram fundamento para DEFERIR a candidatura do Sarney Filho, o Zequinha. Tudo isso é assunto já velho e saturado.

E pensa o escriba em falar das estradas do Sertão. Dizer mais o quê, se já se falou tanto e os buracos só fazem aumentar.

Outro assunto palpitante é a esperança que se (im)plantou, novamente, no brasileiro: a seleção se renova com NOVO técnico, novas estrelas e vamos todos com o pensamento voltado para 2014. Isso é ótimo, pensam os – fichas sujas – lá de cima, porque desvia a atenção dos incautos que não cobrarão propostas de campanha. Na hora da carreata, é só vestir uma camisa de malha vagabunda com a foto de um crápula qualquer e garantir seu lugar, por quatro anos, fazendo todos de idiotas. Este também é um assunto por demais explorado.

Pode-se falar aqui na grande corrente de solidariedade que se formou em socorro das vítimas da Zona da Mata. Lá também foram flagrados oficiais da polícia roubando os donativos. Isso é possível? É, pois a Lei do Gerson não foi revogada. É repugnante? Disso não tenho dúvida. Roubar de quem já não tem é chegar no fundo do fundo da degradação da moral humana. É por isso que já se está sedimentando a ideia de que a desonestidade vem no DNA do brasileiro. Não de todos, evidentemente, mas em grande parte, isso está provado.

E o assunto para a crônica, qual será? Calma, amanhã tem mais, afinal estamos no Brasil, o país da crônica pronta.

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, 28 de julho de 2010

Palmatória? Nem pensar!

Encontrei-me com minha adotada irmã, a professora Elvira de Siqueira, e ela, como sempre, teceu elogios a respeito do meu comentário sobre a estrada de Carnaíba e suas cruzes. A Elvira é generosa em suas avaliações sobre o que escrevo. Enquanto ela fala, fico lembrando que sempre nos ocorre de gostar mais da comida da casa “alheia” do que da de nossa casa. Eu prefiro os textos produzidos pela professora Elvira aos meus. Mas deixa pra lá. Eu vou continuar escrevendo e a professora fique à vontade para corrigir, sempre que preciso for. O assunto que vem à baila é a Lei da Palmada . Coisas desse Brasil que é pródigo em legislar.

Numa consulta rápida ao Código Civil vigente, veremos que essa matéria já está disciplinada em seu Art. 1.635, ao tratar do Poder Familiar que era denominado no Código de 1916, como Pátrio Poder . O Código vigente assim dispõe:
Art. 1.635 – Perderá por ato judicial o poder familiar o pai ou mãe que:
I – castigar imoderadamente o filho.

Também, no Código Penal, há previsão de pena para quem submeter maus tratos a uma criança que esteja sob sua autoridade. Esta hipótese está prevista no Art. 136 do Código Penal, que em seu final diz textualmente: “abusando de meios de correção ou disciplina”.

Como se pode observar, é flagrante a prodigalidade deste país quando se trata de Legislação. Temos Leis pra tudo, inclusive, e principalmente, para não serem cumpridas. Bastaria uma consulta aos dois Códigos citados e se veria que a matéria já está disciplinada. Esse é um aspecto do problema. O outro é o custo de uma lei dessas para a nação. Quanto se gastou em discussão, através das comissões, plenário etc., até que o texto legal seja aprovado e entre em vigência. Não lembro onde, mas vi uma informação de que Um Minuto de funcionamento do Congresso custa para nós outros, homens comuns da plebe rude, a bagatela de R$ 11.500,00 (onze mil e quinhentos reais). Isso mesmo, aí incluído desde o cafezinho até o cartão corporativo. Quantas sessões foram necessárias até que esta lei ficasse pronta?

Outra faceta do problema: essa, gravita no campo das hipóteses, porém não é impossível de ocorrer. Imagine que dois vizinhos são desafetos. Numa determinada ocasião um deles escuta o choro de uma criança e resolve prejudicar o seu desafeto. Com um simples telefonema para a polícia ou Conselho Tutelar, informa que uma criança está sendo espancada na casa vizinha e vai tudo parar numa delegacia. E até que se esclareça a verdade, o estrago já está feito. Assim como o Estatuto da Criança e do Adolescente, quase sempre, funciona como um estímulo à delinquência infanto-juvenil, assim, também, esta lei terá seus pontos negativos, neste sentido.

Lembro que fui criado ainda sob a égide da palmatória e, na Escola, ainda funcionava, aqui acolá, uma “reguada” como reprimenda a alguma travessura. Nem por isso deixei de amar minha mãe, como nunca guardei rancor das minhas professoras que tiveram que ser mais rígidas, no momento oportuno.

No meu tempo de menino, felizmente, existia a autoridade paterna e materna, sem que fosse preciso o Estado imiscuir-se, de forma negativa como agora, na criação da família. Respeitavam-se os pais e do mesmo modo as professoras, nossas segundas mães. Era assim que tínhamos a imagem de nossas abnegadas Mestras.

Falei o que penso e quem não concordar não me venha com palmadas, pois agora é proibido!

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, 24 de julho de 2010

Vidas Ceifadas… Cruzes Fincadas
Como Tristes Lembranças


Com prazer “degustei” a crônica do estimado Daniel Bueno. Esse cara não perde o jeito “leve e solto” de escrever. Observador e detalhista como sempre, pintou o quadro dantesco em que se encontram as rodovias do nosso sertão. Mas o Daniel é um privilegiado pela sorte, pois não tem, como nós daqui, que enfrentar estas estradas todos os dias. Eu que trabalho em Carnaíba, faço essa “via-crúcis” às terças, quintas e sextas-feiras. Para não perder o costume, as segundas e quartas-feiras, vou a Tabira e a situação não é diferente.

Hoje, dia 23, ao sair de Afogados me ocorreu a ideia de contar as Cruzes que existem à beira da estrada. Lembro que ao chegar às proximidades do Bar do Guiné, já havia contado 10 cruzes. Esse trecho não é mais que 5 km. E a contagem continuou. Livrando-me de alguns buracos, porque de todos é impossível, prossegui… Ao atingir 29 cruzes, pensei, com mais uma teremos a trigésima. Nisso vinha em direção contrária um ônibus da Progresso tentando livrar mais um buraco e, por pouco, não colidimos frontalmente. Aí sim, eu seria o titular da trigésima cruz na beira da estrada.

A viagem continua e o número aumentando para tristeza nossa e vergonha daqueles que têm o dever de cuidar das nossas rodovias. Nas imediações da entrada para o Sítio Santo Antônio lá está a cruz que marca a perda que tivemos do genial – ZÉ MARCOLINO. Logo Zé que compôs um lindíssimo poema sobre a estrada. Não consigo passar naquele local sem que me venham lembranças dos encontros que tive com Zé Marcolino, suas “estórias”, seu jeito afável de tratar as pessoas. É lamentável saber que uma pessoa tão dadivosa e útil tenha a vida ceifada pela estupidez de quem deixou uma vaca solta numa rodovia.

Continuo o trajeto até que consigo chegar a Carnaíba. Ao todo consegui contar 42 (quarenta e duas) cruzes à margem da estrada que tem apenas 20 (vinte) quilômetros. Essas cruzes simbolizam 42 vidas que se foram; significam 42 famílias enlutadas; 42 corações de mães, pais, esposas, esposos, filhos, filhas, amigos e amigas que padecem a dor da saudade. 42 cruzes à beira da estrada significam projetos de vida interrompidos abruptamente por um acidente que, certamente, poderia ter sido evitado. É difícil a conformação, a resignação quando se sabe que o problema não é insolúvel. É inaceitável que perdure essa situação, quando assistimos a continuidade dos acidentes e, com eles a promessa de que tudo será resolvido. Quando?

Até quando teremos mais famílias enlutadas, mais veículos danificados pela incompetência gerencial daqueles que têm o dever de solucionar estes mesmos problemas. Por outro lado, é preciso que os prejudicados façam valer seus direitos, reclamem na Justiça e exijam ressarcimento pelos danos sofridos.

A propósito, o Dr. José Carvalho de Aragão Neto, MM. Juiz da Comarca de Carnaíba prolatou Sentença, no último dia 13 deste mês, condenando o Departamento de Estradas de Rodagem de Pernambuco DER-PE por Ato Ilícito por Acidente de Trânsito com Restituição de Dano Material e Lucros Cessantes .

Esta Sentença representa o exercício da cidadania de alguém que estando dentro da legalidade, pagando os impostos incidentes sobre a propriedade e direito de circulação de um veículo, viu-se, repentinamente, com seu patrimônio subtraído pelas perdas e danos, tudo por culpa exclusiva do Estado, que figura no polo passivo da demanda judicial, assumindo a responsabilidade objetiva. Daí a condenação segundo os ditames legais.

É isso que se precisa fazer. Cada cidadão DEVE exigir o respeito aos seus direitos consagrados na Carta Magna. Nunca acomodar-se. Nunca esquecer a máxima milenar: “Dormientibus non sucurrit jus” ou, para nós outros, “A lei não socorre os que dormem”.

Aqui fico pensando nos buracos que enfrentarei amanhã quando irei, mais uma vez, à cidade de Zé Dantas e Daniel Bueno.

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, 22 de julho de 2010

Ademar e Outros Vates…

Tomei conhecimento da participação do meu Irmão Ademar nesta página, por telefone. Estava na praça quando o Fernando leu todo o texto pra mim. Ao final, fiquei lembrando as palavras do meu Mestre Zé Rabelo: “o poeta é como uma cascavel; passe por ela quieto e nada lhe acontece, mas se mexer, pode esperar que vem o ataque”. Assim é o poeta, no bom sentido. O Ademar estava lá caladinho e, quando o chamei “a terreiro”, ele nos presenteia com um texto belíssimo evocando Estrelas de 10ª grandeza, como Zé Catota, Biu de Crizanto, Jô Patriota, Zeto e Zé Marcolino.
Só para citar estes que fazem parte da infindável constelação de Astros que temos na Terra dos Vates. E o Zé Catota certa vez cantando com Jó e Lourival, este terminou dizendo: “José Catota apanhou de Laura Leila uma vez”. Ao que Zé Catota, responde: “Em breve vejo vocês // Passando por esta cena // Das Neves batendo em Jó // Louro apanhando de Helena // E eu na porta escutando // Achando graça e com pena”.

Mas o nosso celeiro é isso, uma fonte inesgotável de diamantes que já vêm lapidados pela verve dos nossos poetas. O Quincas Rafael enaltece sua querida Jabitacá com esta pérola: “Esta vila, minha terra // Com este nome gentil // Dos indígenas do Brasil // Talvez foi campo de guerra // Tem hoje o nome da serra // Pertencente aos tabajaras // Antigamente foi varas // É hoje Jabitacá // E em sua igreja há // Lembranças que nos são caras”.

E nos idos de 1973, Rafaelzinha residia em Sobradinho-BA e quando o banzo lhe deixou “troncha” de saudade da terrinha natal, desabafou: “Quem quiser sentir saudade // Faça do jeito que eu fiz // Deixe seu torrão natal // Sem querer como eu não quis // Saia por necessidade // Que depois você me diz”.

Então é isso. Se Deus nos privilegiou de conviver com essas dádivas, não temos necessidade de importar outros ritmos “industrializados” e desprovidos do sentimento puro que há em nossos verdadeiros construtores da arte divina: a poesia.

E para finalizar, vejamos o que dizia, em versos, Antônio Marinho, na década de 40, na sua monumental “O país e a roseira”. “O país é uma roseira // A pobreza é a raiz // No trabalho é a primeira // Na sorte a mais infeliz // A haste, a escadaria // Por onde a aristocracia // Sobe os degraus da vontade // Deputados, Senadores // Desta roseira são flores // Sem responsabilidade”.

A crítica do Poeta-mor, nos idos de 1940 não perdeu o sentido na época atual. É isso, portanto, que defendemos.

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, PE, 16 de julho de 2010

A indignação que expressei na minha última postagem com relação a São José do Egito, creio que outros vates também estão sentindo o mesmo ao tomarem conhecimento do sacrilégio que se pratica com a Divina Poesia, no seu Templo; na terra onde pontificaram os maiores expoentes da nossa arte genuína.
Por isso espero que se pronunciem: o Irmão Ademar Rafael que tem poesia no DNA e o Poeta Danizete Siqueira, mais poeta que dedicado apologista.

NA TERRA DE LOURO, DIMAS E OTACÍLIO,
CALAM-SE OS VATES… FALAM OS VÂNDALOS MUSICAIS


A cidade dos Poetas – São José do Egito – na década de 80 foi palco de festas memoráveis. A quadra do Colégio São José superlotava com o público que vivia as edições do Festival de Músicas promovido por jovens Poetas da terra de Louro, Dimas e Otacílio.
Foi numa dessas noites inesquecíveis que tive o prazer de conversar e conhecer a simplicidade matuta do gênio Zé Marcolino. Ele era simples, desprovido de qualquer ostentação como sua “Sala de Reboco”. Era aquilo que se via na sua fala mansa, seu jeito singular de tratar os amigos. Também, foi nos camarins do Festival que conheci Zeto, ensaiando e cantarolando algumas de suas composições. Assisti seus gestos de amor e vi suas briguinhas corriqueiras com Bia Marinho.
O Festival se dividia em duas partes: os ensaios, a organização de bastidores e a grande festa, quando os valores egipcienses e da região se revelavam com suas músicas inéditas.

Nesse clima de amizade, a residência do Mestre Lourival era uma festa permanente. Bia, Zeto, Val, Zá, Lostiba, Neném Patriota, era talento que não acabava mais. Tinha para exportar. O Velho Louro, sentado na cabeça da mesa, assistia a tudo e transformava-se num adolescente; seus olhos brilhavam a cada verso, a cada canção que se ensaiava. Dona Helena nossa querida anfitriã daquela turma, sempre com um sorriso dava demonstração de que aquele era o seu mundo; o mundo onde aprendeu a viver com o Imortal Antônio Marinho.
No meio da festa adentrava Jó Patriota, Manoel Filó e assim a festança continuava, sem hora marcada para terminar. Era nesse clima que surgiam as criações de verdadeira poesia. Era esse o mundo que o Professor e Poeta Zé Rabelo, registrava nos seus livros sobre a genuína poesia. Mas tudo isso é passado.
É triste saber que São José do Egito estará nos próximos dias conspurcando a memória dos nossos verdadeiros Mestres, trazendo para seus palcos, ruas e avenidas, o mais reles que se pode ter em matéria de música.
Enquanto isso, calam-se as vozes dos Vates Verdadeiros, prevalecendo a iniquidade musical em detrimento daqueles que deram identidade à Terra dos Irmãos Batista. Que nos perdoem todos eles. Que nos perdoe Rogaciano Leite. Este, naqueles tempos em que a divulgação da arte era uma tarefa difícil, levou a poesia do repente para Fortaleza e todo o resto do Brasil.

Hoje, na terra da poesia, o que se faz é exatamente o contrário. Cancão deve estar muito triste com tudo isso, contemplando o que se faz com a poesia na terra onde ele concebeu Árvore Morta.

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, PE, 14 de julho de 2010

ESBARRE, ESPIE E OIÇA!

A regulamentação do trânsito em Afogados já proporcionou muito debate nos últimos dias. O sinal do desperdício, como eu o defino, é aquele localizado nas imediações: Prefeitura-Cúria Diocesana. Já o sinal no cruzamento da Arthur Padilha-Rio Branco, sentido anel viário, vem sendo alvo de críticas veementes e, todas elas, com justa razão. Logo, logo, teremos acidente naquele sinal, pois há um erro crasso de engenharia, vez que o sinal está abrindo para dois sentidos contrários, ao mesmo tempo, com a opção do motorista fazer o retorno sem que haja segurança, porque tudo dependerá da boa vontade de quem quiser respeitar a preferencial. Sei que não está sendo fácil entender, mas só com um gráfico seria possível demonstrar a gravidade do problema.

Agora à noite, uma senhora vinha pela Barão de Lucena, entrou à esquerda na Travessa Tiradentes, adentrando na Praça de Alimentação (Pça. Prefeito Miguel de Campos Góes). Ao tomar o sentido da Praça Mons. Arruda Câmara teve seu Corsa danificado por uma carroça de burro que vinha descendo na contramão, em alta velocidade para um veículo de tração animal.
O resultado, já se sabe: O carroceiro, após o choque, imprimiu maior velocidade, deixando a proprietária do veículo no prejuízo. A frente do veículo foi danificada e, por sorte, o choque não ocorreu na lateral, pois teria sido bem maior o prejuízo.
Naquele ponto da Praça de Alimentação é rara a semana que não ocorrem pelo menos dois acidentes. O ponto negro não está no trânsito, mas no descaso das autoridades que não disciplinam o tráfego de carroças de burros e ciclistas. Enquanto isso, os proprietários de veículos têm que se “agarrar” com São Cristóvão para transitar pelas ruas de Afogados da Ingazeira e, ao término do dia estar, ele condutor e seu veículo, ilesos.

Até quando vai existir essa bagunça em nossa cidade, não sabemos. Aqui, carroça de burro, ciclista e menores conduzindo motos e veículos têm a preferencial dada por eles mesmos. Não sou pessimista, mas pra todos, deixo um abraço e… até a próxima colisão!

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, PE, 13 de julho de 2010

O ÍDOLO LOMBROSIANO
DOS PÍNCAROS DA FAMA AO FÉTIDO DA LAMA

Decidi abordar o tema adiante, depois que várias pessoas instigaram-me a emitir uma opinião a respeito do fato. Em casos tais, como sempre faço, não me deixo levar pela emoção, mesmo porque a razão, e só esta, deve prevalecer em assunto tão rumoroso. Refiro-me ao caso Bruno/Elisa Samudio.

Logo que veio à tona o escabroso episódio e, até então, vem proporcionando debates e opiniões de juristas, criminalistas e, também de leigos – o que é importante -, pois se o Direito dirige-se ao povo, é imprescindível saber-se como o homem comum recebe e reage diante da notícia de tão repugnante fato.

Ocorreu-me, desde o início, a teoria do jurista e médico italiano Cesare Lombroso que já tratava deste tema no final do Século XIX. E Lombroso contribuiu muito para a escola de antropologia jurídica criminal, ao lado de respeitáveis estudiosos, da mesma estirpe, em toda a Europa, notadamente na Itália, onde também surgiram as obras de Garofalo e Ferri. Todos eles, e Lombroso com mais afinco, defendiam a tese de que há indivíduos que trazem em si tendências para a criminalidade. Daí a expressão “lombrosiano”. É certo que Lombroso foi combatido e, por muitos, tido como um tolo. Eu sempre procurei, dentre os contestadores, fundamentos que invalidassem a teoria de Lombroso e jamais encontrei uma, sequer, que deitasse por terra os ensinamentos do Mestre italiano.

No caso do Bruno, há fortes elementos que nos deixam a pensar como deixou o mundo perplexo diante de tanta crueldade. Ouvi de um cidadão comum, o desabafo: “Quando a gente pensa que já viu tudo!…”

Na hipótese de se confirmar todas as revelações que vêm sendo divulgadas sobre o caso, estamos diante de um criminoso frio, sanguinário, perverso e de alta periculosidade. Aliás, basta que se observe a frieza com que ele se comporta diante das câmeras. Basta lembrar que, enquanto havia somente suspeitas contra si, ele (Bruno), treinava com aparência tranquila, como se tudo aquilo não lhe dissesse respeito ou se como ele não estivesse comprometido com toda a sordidez que o mundo toma conhecimento através das investigações da polícia. Na leva de comentários em torno do caso vêm os teóricos de plantão tentar justificar a atitude do Bruno, pelo fato de ter sido uma criança sofrida, sem estrutura familiar etc. Cabe a observação: se todos que tiveram infância sofrida passarem a agir da mesma forma, onde vamos parar?

Não se pode aceitar, passivamente, tamanha monstruosidade, sem que a sociedade se levante e exija uma reforma urgente nas leis repressivas de nosso país. E não me incluo no rol daqueles que gritam por penas mais rígidas, apenas e tão-somente. Não é a exacerbação da pena que irá diminuir a criminalidade. E aqui vou buscar respaldo em Cesar Becaria que já defendia com profundidade o escopo maior da medida punitiva a ser aplicada ao delinquente. Becaria, em sua monumental obra “Dos Delitos e das Penas”, nos idos de 1764, legou ao mundo um Tratado sobre a reprimenda e suas consequências.

Enquanto nossos juristas fizerem vistas grossas aos luminares do Direito do passado; enquanto nossos Tribunais estiverem e continuarem com julgamentos emperrados pelo efeito de recursos inúteis e protelatórios; enquanto nosso sistema prisional continuar obsoleto e, por fim, enquanto a Lei de Execuções Penais for relegada a segundo plano, veremos prosperar a sequencia de fatos como este – Bruno/Elisa – e os facínoras continuarão a escarnecer da Justiça, pela escalada vertiginosa da violência, estimulada pela impunidade.

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, PE, 10 de julho de 2010

AFOGADOS AMARELOU GERAL!

O centro de Afogados amanheceu este domingo com faixa amarela no meio-fio em todos os sentidos. Ao longo da Avenida Rio Branco, todos os canteiros das praças estão com a proibição de estacionar; a Rua Barão de Lucena vai desalojar todas as lotações para Carnaíba e Tabira; na Travessa Tiradentes e Praça de Alimentação também é proibido estacionar.
Como em toda mudança, há os que aprovam e os que desaprovam. Se considerarmos que Afogados tem ruas largas e com espaço suficiente, entendemos que houve exagero na medida. Mesmo porque não se pode disciplinar o trânsito de Afogados da Ingazeira da mesma forma que se fez em Recife, retirando os veículos do centro. Aqui não há engarrafamento, não há esse fluxo exagerado de veículos que exija medidas tão coercitivas.
A reboque desse problema vem o desrespeito e o perigo iminente que enfrentamos com o tráfego desordenado de bicicletas, carroças de burros e motociclistas que não respeitam qualquer sinal ou sentido de trânsito. Carroças de burros, principalmente, optam pela “Lei do Menor Esforço” e transitam tranquilamente na contramão. Bicicletas, guiadas por crianças e adultos fazem o que querem sem que nenhuma medida disciplinadora lhes atinja.
O cidadão para transitar com seu veículo é obrigado a pagar o IPVA e outras taxas, inclusive TAXA DE BOMBEIRO, e submeter o veículo a uma vistoria. Basta uma luz de freio queimada e ele estará passível de uma multa e pontos negativos da Carteira. Já os carroceiros, são os que fazem prevalecer a – Lei de Gerson – aqui em Afogados da Ingazeira. NINGUEM… NENHUMA AUTORIDADE ousa incomodá-los. E na hora de uma colisão o proprietário do veículo fica com o prejuízo, pois o “coitado” do carroceiro, alguns, não raramente embriagados, não têm com que pagar o prejuízo.
É esse o Senso de Justiça dos que dirigem nossos destinos? Esperamos que essa reforma que se está processando no trânsito de nossa cidade aborde, reflita sobre o caso dos Ciclistas, Motoqueiros e Carroceiros e encontrem uma solução, também, para este problema que deixa pairando no ar um perigo iminente.
Por último, segue um abraço para o Gilberto Moura e aqui o registro de que estamos sentindo sua falta nesses debates. Alô Gilbertão, o que é que você diz?
Don’t cry for me Argentina(???)

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, PE, 04 de julho de 2010

O SINAL DO DESPERDÍCIO

Já estão em pleno funcionamento os semáforos recém-instalados na cidade. O sinal que foi implantado no cruzamento da Rio Branco com a Arthur Padilha, mostra-se como a solução para prevenir acidentes naquele trecho que dá acesso ao anel viário, sentido Centro-Brotas. Mas, ainda no início de funcionamento, já pudemos ver os “apressadinhos” desrespeitando a luz vermelha, o que nos faz presumir que não serão raros os acidentes provocados pela imprudência.
Já o semáforo colocado nas imediações da Prefeitura, pode-se considerá-lo como fruto do desconhecimento de quem decidiu por sua instalação. Muito antes dessa providência, ou seja, quando se falava na sinalização da cidade, falamos até na Rádio Pajeú sugerindo que se invertesse o trânsito naquela artéria (trecho entre o Palácio Episcopal e Catedral) e estaria resolvido o problema.
Explico: para quem vem descendo a Rio Branco e se dirige no sentido antigo Hospital, Farmácia dos Municípios, Senador Paulo Guerra, dobraria a esquerda na Barraca de Serra Pau, passando entre o Palácio e a Catedral, sem ter que fazer o contorno lá no final da Praça Mons. Arruda Câmara. Com essa medida simples, seria economizado o que se gastou com o sinal e com a energia que ele vai consumir doravante.
Expus essa ideia, o quanto pude; porém, prevaleceu a medida mais onerosa. E a sugestão, se fosse acatada, estaria restabelecendo uma alternativa de trânsito que existia, em frente à Catedral e foi eliminado com a reforma da Praça.

Não devemos esquecer que existe uma Ouvidoria Municipal destinada a ouvir sugestões. Eu disse, Ouvir! ACEITAR… já são “outros quinhentos”.

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, PE, 02 de julho de 2010

NO BECO DE SEU EZEQUIEL… DEU CACHORRO EM 70

Minutos atrás passei no Beco de seu Ezequiel Moura, palco de grande parte de minhas travessuras de criança, algumas já relatadas aqui. Mas, dois “causos” me vieram à mente. Antes destaquemos o local da cena: no Beco de “Seu” Ezequiel, cuja casa ainda guarda algumas características originais, havia um cômodo que dava acesso ao Beco. E nesta sala funcionou uma Escola de Datilografia, que era mantida pela Diocese. Naqueles tempos, fazia parte da formação do jovem, o Curso de Datilografia.
Foi assim que me matriculei e passei a frequentar o Curso com a professora Maria José, conhecida por Zezé. Ainda me vejo na lição inicial: asdfg, asdfg, asdfg… Depois de várias páginas preenchidas, passava-se para a segunda lição, não menos enfadonha: çlkjh, çlkjh, çlkjh… E assim por diante, até que me achei apto a me submeter ao exame para o recebimento do Diploma.

A professora Zezé argumentou que eu precisava treinar mais; pelo menos uma semana. Concordei e passei o prazo estabelecido por ela. A impaciência já me dominava, pois eu tinha certeza que cumpriria o exame no tempo estabelecido. O exame consistia em “x” toques por minuto. Mas a professora Zezé ainda relutou em realizar o teste. Nessa ocasião ouvia-se vozes de pessoas que cantavam, na Avenida Rio Branco. Era uma procissão. E as devotas cantavam: “Ave, Ave, Ave Maria… “Ave, Ave, Ave Maria…
Ouvindo aquilo não perdi tempo; coloquei uma folha de papel em branco na máquina e enquanto a procissão passava cantando, eu ia datilografando.
Zezé me olhava, lá no canto da sala, datilografando numa agilidade impressionante. Quando terminei lá estava escrito, sem erros, a letra do bendito cantado pelas devotas. ““Ave, Ave, Ave Maria…” “A 13 de Maio na cova da Iria, no céu aparece a Virgem Maria….” “Os três pastorinhos cercados de luz, no céu aparece a mãe de Jesus”. Foi então que ela marcou o exame final para a próxima semana. No dia eu não compareci e até hoje não tenho o Diploma de datilografia, título tão importante, na época, para a formação de quem aspirava melhor colocação no mercado de trabalho.

Depois da Escola de Datilografia, funcionou na mesma sala, no Beco de “seu” Ezequiel, a Delegacia de Polícia Civil. O José de Souza Lima, mais conhecido por Zé Neném ou Coligado, era o Escrivão da Delegacia. Conta-se que havia uma queixa crime prestada contra João Bogó, pessoa conhecidíssima, humilde, mas bem relacionado. Por uma infelicidade o João Bogó se viu às voltas com um inquérito contra ele. Chamado que foi, compareceu à delegacia, por volta das 13 horas.

Lá estava Zé Neném dedilhando numa máquina velha, óculos na ponta do nariz, absorto em seu trabalho, mandou que João Bogó sentasse no único banco disponível, até que o Delegado chegasse. Zé Neném só tirava os olhos da máquina para tomar uma pitada de “torrado” (rapé).

O tempo foi passando e João Bogó ali sentado, imaginava o que viria lhe acontecer com a chegada do Delegado. O pavor foi aumentando e diante da suposta possibilidade de que poderia ser preso, João Bogó teve uma ideia.
Sabendo que Zé Neném era “ligado” no jogo do bicho, pôs seu plano em ação e perguntou: “Zé Neném, você jogou alguma coisa hoje?” Zé Neném, sem tirar os olhos do papel, falou: “Joguei, João, joguei aquela milhar que eu ´amarro´ há muito tempo”. E João Bogó, sem perder tempo, sugeriu: “Zé Neném, enquanto o Delegado não vem, eu vou lá em Zé Coió, saber o resultado do bicho”.
Zé Neném olhou pra João Bogó e asseverou: “João se tu me garantir que volta logo, eu deixo tu ir”. João “jurou de pés juntos ” que logo que soubesse do resultado estaria de volta. E foi… anoiteceu e nada de João Bogó.

Anos depois, “sentada a poeira”, João Bogó voltou e se justificou: “quando saí da delegacia, esqueci de passar em Zé Coió. Assim não adiantava voltar sem o resultado do bicho”.

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, PE, 30 de junho de 2010

O BIGODÃO DE SEMPRE

Sinto-me na obrigação de voltar a esta Tribuna Democrática para tecer dois rápidos comentários.

Primeiro, agradecer de público ao irmão Edson Bigodão por nos trazer uma análise crítica do tema que comentamos, porém, com as limitações que nos são peculiares. O Edson, com a lucidez e conhecimento de causa, vai ao cerne do problema, expondo suas entranhas com causa e efeito. É o imutável Edson. Puro e transparente para uns, porém incômodo, intransigente (um cricri) para outros. Valeu, Bigode Grande! Revi em você, nestas ponderações, o mesmo Edson de décadas passadas, com a mesma intrepidez. É por isso e muito mais que você merece o respeito de quem o conhece. E como você usa o bom senso ao apreciar os problemas que afligem a todos!

Segundo, reporto-me a esta tarde quando observava os operários trabalhando na montagem dos semáforos. E não demorou muito para que me viesse a conclusão de que esta obra que hoje se efetiva – instalação dos semáforos -, foi iniciada décadas atrás.
A ideia que o Governo Municipal hoje concretiza teve a sua origem no Governo do Prefeito Dr. Hermes Canto (1948/1951).
Isso mesmo! Já naquela época aquele prefeito pressentiu que havia a necessidade de alargar a Avenida Arthur Padilha, abrindo passagem para o progresso, ou seja, no meio do caminho “não havia uma pedra”, mas, uma casa, que se localizava junto à Igreja Presbiteriana. E o Dr. Hermes, com a determinação e visão futurista, adquiriu a casa (do senhor Luiz Bitú) que entravava o prolongamento da Avenida Arthur Padilha, abrindo espaço para que Afogados crescesse também naquela direção.
E em seu discurso, ao término do seu mandato em 1951, o dr. Hermes apresentou prestação de contas, onde está consignado o seguinte: “Aquisição do prédio pertencente aos herdeiros do senhor Luiz Bitú, que fica ao lado da Igreja Presbiteriana, (para alargamento da Av. Arthur Padilha), – antiga avenida da Estação – por Cr$ 9.000,00 (nove mil cruzeiros). E, no item seguinte, consta: “Aquisição de um terreno para construção do Aeroclube, Cr$ 7.000,00 (sete mil cruzeiros)”.

Assim, pelo nosso raciocínio, o Governo Municipal, hoje, dá continuidade ao que pensara Dr. Hermes quando decidiu alargar aquele logradouro que, pelo fluxo de veículos, exige sinal de trânsito, com recursos da eletrônica.
Só para terminar, devemos lembrar que esse Anel Viário, hoje criticado por muitos, será, no futuro também elogiado, e os recalcitrantes entenderão que a obra faz-se necessária para impulsionar o progresso de Afogados da Ingazeira. Quem viver verá.

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, PE, 29 de junho de 2010

Sempre que abro a Caixa de Mensagens sou agraciado com algum recado de amigos, distantes ou não. Desta feita foi o estimado Edson Bigodão que me deu uma aula de política, civismo, história e, por último, fez uma crítica aprofundada sobre o meu último escrito nesta página. O que eu não disse, por não saber, o Edson Bigodão o fez e com maestria.
Relembrou fatos de nossa história, fatos que, aliás, ele vivenciou e história que tem a sua participação efetiva. Lamento apenas que tudo o que o Bigodão expressou esteja em nosso âmbito particular. Aproveito, todavia, este momento para pedir-lhe que envie ao Fernando Pires e que todos possam tomar conhecimento. Lá na Bíblia está escrito, em outros termos: “Não se acende a candeia para deixá-la embaixo da cama”. A luz deve ser dirigida para todos. E a profundidade com que o Bigodão aborda o tema não merece ficar só para nós dois. Esse Bigodão é mesmo superlativo – igual a vinho: quanto mais velho, melhor; ou se preferir… Whisky, ou ainda, coco velho é que dá azeite.
Meu caro Bigodão e demais confrades, a nossa Afogados estará completando 101 anos no próximo 1º de julho (quinta-feira), e seu aspecto, no geral, continua como dantes. E sendo assim, está valendo o DESconvite: “Se você ama esta terra, não vale a pena vir à festa de seu aniversário para vê-la como se encontra.

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, PE, 29 de junho de 2010

CARTÃO VERMELHO PARA OS FICHAS-SUJAS

Futebol não é “minha praia” e praia não é meu esporte. Mas, enquanto o mundo volta suas atenções para a África do Sul e assiste as nações, por seus times, se digladiando em busca do prêmio máximo do futebol mundial, vejo um Brasil anestesiado e apreensivo com o resultado que virá da Copa do Mundo, como se isso fosse solução para todos os problemas crônicos dessa imensa nação. A “anestesia” é geral ou o “ópio do povo” – o futebol – tem o efeito de adormecer as dores do brasileiro. Ser campeão do mundo é bom… É ótimo ostentar um título de hexacampeão.
Mas seria muito bom que nessa hora em que se aguarda com ansiedade por essa conquista, não tivéssemos uma malha rodoviária em frangalhos; não existissem filas quilométricas nos hospitais e não ocorressem tantos acidentes nas estradas por falta de conservação. O país poderia se ufanar do título maior do futebol mundial se a educação pública não fosse depreciada ao mais baixo nível; seria glorioso para a Nação (possivelmente) hexacampeã, se não tivéssemos um sistema prisional falido, onde faltam presídios e os que são construídos transformam-se em “elefantes brancos” que não servem para nada a não ser aumentar a nossa indignação pelo desperdício do nosso dinheiro que é tomado em forma de impostos.

Que brilho terá o ouro de uma taça, quando estamos convivendo com irmãos nossos sofrendo pela tragédia da zona da mata, quando, sabidamente, parte dessa tragédia é causada pela incúria das autoridades que não têm programa habitacional eficiente, provocando o inchaço das cidades com seus cinturões de favelas nas periferias.
Podem até dizer que ando na contramão dos acontecimentos, porém essa euforia nacional por uma Copa do Mundo não me faz esquecer as mazelas que nos afligem e que serão “resolvidas” nos palanques eletrônicos que invadem nossa sala trazendo solução para tudo e para todos. Os conchavos, sob o título de coligações, já estão sendo “alinhavados” de norte a sul. A combinação de ideologias faz corar estátua de bronze. Mas tudo é feito pelo progresso do país e de seu povo. O mesmo povo que se contenta ou se acomoda com um salário de fome, enquanto os donos das chaves dos cofres elevam os seus próprios salários ao ilimitado.
É nessa mistura de copa do mundo com promessas já gastas de tanto usadas, que o povão deve fazer valer a aspiração nacional. Vamos usar o instrumento da FICHA LIMPA, com o nosso critério pessoal. A decisão é de cada um, naquele momento em que você determina o placar da partida. Conquiste sua vitória, derrotando os verdadeiros inimigos do povo. Seja o árbitro e use o cartão vermelho, mandando para o chuveiro os fichas-sujas para que, você mesmo fique com a consciência limpa de ter exercido com dignidade a sua cidadania.
Esse é o placar que desejamos para uma nação que não precisa e até pode dispensar o título de hexa, enquanto a sujeira respinga por todas as suas entranhas.

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, PE, 27 de junho de 2010

FESTA DE ARROMBA

Enquanto escrevo estas linhas, a cidade de Carnaíba está em festa. Ainda ontem à noite fui rapidamente à cidade de Zé Dantas e senti o clima de euforia nas pessoas que já começavam a lotar o Parque de Eventos, onde se realizam as festas da cidade. E, contemplando aquele Parque, veio em flashback do que já foi aquela área: Um terreno baldio, cheio de mato, lixo, onde pastavam animais e, à noite, a escuridão era total.

Hoje, Carnaíba pode se orgulhar do local de eventos construído pela administração do prefeito Anchieta Patriota. Além do Pátio, logo junto, está a Academia da Cidade, formando um conjunto arquitetônico aprazível. E, logo após, no prédio que era a recepção da Estação Ferroviária, funciona uma Escola de Música. E no entorno dessa escola, onde era poeira e lama, existe calçamento, proporcionando melhor acesso a veículos e pessoas por aquelas artérias. No bairro Zé Dantas, há um conjunto de realizações da administração do Prefeito Anchieta Patriota, que faz a diferença da Carnaíba de ontem e de hoje.

Ainda no primeiro mandato assistimos a inauguração de uma Escola para crianças (que chamavam Jardim da Infância). É preciso ver pessoalmente para se comprovar o esmero com que se cuida daquele educandário. No mesmo conjunto está o Hospital Dr. José Dantas e, ainda, o Fórum de Carnaíba, em fase de conclusão, com inauguração prevista para o mês de agosto, podendo ser antecipado.

Em breve, Carnaíba terá um teatro, projetado para cerca de 300 lugares. E, como já foi anunciado, já se encontram em fase de conclusão os contatos para instalação de uma fábrica de cimento naquele município. Diante destes fatos e obras que citei, faltando outras tantas a enumerar, o povo carnaibano tem mesmo é que comemorar; tem motivos para festejar e sentir-se numa cidade bem cuidada pela administração pública – o Governo Municipal.
Dou este testemunho porque venho vivenciando as transformações, para melhor, na cidade de Carnaíba. Desde o ano de 2005 trabalho lá. É bom esclarecer que não tenho vínculo com o governo municipal de Carnaíba ou qualquer outro, o que me deixa à vontade para falar do bom ou do ruim que tiver em qualquer um deles.

Aqui, em Afogados da Ingazeira, aproxima-se a festa dos 101 anos. A cidade continua com as suas entradas, tanto para quem vem de Carnaíba ou Tabira, ou ainda, quem vem do Recife, todas em estado deplorável. No trevo que vem de Carnaíba, existe uma fedentina originada, provavelmente, do lixão; em toda extensão, partindo do Elefante Branco (Presídio) – herança do Governo Jarbas Vasconcelos -, até a ponte, é deprimente o aspecto que se observa ali. E lembre-se que há um educandário nas imediações.

Já do lado que vem do Recife, a buraqueira começa lá na curva do Sítio Gangorra, passa pela entrada que dá acesso ao anel viário e a ladeira do Borges também é lastimável. O famoso anel viário até hoje não recebeu a sinalização horizontal. Acho que é querer demais – sinalização no anel viário -, se nem mesmo na cidade, onde o trânsito é uma balbúrdia, existe qualquer disciplinamento.

Aproxima-se a festa de 101 anos, e a cidade está nestas condições. A coisa está feia. Esperamos que, até lá, se dê um jeito, pois, se continuar assim, insisto: Se você ama esta terra, por enquanto não vale a pena vir à festa de seu aniversário.

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, PE, 12 de junho de 2010

RIO PAJEÚ – O GIGANTE AGONIZA!

A Praça Prefeito Miguel de Campos Goes – Praça de Alimentação – é o meu lugar preferido para, no final da tarde, contemplar o quadro pintado pelo Arquiteto do Universo, que nos oferece o espetáculo do Pôr do Sol. Ali, sentado, tomando incontáveis cafezinhos e consumindo outro tanto de cigarros, ponho as ideias em ordem (às vezes fora dela) e, quase sempre, aparece um amigo ou amiga para uma prosa sadia. É esse o prêmio que se recebe por morar no interior. Ainda temos tardes bucólicas e o tempo passa preguiçosamente.
A monotonia só é quebrada pelas incômodas ferroadas das muriçocas que começam a aparecer a partir das 17 horas. Isso mesmo, em plena praça, as ferroadas são inevitáveis. De logo vem à lembrança a causa de tanta muriçoca na Praça de Alimentação: é o nosso Cantado e Decantado RIO PAJEÚ que se transformou num esgoto a céu aberto, pela incúria daqueles que têm o DEVER de protegê-lo.
Basta se olhar da Ponte Dom Francisco, até a Ponte Hortêncio José Bezerra (que liga o centro ao bairro São Francisco), que se constata o descaso das autoridades para com o nosso Pajeú. Centenas de esgotos são despejados no leito do rio e a fedentina é insuportável. Um matagal cresce a cada ano, depois que passam as águas que vazam da barragem de Brotas, e poços estagnados contribuem para agravar a situação.

Na sequencia de desmandos, muito lixo já podre é jogado no leito do rio e o caos vai se avolumando. Em toda a extensão, por trás da Rua Henrique Dias, pode-se observar quanta agressão à natureza. É o Rio que, indefeso, agoniza.

Enquanto as autoridades fingem que se preocupam com o problema da DENGUE, fazem vistas grossas para o que acontece com o nosso Rio. O mesmo que já teve poços, de onde se abastecia toda a cidade. Isso mesmo, do leito do Pajeú, se bombeava água para a caixa d’água que existe na Avenida Arthur Padilha e com ela a cidade era abastecida.

Onde hoje vemos uma área fétida, formava-se uma praia e centenas de pessoas banhavam-se, nas manhãs dos domingos, numa festa de interação entre o homem e a natureza. O homem segue seu destino, brutalizando-se e exterminando, cruelmente, a natureza.

É lamentável o que acontece com o nosso Rio Pajeú. Mais lamentável, ainda, é que não vemos uma voz se alevantar em defesa desse nosso patrimônio. Nem voz nem prática alguma em prol do nosso rio. Mas, a natureza é IMPLACÁVEL. Nenhuma agressão que se pratica contra ela, fica impune. Quem viver verá.

Aqui, repito, Afogados da Ingazeira completará 101 anos no próximo dia 1º de julho e, se você AMA ESTA TERRA, não vale a pena vir para um arremedo de festa. Por estas e outras razões.
Mas… as outras, são assunto para depois. Aguarde!

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, PE, 8 de junho de 2010

FELIZ ANO NOVO… PARA TODOS!

De início, quero desejar a todos os companheiros de infortúnio um FELIZ ANO NOVO e que aquela música do comercial “muito dinheiro no bolso…” se torne realidade. Não pense que estou falando em PASSAGEM DE MAIS UM ANO, porque estamos num final de domingo de junho e não estou sob os efeitos etílicos. Posso lhes garantir que estou sóbrio e, graças a Deus, sou abstêmio convicto.
O fato é que a mídia, por todos os seus canais: rádios, jornais, TVs, blogs, etc, enfatizaram nesses últimos dias a escorchante carga tributária que é imposta aos brasileiros. Segundo dados divulgados, nós brasileiros, pobres mortais, trabalhamos 148 (cento e quarenta e oito dias), ou seja, 1/3 (um terço) do ano, para saciar a fome voraz do dragão que suga nosso sangue em forma de impostos.

De 1º de janeiro até 28 de maio, pagamos, apenas…, 500 bilhões de reais, em impostos. Assim, o ano, para nós, começa agora; o que passou está perdido, em termos de usufruirmos do fruto de nosso trabalho. E o Lula, em mais um desastroso improviso, defende que os brasileiros devem mesmo pagar imposto.
Não discordo do imposto, mas do destino que lhe é dado. O Estado, por todos os seus órgãos, necessita e só funciona com a arrecadação de impostos; isso é elementar, em Economia. O que nos intriga é que não vemos os impostos que pagamos serem destinados aos verdadeiros fins do Estado. Basta sair, aqui mesmo em Afogados, nas primeiras horas da manhã e se vê as filas no INSS; quem se aventurar a enfrentar as estradas, está pondo em risco a vida. As rodovias esburacadas, estreitas, sem acostamento, o mato invadindo a pista e animais soltos. Alguém já viu um veículo de apreensão de animais nas rodovias?

Onde estão os impostos recolhidos, rigorosamente, dos proprietários de veículos? Aliás, já estamos vivendo sob nova expectativa de multa, com a entrada em vigor da obrigatoriedade da cadeirinha para crianças. Quem não lembra de um filme parecido com esse? O Kit de primeiros socorros. Impuseram a obrigação, as fábricas venderam milhões de kits; milhares de multas foram aplicadas e, depois, os gênios do Governo convenceram-se da iniquidade que eram tais kits. A obrigatoriedade das cadeirinhas é mais um caça-níquel. Aliás “níquel” é força de expressão.
E aqui cabe a pergunta: como ficam os caminhões e camionetes, caindo aos pedaços, que transportam estudantes como se fossem animais? É assim que se deve tratar os futuros dirigentes de nosso pais? Os impostos que pagamos remuneram esses veículos que expõem as vidas dos nossos jovens.

Nesses últimos dias ocorreu mais uma tragédia no Ceará, quando um veículo transportando estudantes capotou e ceifou a vida de pelo menos 10 adolescentes. Em síntese, é esse o quadro: estudantes transportados como animais, por estrada deploráveis, rumo a uma escola em precárias condições, onde estão professores mal pagos. Depois do acidente são socorridos para um hospital onde faltam médicos e medicamentos. Aqueles que sobrevivem a essa maratona e enfrentam um vestibular, concorrem com os mais aquinhoados que tiveram escola particular, os melhores cursinhos e, depois de formados, serão apadrinhados recebendo os melhores cargos por que tiveram melhor Q I. Aliás esse – Q I – mudou o significado. Antes era: Quociente de Inteligência, hoje é Quem Indica.

Para finalizar, reconheço que já destilei minha indignação. Por hoje é só. Na próxima, pretendo DESconvidar você que pretende vir para o aniversário de Afogados, no próximo dia 1º de julho. Por enquanto não vale a pena. Isto se você ama sua terra e não quer vê-la no mais completo abandono, como se encontra.
Edson Bigodão esteve aqui, recentemente, e testemunhou. Mas, isso é assunto para o nosso próximo encontro.

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, PE, 6 de junho de 2010

QUEM AMA, CUIDA !

Um assunto já exaustivamente comentado nesta página é o trânsito infernal de Afogados da Ingazeira. Não bastasse a balbúrdia generalizada que se vê por toda a cidade, trago à discussão um caso MAIS GRAVE ainda por envolver crianças que merecem a proteção de todos nós, sem distinção, ainda mais, quando a IRRESPONSABILIDADE que se pratica contra esses seres indefesos parte dos próprios pais. Isso mesmo, pais que expõem seus filhos ao risco de morte, como se estivessem fazendo a coisa mais simples. Refiro-me àqueles pais e mães que dirigem com crianças, algumas recém-nascidas, no colo.
Não lembro, no momento, de estupidez maior. Você que assim conduz uma criança nessas condições, saiba que está cometendo uma infração ao Art. 168 do Código de Trânsito Brasileiro, além de dar uma demonstração da mais completa irresponsabilidade. Para mim, você não é confiável para cuidar do próprio filho.

Não peço desculpas pelas palavras incisivas, pois, para mim, vale mais o alerta que agora faço que angariar a sua simpatia. Em defesa do seu filho, quero ser antipático mesmo. Já, por várias vezes, aqui na cidade, abordei pessoas nessas condições e pedi, em nome da criança, que tivessem mais responsabilidade.
Não sei se essas pessoas têm alguma explicação para ato tão insano, pois justificativa nenhuma existe para se conduzir uma criança no colo, enquanto se dirige. Basta pensar que numa freada brusca, a criança poderá ser esmagada pelo peso do condutor e a direção do veículo; numa colisão lateral, o risco não será menor. Enfim, só quem não mede as consequências pode ter uma conduta tão irresponsável.

Não entendo porque a polícia não está vigilante para infrações dessa natureza. Jamais vi, se é que já ocorreu, algum policial detendo algum veículo que conduzia crianças nessas condições. Registre-se que também é da competência do Conselho Tutelar coibir tais irregularidades. Aliás, qualquer do povo poderá impedir que o pai, a mãe ou qualquer outra pessoa exponha um menor ao perigo. Estou incluindo as mães, também, porque já observei uma criança no colo da própria mãe, cujo nome omito intencionalmente, até que ela não repita tal ato. Aquela cena causou-me perplexidade, haja vista que, para nós, mãe é sinônimo de amor, proteção, zelo, cuidado, e isso não foi o que vi naquele momento.

Aqui, apelo, encarecidamente, aos pais e mães para que dediquem mais amor e proteção aos seus pequenos. Do mesmo modo faço um alerta às autoridades para que punam os infratores com os rigores da lei .

…E peço a Deus que proteja nossas crianças da omissão de seus pais e que não seja necessário voltar ao assunto.

Luciano Bezerra
Afogados da Ingazeira, PE, 30 de maio de 2010

BARRAGEM DE BROTAS – O CAOS É IMINENTE

A história de Afogados da Ingazeira tem na construção da Barragem de Brotas um marco importante. A sequência cronológica dos acontecimentos, desde o projeto de construção daquele manancial até sua concretização, podemos verificar através da crônica do confrade Joaquim Nazário, que foi buscar dados desde 1914 até os dias atuais. Essa narrativa reveste-se da maior importância para aqueles que pretendem conhecer a história de nosso povo, em minúcias.

Brotas resolveu o problema de abastecimento d’água de Afogados e, posteriormente, ampliou-se com uma adutora até a cidade de Tabira. Tempos depois veio o Abatedouro Industrial, avícola, que consome, segundo informações de técnicos no assunto, um volume d´água equivalente ao de uma cidade de pequeno porte. Some-se a tudo isso, as centenas de caminhões-pipa que se abastecem na Barragem e levam o precioso líquido para as comunidades rurais. E, por último, temos a evaporação que se acentua em tempos de verão. Todo esse consumo deve ser do conhecimento daqueles que gerenciam a Barragem de Brotas.

Há muito tempo venho enfatizando um colapso que se prenuncia, pois, também de há muito existe uma válvula emperrada que impossibilita o escoamento de areia e detritos, quando das enchentes do Rio Pajeú, até o transbordo de Brotas. Não se deve esquecer que a “bacia” já não tem as dimensões da época da construção; o leito do rio, dentro da barragem, vem assoreando a cada inverno; o consumo aumentou, consideravelmente, quando passou a abastecer, também, a cidade de Tabira.
Não se perca de vista, ainda, que a cidade de Afogados da Ingazeira recebe, diariamente, uma população pendular das oito horas da manhã até por volta das treze; com isso, o fluxo de pessoas, oriundas de outras cidades da região, gira em torno de cinco mil, ou quase isso, em busca do comércio, hospitais, clínicas, bancos, etc.
Todo esse movimento implica em mais consumo d’água e, consequentemente, numa exaustão do manancial, que se aproxima, inevitavelmente. Assim, urge que medidas sejam tomadas enquanto é tempo.
Faz-se necessária uma dragagem urgente em nossa barragem, assim como já de há muito, faz-se necessária uma ampliação no sistema de tratamento d’água, pois a ETA, hoje existente, é incapaz de prover toda a cidade; daí se explica a falta d’água constante em várias ruas, quando antigamente tínhamos água nas torneiras, diariamente.

Este é o alerta que aqui deixamos. O caos se aproxima. O colapso que ocorrerá é inevitável se aqueles a quem compete não tomarem as providências cabíveis, enquanto é tempo. Para finalizar, afirmo, com certeza, que não foi com uma barragem nestas condições que tanto sonhou o Mons. Arruda Câmara e todos aqueles que concretizaram este sonho.

A Barragem de Brotas pede SOCORRO, urgente.

Luciano Bezerra


12 Jun

Festival da Juventude 2008 – Cabo de Santo Agostinho

Para algo fora do comum (embora não exatamente “folclórico” ou “tradicional”), siga para o Cabo de Santo Agostinho neste fim de semana, onde eles celebram o Festival da Juventude.

Quinta-feira: Zezé de Camargo e Luciano (principalmente música romântica), 20h
Sexta-feira: Cheiro de Menina (forró) e Timbalada (axé), 21h
Sábado: Saia Rodada (forró) e Capim Cubano (música latina), 21h
Domingo: Jammil (axé), 16h

O festival acontece no Espaço Asa Branca, na BR-101, Km 35, em frente à entrada principal do Cabo de Santo Agostinho. Os shows são todos gratuitos e as praias de Calhetas e Gaibú estão próximas, então tudo o que você realmente precisa é de hospedagem e (se você deseja o conforto extra e conveniência) um carro para torná-lo um fim de semana interessante. Há ônibus de Recife para Cabo de Santo Agostinho, e há ônibus e táxis baratos (e mototaxis) entre Cabo e Gaibú.

Note-se que Cabo não é Porto de Galinhas (ou seja, não é turística amigável), por isso o conhecimento do espírito português e aventureiro é essencial. Você será um dos poucos estrangeiros ali


6 Jun

Festas e música agora que o Carnaval acabou

O frevo é algo que vive apenas durante os quatro dias do Carnaval, mas a música e as festas pernambucanas vivem ao longo do ano. Aqui estão algumas recomendações em Olinda (e Recife), em nenhuma ordem particular. Note que esta lista será atualizada conforme necessário.

1. Xinxim da Bahiana – Esse pequeno bar perto da Praça do Carmo (Avenida Sigismundo Gonçalves) recebe bandas ao vivo às quartas e sábados, além de DJs em outras noites da semana. Um bom lugar para se sentar, pegar música ao vivo, conhecer os locais e tomar uma cerveja. Geralmente começa às 22h ou mais.

2. Terça Negra – Então eu já estou traindo, porque esse aqui é em Recife. Mas eu gosto muito disso, então incluí isso. O que é isso? É uma celebração semanal da cultura africana em Pernambuco, apresentando uma grande variedade de estilos e gêneros. Isso acontece toda terça-feira à noite no Pátio de São Pedro em Recife (Centro). Depois que acaba, muitos moradores vão para a Rua da Moeda, no Recife Antigo, para pegar um pouco de reggae.

3. Casa da Rabeca – Uma vez por mês no sábado à noite, Mestre Salustiano, mestre da música brasileira, hospeda uma noite de forró em sua própria casa, a partir das 21h. Para chegar lá, pegue um ônibus para o terminal de ônibus PE-15 e de lá um ônibus para Cidade Tabajara. O conhecimento português é essencial. Taxi de volta ao seu hotel é altamente recomendado. Este é um dos três lugares desta lista que considero “fora do caminho comum”.

4. Abril Pro Rock – Em abril, Recife e Olinda recebem anualmente um festival de rock que reúne bandas e artistas locais, brasileiros e internacionais. É um evento de três dias, mas você pode comprar ingressos para apenas um dia se sua agenda de viagens for apertada. Este ano há muito heavy metal, com as bandas Helloween, New York Dolls e Gamma Ray. Outros atos locais e nacionais também serão executados.

5. Samba de Coco em Amparo – No primeiro sábado de cada mês, das 21h até o nascer do sol, o Ponto de Cultura Coco de Umbigada hospeda uma noite de samba de coco no bairro de Amparo. O Largo da Guadalupe está a uma curta distância do Centro Histórico, mas a um mundo de distância em termos de meio ambiente. Este é o segundo lugar nessa lista que considero “fora do caminho comum”.

6. Serestas – Toda sexta-feira, às 22h, uma seresta (serenata) toma as ruas de Olinda, saindo da Praça Conselheiro João Alfredo e marchando pela cidade, cantando músicas clássicas acompanhadas de violinos, violões e outros instrumentos.

7. GRES Preto Velho – Esta é uma casa de samba no Alto da Sé, com uma vista incrível da parte de trás. Todas as outras quartas, às 20h, há uma roda de samba autoral, e todos os sábados há afoxé a partir das 18h. Também aos sábados, o projeto “Frevo é para todos” realiza aulas de frevo (e relacionadas) das 15h às 17h.

8. Bodega de Veio – Esse bar popular na Rua do Amparo em Olinda monta uma banda na calçada nas noites de sábado (e às vezes às quintas), e um DJ nas noites de terça-feira. Embora seja possível encontrar moradores misturando-se lá em qualquer noite, o sábado geralmente atrai uma multidão grande e animada. Note que fecha às 23h.

9. Manicomico – Este é um clube de dança perto do oceano (Rua do Farol) em Olinda para quem prefere um ambiente de boate. As noites de sexta, sábado e domingo são animadas, com os sábados sendo o pico. Mais informações no site: manicomicoclub.com.br

10. Domingos em Olinda – as noites de domingo em Olinda são um assunto interessante. As pessoas começam a se reunir no Alto da Sé para tomar uma cerveja e um lanche antes de descer as colinas até a área chamada “Peixaria”, para continuar o encontro. Depois, eles podem ir até a vizinha Cachaçaria Virgulino, na Rua do Sol, onde dançarão até as primeiras horas da manhã.

11. UK Pub – Nada tradicional aqui. Este é um pub moderno em Boa Viagem (Rua Francisco da Cunha, 165) que hospeda bandas de rock, grupos de samba e DJs e atrai principalmente pessoas na faixa dos vinte anos. Orgulha-se também de sua grande coleção de cervejas, caso você esteja cansado das marcas locais. Você encontrará música ao vivo aqui de terça a sábado. Há uma taxa de cobertura, geralmente entre R $ 10 e R $ 20, dependendo da noite da semana e da performance da banda.

12. Downtown Pub – Semelhante ao # 11 acima, mas localizado no Recife Antigo (R. Vigário Tenório, 105), é o Downtown Pub. Opera de quarta a domingo. Confira o site deles para um calendário: downtownpub.com.br

13. Lia de Itamaracá – Se você é corajoso, segue uma recomendação: vá até a praia de Jaguaribe na Ilha de Itamaracá. É lá que Lia tem um centro cultural onde continua a tradição da ciranda. Você pode ter que procurar um calendário e mais informações, mas geralmente há algum tipo de atividade nos finais de semana. Para chegar lá, você precisará pegar o ônibus “PE-15 / Igarassu”; depois, no terminal de ônibus de Igarassu, mude para o ônibus de Itamaracá. Conhecimento de Português essencial. Dica: voltar pode ser um problema, pois os ônibus param às 22h. Se você tem uma tenda, traga-a, pois você pode acampar barato (ou grátis). Se você não tem uma barraca,